Mulheres vão até a Prefeitura em busca de auxílio-aluguel
Com duas crianças no colo, uma delas com pouco mais de vinte dias de vida, quatro mulheres integrantes das famílias que invadiram uma área comunitária no bairro Santa Terezinha no último final de semana chegaram à Prefeitura na manhã desta terça-feira, 17.
Depois de passar a noite na casa de vizinhos, as senhoras foram até a sede da Administração Pública em busca do cumprimento de uma das promessas recebidas durante a visita da equipe da Prefeitura no local onde estavam montados os barracos: o pagamento do aluguel por um período pré-determinado até que as famílias tivessem como se alojar novamente em uma residência.
Na Prefeitura, as mulheres foram recebidas pela equipe da Habitação e as que não estavam cadastradas para a fila de espera por uma moradia foram cadastradas e após foram encaminhadas à Assistência Social, que fica no prédio do Gascic.
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Prefeitura desmancha barracos construídos em área comunitária

Foram necessárias apenas algumas horas para que os pequenos barracos construídos por famílias que afirmam não ter onde morar fossem ao chão. Feitos com pedaços de lona e madeira, os casebres ganharam forma na madrugada deste sábado, 14, e no local estavam morando oito famílias e um total de 21 crianças.
No terreno, que fica na rua Jacob Junkes, bairro Santa Terezinha, deveria funcionar uma área comunitária, porém, há anos o local está abandonado. Vanderlei de Andrade, morador do bairro Santa Terezinha, apoiou a iniciativa dos invasores. ?Aqui só tinha mato, bicho e as vezes pessoas usando drogas. Se é para ficar assim é melhor que o local sirva para abrigar estas famílias. Preferimos ter estas pessoas aqui, que são pessoas de bem, do que deixar o local abandonado como estava. Eles dizem que é área comunitária mas nunca fazem nada aqui?, justifica o líder comunitário.
Arquimede Greske, um dos invasores, explica porque as famílias decidiram construir seus barracos no local. ?Nós sabemos que esta é uma área pública, mas todos nós moramos de aluguel e estamos há anos na fila de espera por habitação. Como ficamos sabendo que algumas pessoas da Marinha estavam planejando invadir este espaço, decidimos nos juntar e evitar que isso acontecesse?, conta Arquimede. O homem de 26 anos possui quatro filhos e há oito anos reside em Gaspar e afirma que desde 2003 espera por uma moradia prometida pelo Poder Público.
Assim como Arquimede, Elizeu Gonçalves, 28 anos, também garante que está na fila para receber uma moradia popular. O pai de família está há sete anos na cidade e afirma que morava de aluguel com a esposa e os três filhos e que havia recebido a ordem de despejo do proprietário. ?Como eu não tinha para onde ir, decidi construir aqui com eles?, conta.
Demolição
Informados de que invasores haviam construído em um terreno que deveria servir de área comunitária, representantes da Administração Pública chegaram em peso no local na tarde desta segunda-feira, 16, e com o apoio da Polícia Militar anunciaram que os barracos seriam demolidos.
A presença dos policial intimou os moradores, que não revidaram mediante as colocações feitas pelo procurador do município, Mário Mesquita. Mesquita tentou convencer os próprios moradores a retirarem suas coisas dos barracos, mas como ninguém se prontificou, funcionários da Secretaria de Obras fizeram a retirada e os poucos móveis que estavam dentro de cada barraco foram levados para a sede da Secretaria de Obras.
?A Administração Pública quer ajudar os cidadãos, mas precisamos agir dentro das conformidades da lei e uma área pública não pode servir de invasão popular?, explicou o procurador. Representantes da Secretaria de Assistência Social que estavam no local se prontificaram a levar as famílias de volta para suas cidades de origem, mas nenhum deles quis retornar, pois todos já estão na cidade há vários anos.
Segundo Mesquita, estar esperando por uma moradia não permite que as famílias invadam um terreno público.
Apesar da movimentação feita pela Administração Pública, até o fechamento desta edição as famílias invasoras permaneciam no local e afirmaram que passariam a noite ali, mesmo sem ter onde dormir.
Reportagem
A equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale estava no local entrevistando os moradores, para saber quais os motivos que levaram as famílias a invadir o terreno, no momento em que a equipe da Prefeitura chegou no local.
Assustados, os moradores não estavam entendendo o que acontecia e disseram que não deixariam o local, pois afirmaram não ter para onde ir.
Antes da chegada do Poder Público as famílias afirmavam que queriam apenas ter um local própria para residir e afirmaram que iriam pedir apoio da Prefeitura para instalar energia elétrica e água no local.





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