
Mudar os hábitos alimentares tornou-se algo cada vez mais comum para as pessoas que procuram qualidade de vida e uma rotina mais saudável. Estes foram alguns dos motivos que fizeram com que Luciane Silvia Martins Bailer, 42 anos, aderisse ao vegetarianismo. Desde muito nova, quando começou a ter e dar aulas de Yoga, a moradora da localidade Garuba, em Gaspar, iniciou uma mudança de pensamento, envolvendo principalmente a alimentação. ?Comecei aos poucos, mas desde 2006 não consumo nenhum tipo de carne e alguns outros alimentos de origem animal?, explica. Luciane é ovolactovegetariana, ou seja, não come carnes, mas consome ovos, leites e outros derivados.
Para deixar de lado os alimentos de origem animal e passar a consumir os de origem vegetal, a socióloga afirma que precisou ser radical no início e deixar de consumir totalmente qualquer tipo de carne. ?Para mim teve que ser oito ou oitenta. Não quis deixar de lado a carne vermelha e continuar consumindo peixe, por exemplo. Parei de vez e, mesmo com as tentações nos primeiros meses, o organismo logo se acostuma e você percebe que não precisa consumir alimentos de origem animal para ter uma vida saudável e prazerosa?, destaca.
Hoje, Luciane consegue obter todos os nutrientes necessários diariamente consumindo grãos, oleaginosas, frutas, verduras e ovos. ?Grãos como a soja, aveia, chia, entre outros, além de frutas e saladas, são alimentos que estão inseridos na minha rotina e da minha família e deixam nossa alimentação muito saborosa. As pessoas precisam aprender que não é a carne que vai te proporcionar uma alimentação gostosa e sim o modo como o alimento é preparado?, ressalta. Além da carne, o açúcar refinado e alguns alimentos com corantes, como a gelatina, passaram a ser evitados em sua dieta.
Em sua casa, onde moram também o marido e os dois filhos, um de 16 anos e outro de apenas um mês, o vegetarianismo é um estilo de vida e por isso nenhum tipo de carne é permitido. Mesmo assim, ela e o marido, que também é vegetariano, não proíbem o filho mais novo de comer alimentos de origem animal. Toda a alimentação de Luciane foi repassada por uma nutricionista e até hoje ela nunca teve nenhuma insuficiência ou falta de algum nutriente no corpo.
Muito além da alimentação
A busca por uma alimentação mais saudável não foi o principal motivo que fez com que Luciane se tornasse vegetariana. A violência aos animais e a todos os seres vivos foi um fator determinante para a mudança. ?Quando consumimos a carne, estamos colaborando com a violência?, expõe. Para ela, a mudança de hábitos alimentares prevista no vegetarianismo se estende também para a mudança de pensamento sobre os hábitos de consumo e a violência. ?É um jeito de viver e pensar que vai muito além da alimentação. É uma maneira de evitar o sofrimento dos animais, contribuir com o meio ambiente e com um mundo mais pacífico?.
Nutricionista mostra benefícios das dietas
O nutricionista Ageu Laureth Júnior destaca que uma dieta vegetariana orientada por um profissional qualificado é capaz de proporcionar diversos benefícios. Entre eles, a redução de colesterol, o risco 50% menor de diabetes, redução de pedras na vesícula e redução de diversos tipos de câncer, como próstata e intestino grosso. ?Lembrando que é necessário conhecimento para adotar uma dieta vegetariana e obter estes benefícios. Tem muito vegetariano que come proteína texturizada de soja em excesso pensando que está ingerindo proteína de boa qualidade, além de biscoitos, batata frita e refrigerantes, pensando que está promovendo uma boa saúde, só porque não come carne. É preciso ter cuidado com isto?, aponta.
Segundo o nutricionista, a maior dificuldade das pessoas para aderir a este estilo está na falta de conhecimento do que realmente um vegetariano deve comer. ?Ser vegetariano significar ter um regime alimentar baseado no consumo de alimentos de origem vegetal, excluindo todos os tipos de alimentos de origem animal. Logo, se alguém não está acostumado a ingerir alimentos de origem vegetal, não deve tornar-se vegetariano de repente?, explica. Por isso, Ageu sugere que os interessados em aderir ao vegetarianismo passem a consumir mais frutas e verduras e reduzam gradualmente os alimentos de origem animal, bem como os produtos industrializados. No cardápio de vegetarianos não devem faltar frutas e verduras, saladas cruas com folhas verdes, vegetais crus ou cozidos no vapor, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico), oleaginosas (castanha de caju e do pará, nozes, amendoim, sementes de linhaça, gergelim, chia e girassol), e cereais integrais como arroz, trigo, aveia e quinoa. ?Boas opções também são o suco verde e leite de vegetais. Também dê preferência para alimentos integrais?, recomenda. O especialista informa ainda que o único nutriente que não existe na dieta vegetariana é a vitamina B12, que deve ser suplementada sob orientação de nutricionista ou médico. ?Todos os demais nutrientes são ofertados na dieta vegetariana, desde que haja planejamento e variedade?, conclui.
Saiba mais
Dietas que envolvem o vegetarianismo
- Ovolactovegetariana: Não se come carnes, mas se consome ovos, leite e derivados. A maioria dos vegetarianos enquadra-se nesta dieta.
- Lactovegetarina: Não se come carnes e ovos, mas se consome leite e derivados.
- Ovovegetariana: Não se come carnes, leite e derivados, mas se consome ovos. São poucos os que utilizam esta dieta.
- Vegana: Não se come nenhum tipo de produtos de origem animal, incluindo o mel. Geralmente, os veganos não utilizam outros produtos que venham de animais, tais como couro, pele, seda etc.
Edição 1615
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