Morador de rua se instala em ponto de ônibus - Jornal Cruzeiro do Vale

Morador de rua se instala em ponto de ônibus

09/05/2014

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O que era um ponto de ônibus, onde esporadicamente alguns moradores de rua aproveitavam para passar a noite, agora se transformou na moradia permanente de um andarilho. Segundo a comunidade, desde janeiro deste ano um morador de rua decidiu ficar em definitivo no ponto de ônibus localizado no início da rua Luís Franzói, em frente a um supermercado.

No local há apenas um colchão, uma mochila com os poucos pertences, roupas e muita sujeira. O mau-cheiro também aumenta a cada dia e incomoda a comunidade, que agora precisa esperar pelos ônibus alguns metros adiante, sob uma marquise. ?Não tem condições de esperar ônibus ou passar por ali, o mau-cheiro é demais. Ele mesmo conta que perdeu a briga para a cachaça, às vezes chega a ficar inconsciente. Alguém precisa fazer alguma coisa?, afirma Jorceli Xavier de Oliveira, 44 anos, moradora do bairro Sertão Verde que passa diariamente pelo local.

Ângelo Rudinei, 33 anos, confirma que a situação se arrasta há vários meses e que as pessoas chegam a evitar passar pelo local, principalmente pelo mau-cheiro e pelo estado de abandono. ?Sabemos que agora vem o inverno e a situação dessas pessoas fica ainda mais sofrível se não houver alguma ajuda?, afirma.

O empresário Maurino João Bernz, proprietário de uma oficina de refrigeração ao lado do ponto de ônibus em que o morador de rua se instalou, conta que a situação piorou desde o início desse ano, quando o andarilho passou a ficar dia e noite no local. ?Até limpei o ponto nas primeiras vezes, mas depois não teve mais como manter. Infelizmente a gente já conversou com ele, a equipe da Assistência Social o levou para internações, mas depois de pouco tempo ele sai e volta para cá?, ressalta.

Maurino reconhece a gravidade da situação do morador de rua e lembra que na última semana precisou acionar o Samu para socorrê-lo, já que ele estava passando mal. No entanto, o comerciante ressalta que a situação já está prejudicando a vizinhança e também teme pela segurança e pelo futuro do indivíduo se nada for feito. A gerente do supermercado que fica em frente ao ponto de ônibus revela que a situação também traz reflexos para o estabelecimento, já que por vezes os clientes são abordados no estacionamento em busca de dinheiro. ?Nós já o conhecemos, mas quem não sabe da situação fica com medo. Além disso, a situação está prejudicando toda a comunidade. Sabemos que se trata de um ser humano, que inclusive se criou aqui em Gaspar, então precisamos que algo seja feito?, destaca a profissional.


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Refém do alcoolismo

O morador de rua é Marcos Alexandre Reinert, 42 anos. Ele foi criado em Gaspar e ainda hoje recebe apoio de uma tia, que também reside no bairro Margem Esquerda. Marcos Alexandre garante que seu único vício é o álcool e fala sem muita exatidão de seu passado. O morador de rua diz ter um filho e afirma que foi parar no ponto de ônibus do bairro Margem Esquerda após sair de uma prisão de Curitiba. Durante o dia Marcos Alexandre quase não se alimenta e, pelos braços e pernas já enfraquecidos, ele apresenta vários ferimentos.

Ao lado do colchão, sob o banco de madeira do ponto de ônibus, o andarilho guarda uma garrafa de cachaça, que às vezes é a única coisa ingerida. Embora desminta já ter sido internado outras vezes, Marcos Alexandre diz ter interesse em passar por um tratamento para se livrar do vício do álcool. ?Se me oferecessem um tratamento claro que eu quero me recuperar?, garante. 


Assistência Social diz ter oferecido atendimento

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, a equipe de atendimento já ofereceu possibilidades para Marcos Alexandre, que chegou a ficar internado mais de uma vez, mas sem sucesso. ?A gente oferta a política pública, mas querer às vezes depende muito do usuário. De fato não podemos obrigar a pessoa a sair das ruas, então nesses casos oferecemos acompanhamento?, afirma a diretoria de Assistência Social, Ana Janaína Medeiros de Souza.

