
Os moradores do bairro Gaspar Alto protestaram em frente a um ponto de ônibus vazio contra a suspensão da linha de ônibus de transporte público. A manifestação aconteceu na manhã de terça-feira, 3 de novembro, e cerca de 70 pessoas, entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, se mobilizaram para pressionar o poder público. A linha intermunicipal de transporte público Gaspar Alto-Blumenau foi suspensa no dia 30 de outubro pela empresa Santa Terezinha, que alegou motivos de prejuízo econômico para deixar de operar.
No protesto, uma comissão de moradores apoiada por um grupo de vereadores de Gaspar e Blumenau foi criada para se reunir nos próximos dias com a Secretaria de Desenvolvimento Regional, SDR, de Blumenau, para buscar uma solução para o problema. Não está descartada a chance de os moradores fecharem a via principal de acesso ao bairro Gaspar Alto.
Conversas frustradas
De acordo uma lei municipal de Gaspar, somente estudantes do Ensino Básico do Gaspar Alto estão tendo transporte público, com o custo estimado arcado pelo Executivo de R$ 14 mil mensais. Segundo a presidente da Associação de Moradores do Bairro Gaspar Alto, Ágata Baader, se há este valor disponível para arcar com as despesas do transporte dos estudantes, deveria haver também um recurso para cobrir o prejuízo alegado pela empresa Santa Terezinha para fazer o itinerário. “Tivemos uma reunião na semana passada com a Secretaria de Educação, onde pelo menos foi garantido a ida e o retorno dos alunos das escolas Rodolfo Gunther, em Gaspar e Celso Ramos, em Blumenau. Tem certas coisas que eu queria entender e não compreendo. Como as autoridades competentes não conseguem solucionar um caso que envolve a população?”, lamenta Ágata.
De acordo com Ágata, conversas com as prefeituras de Gaspar e Blumenau, com o Serviço Autônomo Municipal de Trânsito e Transporte de Blumenau, Seterb, além de tentativas frustradas com órgão estadual responsável pelas linhas estaduais, o Departamento de Transportes e Terminais, o Deter, estão em andamento, mas não há ainda um posicionamento definido sobre o retorno do transporte público.
Moradores indignados
A comunidade do bairro Gaspar Alto já está pagando o preço pela falta de transporte público. Paulo César, de 42 anos, trabalha em Blumenau e, com dois filhos, está se desdobrando para realizar seus afazeres diários, agora sem o ônibus. “Usava o transporte coletivo, pois preciso para a ida ao trabalho. Está muito difícil, afinal as autoridades não se posicionam”, reclama o metalúrgico de 42 anos, e morador do bairro há 24 anos.
A mesma situação é vivida por Herculano Espíndola, de 63 anos. Ele trabalha há 9 anos em uma empresa de Blumenau e, quando não consegue viabilizar uma carona, vai a pé para o trabalho. “Estou com medo de ter de pedir demissão”, alerta.
Edemar Kripsty, de 39 anos, conta que a filha está correndo o risco de ter de deixar o curso que está fazendo devido à falta de linha de ônibus. “Fomos criados no Gaspar Alto, e não queremos deixar nosso bairro. A situação está bem difícil, e precisa de uma solução o quanto antes”, pede.
Os vereadores de Gaspar Antônio Dalsochio (PT) e Andréia Nagel (PSDB) estiveram na manifestação e têm acompanhado os desdobramentos do caso, além vereador Vanderlei de Oliveira (PT), de Blumenau.
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