
A nova direção das escolas municipais de Gaspar será definida nesta sexta-feira, dia 22 de novembro, durante processo eleitoral. Enquanto professores, funcionários e demais membros da comunidade decidem a melhor opção para estar à frente da instituição ensino de seu bairro, levando em consideração o currículo dos profissionais que se candidataram ao cargo, uma mãe decidiu avaliar a aptidão de um candidato com outro quesito: a sexualidade dele.
Em um áudio que circula nas redes sociais, a mulher afirma que o candidato Lodemar Luciano Schmidt, professor de matemática da Escola Dolores Luzia dos Santos Krauss, não deve ser eleito pois pode inverter os valores que os estudantes aprenderam em casa. “Tem criança de seis anos ali. O que vão pensar?”, questiona a mãe no áudio enviado pelo aplicativo WhatsApp.
Ela ainda critica o posicionamento da escola em apoiar o professor. “O corpo docente todinho está a favor desse cara. Estão fazendo campanha para colocar ele”. Em outro momento, a mãe pede que a comunidade se una para votar contra Lodemar. “Ele é afetadíssimo. Eu acho que tem lugar para ele... Numa escola secundária, numa faculdade. Em outro setor. Se a gente der o ‘não’ e ele não entrar, o prefeito determina outro. Vamos tentar angaria o máximo possível de pais para ir lá e dar um ‘não’”, disse a mãe.
Após tamanha repercussão nas redes sociais, Marcia Eliane da Rocha, autora dos áudios compartilhados, pediu desculpas publicamente no Facebook. “Pelas mensagens que enviei a vocês, percebi o quão estava errada. Gostaria de pedir desculpas, principalmente ao professor Lodemar, candidato a diretor da Escola Dolores Krauss. Pela minha falta de tato, pela falta de informações, por falar sem motivos de alguém que ao menos conheço. Minha pretensão levou a isso. Mas, em minha defesa, posso afirmar, se é com erros que se aprende, que aprendi a lição. Entendo também que se os professores estão apoiando, é porque ele merece. Por isso, eu lhes digo: Votem no Lodemar”.
Em entrevista ao Cruzeiro do Vale, Lodemar afirmou que o áudio preconceituoso chegou ao seu conhecimento na quarta-feira, dia 20, logo após o meio dia. ‘Estávamos tentando resolver internamente, para que ninguém ficasse sabendo e também para não prejudicar a eleição. Mas, às 18h, o áudio vazou e tomou grandes proporções. Eu recebi mensagens de apoio de alunos e ex-alunos, pais, colegas de trabalho, amigos e sindicato. Não recebi nenhuma mensagem preconceituosa”, conta.
Devido à gravidade da situação, Lode estuda a possibilidade de abrir um processo civil contra a mulher. “Na quinta de manhã contatei uma advogada e ela confirmou que esse áudio é, sim, considerado crime. Então, entrei em contato com a senhora e ela fez uma retratação no Facebook, que primeiro ficou no privado e depois foi publicada em modo público. Em seguida, minha advogada pediu para que ela colocasse uma faixa em frente à escola pedindo esculpas, mas ela não fez. Por isso, existe grande probabilidade de eu mover um processo para que outras pessoas não tenham que passar por isso. Como eu disse para um ex-aluno: fiquei muito triste com a situação, mas ao mesmo tempo feliz com tantas mensagens de carinho”.
A Escola de Educação Básica Professora Dolores Luzia dos Santos Krauss está localizada na rua Guilherme Sabel, no bairro Figueira. Atualmente, a diretora é Sirlei Silva de Jesus Miranda. Ela não concorre à reeleição. Lodemar Luciano Schmidt, vítima do caso de homofobia, é o único profissional que colocou o nome à disposição para o pleito de 2020. Caso receba mais votos favoráveis do que contra, se elege diretor.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte-SC) emitiu uma nota de repúdio contra o ato homófico registrado em Gaspar. No texto, a entidade afirma:
“O SINTE-SC lembra a esta mãe, e aos demais pais ou responsáveis que seguem nessa campanha de ódio, que desde 13 de junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que a homofobia é crime, equiparando as penas por ofensas a homossexuais e a transexuais às previstas na lei contra o racismo. O Ministro Fachin disse em seu voto que “Nenhuma instituição pode deixar de cumprir integralmente a Constituição, que não autoriza tolerar o sofrimento que a discriminação impõe”. Vamos fazer a denúncia em todas as esferas e órgãos de direitos humanos. É inaceitável dentro das escolas, no âmbito da educação, as práticas da intolerância, do preconceito e do ódio, estas que todos os dias matam LGBTIs através da violência, depressão e suicídio.
O SINTE-SC se solidariza com o professor Lodemar e reafirma que vai continuar na luta contra qualquer tipo de preconceito contra os(as) trabalhadores(as) em educação, tanto nos municípios, quanto no Estado. Basta de LGBTIFOBIA!”

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