A coordenadora do Conselho de Referência Especializado de Assistência Social, Creas, Sandra Gerusa dos Santos da Silva, afirma que a equipe pretende fazer um novo atendimento ao morador de rua, mas ressalta que o trabalho do órgão visa sempre a não violação dos direitos. ?Falando de forma genérica, nos casos em que as pessoas optam por permanecer nas ruas fazemos um acompanhamento para que eles continuem tendo acesso aos seus documentos, contato com os familiares e poder de reflexão sobre o que acontece com eles?, afirma. Sandra acrescenta que nos casos que envolvem risco para a própria pessoa e o atendimento não foi suficiente, o Creas pode informar o Ministério Público, que pode tomar alguma medida. ?Trabalhamos apenas com a internação de forma voluntária?, reitera.

Desde o final de abril o Creas passou a contar com mais uma profissional que está se preparando para oferecer o chamado Serviço Especializado para Pessoa em Situação de Rua. A modalidade de atendimento, que antes era englobada pelo Paefi, foi criada em função do aumento de moradores de rua detectado em Gaspar nos últimos meses. ?Acredito que será um reforço importante para oferecer um acompanhamento mais próximo dos moradores de rua da nossa cidade?, avalia Sandra.

A diretoria de Transporte Coletivo de Gaspar disse que já foi comunicada da situação e informou que na próxima semana o abrigo de ônibus deve ser substituído por um outro ponto menor, com estrutura de ferro, também em função da baixa de demanda de passageiros que embarcam no local. O ponto atual deve ser instalado em local a ser definido. 

Edição 1586
 

Comentários

Emerson Seberino da Silva
14/05/2014 18:51
Muitas vezes dá mesmo vontade de virar as costas para o insuportável , mas o inevitável é quando esbarramos em nossos defeitos , só ai é que enxergamos parte da realidade em nossa volta .
Pois bem , hoje fiz parte da limpeza do local que estava insuportável de tanta sujeira e mau cheiro (fedido mesmo).
O abrigo de ônibus não vai mais ser mudado , e as informações que tive do ministério público . foi de que uma tia de Marcos Alexandre foi junto à promotoria pública pedir ajuda para internar o rapaz .
Porque fui ao ministério público?
Fui pedir informações para interditá-lo , para que ele receba tratamento par se recuperar , já existia um pedido de interdição dele e que agora será executado esse processo de interdição , não precisarei mais pedir interdição dele em meu nome , mas também não vou abandonar a ideia de ajuda-lo.
Não posso mais aguentar ver meu amigo nessa situação , agora sei que de alguma forma ele receberá ajuda .
Amanhã terei mais novidades sobre o Marcos Alexandre , grato pela compreensão .
E para a amiga Carina , fiz o que coube à mim fazer , o que talvez ainda não apareça para vocês verem , mas vocês ainda terão oportunidade de ver o que um amigo pode fazer pelo outro .

Muito obrigado pela atenção , tenham todos uma boa noite .
Delirio
14/05/2014 13:22
Viraram as costas sim...
Passei por ele hoje e continua do mesmo jeito. De novo... dá pena de ver ele assim, mas primeiro os entes dele devem assumir a causa...
Carina
13/05/2014 11:29
Emerson Seberino Da Silva.
Você diz querer minha ajuda para encontrarmos uma solução para a situação do cidadão,correto?
Porém a melhor solução seria,obviamente um internamento em alguma clinica de reabilitação..Mas como já foi falado nos comentários anteriores,ele foi internado inúmeras vezes..e em nenhuma ele permaneceu na clinica..Volto então a firmar: Não podemos,legalmente e moralmente falando,obriga-lo a querer ajuda,se o mesmo não quer.
Agora me diga você,meu caro cidadão,o que cabe a você fazer sobre isso?
E não venha me dizer que ele não esta sendo respeitado... Afinal,ele esta fazendo apenas e unicamente a sua vontade.
Emerson Seberino da Silva
12/05/2014 17:06
Para Carina;
Realmente você tem razão em fazer tal colóquio sobre o cidadão Marcos Alexandre , afinal temos o livre arbítrio , não é verdade .
Tudo bem já que você não o conhece , ninguèm tem a obrigação de conhece-lo , mas todos nós temos o dever de no mínimo respeitá-lo .
O respeito é reciproco , e depois ele está nessa situação naõ só porque quer , é porque a questão do vício compulsivo (coisa de organismo acostumado com o forte poder químico) o fez assim e ele não consegue se livrar por livre espontânea vontade.
E depois não tem nada haver a probabilidade de o prefeito sentar para conversar com ele , e sim os daquilo roxo da assistência social .
O cidadão Marcos Alexandre é filho único , de um pai assassinado quando ele era ainda um pequeno e feliz menino e sua mãe sofreu até as últimas consequência de um cancêr malígno quando ainda adolescente , então podemos nós sermos irmãos para o Marcos Alexandre , pergunte algo sobre ele , e não dê sua opinião crítica sem saber mais sobre o cidadão Marcos Alexandre .
Mesmo assim tais no teu direito , e também acredito que tens um bom coração para dar alguma ideia em poder ajudar esse rapaz.
Terias coragem em me ajudar com ideias boas para dar um pouco de dignidade para ele ?

