Há alguns anos, uma enorme figueira é tida como ponto de referência para empresas e residências localizadas na rua Paulo Alois Eberhardt, no bairro Coloninha, em Gaspar. A árvore é centenária e já faz parte da história dos moradores. Principalmente dos mais antigos.
Na manhã de domingo, dia 10 de junho, uma notícia pegou a todos de surpresa. Durante uma poda na figueira, funcionários da Celesc informaram que a árvore seria derrubada em poucos dias pela Secretaria de Obras de Gaspar. Inconformados com a situação, os moradores se uniram para lutar pela permanência da figueira.
Abraçados na figueira centenária, os moradores demonstram a tristeza pela situação e também a união que será utilizada para que a árvore permaneça onde está. Erta Reichert Muller, de 70 anos, mora em frente à figueira há 20 anos e afirma que ela é centenária e muito bonita. “Essa figueira é história e é uma pena passar na cabeça das autoridades derrubar esse patrimônio”, diz.
Assim como Erta, Paulo Bernardo, de 60 anos, não apoia a iniciativa de derrubar a figueira. Ele possui uma empresa em frente à árvore e garante que não há necessidade de derrubá-la.
Morador de uma rua ao lado, Domingos Sávio Eberhardt, de 60 anos, se uniu aos vizinhos na busca por explicações sobre o motivo da derrubada da figueira. “Dizem que ela está condenada, mas isso não é verdade. A rua foi totalmente projetada para comportar a permanência da figueira e não há razão para tirar ela”, afirma Domingos.
O empresário Leucir Gross está construindo um galpão em frente à figueira e pediu para que a Defesa Civil de Gaspar emitisse um parecer técnico sobre a situação da árvore. Ele afirma que quer que melhorem a rua e que seu objetivo é calçar a via em regime de mutirão com os demais moradores.
Após a solicitação de Leucir, o agente da Defesa Civil de Gaspar, Luiz Mário da Silva, foi até o local para analisar de perto a situação da figueira. “A figueira apresenta risco de cair em cima das residências. Ela possui uma abelheira nos galhos e parte do tronco está apodrecido. Nossa preocupação é que ela quebre com um vendaval. Por isso, no parecer da Defesa Civil, sugerimos a poda ou o corte da figueira”, explica Luiz.
Após o parecer da Defesa Civil, uma equipe da Celesc esteve no local para cortar alguns galhos da figueira que batiam na fiação elétrica. Foi neste momento que os moradores ficaram sabendo da possibilidade do corte da árvore.
Por estar em uma via pública, o responsável pelo corte da figueira é a Secretaria de Obras. Porém, para que o ato seja concluído, é necessário uma autorização da Superintendência de Meio Ambiente. “O parecer do Meio Ambiente é que a árvore está comprometida e a recomendação é o corte. Porém, esta é apenas uma recomendação. Não demos autorização”, garante Raphael.
Com o desencontro de informações, os moradores se uniram ao vereador Ciro André Quintino e na manhã de segunda-feira, dia 11 de junho, foram até à Prefeitura de Gaspar atrás de informações concretas. Na oportunidade, houve uma reunião com representantes da Defesa Civil e Meio Ambiente, que entraram em contato com a Secretaria de Obras para avaliar os prazos de corte da figueira.
Amauri Bornhausen, diretor de Obras, foi contatado por telefone e afirmou que o corte da árvore está suspenso temporariamente. Agora, moradores e técnicos vão avaliar melhor a situação para, então, decidir se a história da figueira centenária chega ao fim ou se ela continua sendo o ponto de referência da rua.
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