Os motoristas da Auto Viação do Vale, empresa que opera o transporte coletivo urbano de Gaspar, fizeram uma paralisação temporária no início da tarde desta quarta-feira, dia 17. Os ônibus pararam de circular às 12h35 e só voltaram a rodar às 13h45. Durante este período, que coincidiu com as linhas de funcionários do segundo turno das fábricas, os passageiros precisaram recorrer a caronas e, em alguns casos, não conseguiram chegar ao trabalho no horário. Segundo informações de funcionários, cerca de 150 pessoas chegaram a ficar aguardando a retomada dos itinerários no terminal.
O motivo da paralisação temporária é a negociação do reajuste salarial da categoria. Durante a paralisação, os motoristas estiveram reunidos com representantes do Sindicato dos Empregados das Empresas do Transporte Coletivo de Blumenau e Gaspar, Sindetranscol, para discutir uma possível permanência da paralisação do transporte coletivo e o reajuste salarial dos motoristas.
Segundo o diretor do Transporte Coletivo, Dirceu dos Passos, a Prefeitura não foi notificada desta paralisação e nem de possíveis novas interrupções no serviço. ?Sobre o reajuste, a categoria continuará as negociações com a Auto Viação do Vale. A preocupação do município é manter o serviço em funcionamento?, ressalta Passos.
Negociação
O gerente administrativo da Auto Viação do Vale, Bruno Nunes Correa, afirma que há duas semanas a empresa ofereceu à categoria uma proposta de 7% de reajuste salarial - 5,5% equivalentes ao INPC do período e um ganho real de 1,5% -, elevando o valor de R$ 1.776 para R$ 1.900. Além disso, propõe um aumento no vale-alimentação, que passaria de R$ 250 para R$ 300. Bruno alega que a proposta não foi aceita pela categoria e acredita que agora o caminho natural seja o dissídio, quando o reajuste é determinado pela Justiça. Atualmente 39 motoristas integram o quadro da empresa.
No entanto, o diretor de Finanças do Sindetranscol, Cleberson Thiesen, afirma que até agora o sindicato não recebeu nenhuma proposta oficial da empresa. As principais reivindicações da categoria são um reajuste de 8%, aumento no vale-refeição e criação de adicionais por tempo de serviço, o chamado anuênio, além de itens como o retorno dos cobradores para evitar dupla função dos motoristas. ?Tudo que foi conversado desde maio, que é a data-base da categoria, até agosto, na última reunião, foi insuficiente e sequer foi colocado no papel pela empresa. Como definimos na paralisação desta quarta, com apoio dos trabalhadores, não está descartada nenhuma possibilidade. Poderemos, sim, ter novas paralisações em horários diferentes se a negociação não avançar?, afirma.
Segundo o sindicato, duas mediações entre empresa e sindicato já foram marcadas para a próxima semana. Uma na terça-feira, dia 16, no Ministério Público do Trabalho, e outra na quinta, 18, no Ministério do Trabalho.