Obrigado pela atenção .
Carina
12/05/2014 15:56
Não o conheço,mas sei que alguem só poderia receber ajuda,independente de quem fosse,por vontade própria.
Afinal, o que vocês queriam?Que o próprio prefeito sentasse com ele ali e conversasse?
Tudo na vida foi e é uma questão de escolhas..Ai você me diz que ele teve uma infância difícil com perdas dolorosas..Tá,Mas e os irmãos dele? Também estão neste estado? Ou vai me dizer que este cidadão sofreu mais que os outros? Ou estrou na bebida obrigado?
Desculpem-me se estou sendo rude,mas está é minha opinião!
Evandra
10/05/2014 14:34
Bem, tb sou prima dele, epor mais de 20 vezes ele foi internado em clinicas, entre ela particulares e publicas, mas ele não se ajudou, não adianta a gente querer e ele não. Dói muito ve ele nesta situação, a gente está ajudando como pode, poruqe infelizmente não podemos recolher ele da rua e levarmos pra dentro de nossas casas, uma pessoa q só bebe e está aí a merce das doenças.
Por várias vezes já foi proucurada a assistencia social e pedido q internassem ele num lugar fechado onde ele não pode sair, outro dia mesmo foi ligado pra assistente social informando q ele estava caido na rua, sagrando e q elas viessem ali pra ve a situação, mas nenhuma assistente social apareceu pra ve o caso. Claro q ela já ajudaram sim, já colocaram em clinicas, mas ele precisa de uma clinica fechada e permanente. Isso q estamos tentando buscar na assistencia social
Sueli
10/05/2014 08:36
Sou parente do Alexandre e ao contrario do que diz Delirio, a família jamais virou as costas para ele, não se fala, o que não se tem conhecimento. Alexandre já foi internado pela família mais de dez vezes e em todas não permaneceu na clinica (particulares). Já tentamos todas as formas de tirar ele do vício, porem sempre fracassamos e nossa angustia cresce a cada dia. Quem quer ver uma pessoa que ama chegar a este ponto? A tristeza domina nossos corações em vê-lo todos os dias naquele estado e ele está por perto porque tem medo de chegar nos últimos dias da vida sem estar perto da família que ele também ama (palavras dele mesmo). Já buscamos ajuda no poder público que "ajudou" do jeito deles...por obrigação, porém sem dedicação e competência necessária que este caso exige. Grande parte dos moradores da Rua Luiz Franzói conhece o Alexandre desde que nasceu e conhece a história de vida dele e de alguma forma sempre procura ajudar, porém concordo que a situação está insustentável. Ele precisa de tratamento sem que a vontade dele esteja acima da Lei. A tia dele, mencionada na reportagem já implorou diversas vezes à Prefeitura algum encaminhamento e sempre respondem a mesma coisa: Não podemos fazer nada se ele não quiser. Ele precisa de TRATAMENTO e a vontade dele não está acima da lei. Por favor, nos ajudem a dar uma vida um pouco mais digna a ele e não critiquem a família que vive constantemente buscando ajuda e amargurada por não obtê-la.
Que Deus proteja a todos para que nunca tenham que conviver com esta situação triste de ver o sangue do seu sangue morrendo a cada dia numa sarjeta.
Emerson Seberino Silva
09/05/2014 17:40
É a mais pura realidade do descaso social brasileiro .
Dá para imaginar como funciona alguns serviços sociais no Brasil .
Não é qualquer tratamento que ajudará o Marcos (popular Chambinho ou Faustão para alguns).
Assim como várias pessoas , eu conheço a história dele , fui companheiro de infância e colega de escola dele . Fomos bem amigos , e realmente não sei como ajuda-lo . Infelizmente é assim mesmo .
A sua história poderia ser diferente , mas não foi , seu pai teve uma
morte trágica e me lembro muito bem do grave problema de saúde de sua mãe que a levou a morte ,depois disso o Chambinho veio a decair da vida com muita intensidade , o que o levou a esse estado em que se encontra ,terrivelmente lamentável.
A assistência social já tentou fazer por ele , mas ele também não se ajuda , o que torna as coisas mais difíceis . Mas se realmente o serviço social de nosso município fosse mais eficaz , se daria um jeito de uma internação perpétua , sim , perpétua , pois só assim esse rapaz FILHO de GASPAR teria alguma chance de um final de vida mais digno . Não estou desmerecendo o trabalho das assistentes sociais de Gaspar , e sim a burocracia fdp que emperra em muito o direito que o cidadão tem na área da saúde e assistência social , o que parece não existir .
Pois bem : Para resolver a questão do abrigo de ônibus em que o Chambinho fez morada , vão retirar o abrigo que está lá e colocar outro mais simples achando que o problema se resolverá . O problema não se resolverá em nada modificando o abrigo de ônibus naquele local.Precisamos achar uma maneira de resolver essa questão , ajudando o Chambinho e não modificando o tal abrigo de ônibus , pois não ha a necessidade de tal mudança .
Peço ajuda de alguém , até mesmo de algum familiar dele para tentar algo no Ministério Público para darmos ao ser humano Marcos Alexandre um final de vida digno , não que ele venha a falecer logo , mas para que a dignidade floresça no que talvez lhe resta de vida que essa mesma dignidade também floresça e aquebrante nossos corações que muitas vezes estão empedrados .
Desculpem o desabafo , mas digo tudo isso sem medo e sem vergonha , pois sou um ex dependente químico que quase passou por situações adversas do mundo das drogas , e que tive forças próprias para se livrar dessa desgraça que é a droga .
Espero que essa barbárie não bata a porta de vocês leitores , vamos tentar ajudar o ser humano Marcos Alexandre , o Chambinho , vamos ser mais humanos ,pois disse o filho do homem :
Tive cede , e me deste de beber
Tive fome , e me alimentasse
Passei frio , e me agasalhasse
Fui humilhado por vós , e os perdoei . . .

Obrigado pela compreensão de vocês leitores ,qualquer coisas me procurem , não será difícil de me encontrar , pois sou funcionário público na Ditran .
cecilia werner
09/05/2014 15:45
SE A ESCOLHA É PIMGA QUE SEJA REALIZADO DEIXA BEBER LAMENTO PELA FAMÍLIA MAS É UMA ATITUDE DIFICIL .SE ELE RESPEITA MERECE SER RESPEITADO .
UMA CACHAÇA E MAIS OUTRA QUE PRA ELE É UMA GRANDE AJUDA O DEUS TERÁ PRESENTE COM ELE E COM A GENTE NADA É PERMAENTE DEFEDEI-NOS DESTE MALDITO VÍCIO
Delírio
09/05/2014 13:59
Dá pena de ver mas não sejamos hipócritas, ninguém tomaria o Alexandre pela mão e levaria para casa...a própria família vira as costas para o coitado...
Cabe sim a prefeitura, com seu órgão competente, tomar as providências cabíveis para tentar dar uma direção a vida dele...
Situação lamentável...e triste...

Marcelo Silva
09/05/2014 11:03
E por que até agora não foi informado ao Ministério Público?
Em Gaspar as coisas não funcionam direito, só se arrastam.
Isso é falta de iniciativa e vontade da Prefeitura e da Assistência Social.
Priscila
09/05/2014 10:58
Já teve internado varias vezes inclusive no creta que um jornal local fez uma bela reportagem falando sobre a vida dele..... Ele fez o tratamento e teve alta e voltou para as ruas pois acho que os familiares não tem mais como ajudar..... Ele deveria ficar em uma clinica para trabalhar e ao mesmo tempo morar.... Pois sei que qdo recuperados ficam como monitores e ajudam os novos integrantes que são encaminhados para a reabilitação....

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