
Rafael Araujo de Freitas é terceiro sargento do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. Ele atua no estado desde 2009 e, antes disso, atuou como bombeiro no Rio Grande do Sul. Foi transferido para Gaspar em 2011 e, aqui, já atendeu diversas ocorrências. Porém, sempre que é interrogado sobre a mais marcante, ele lembra da manhã de 3 de setembro de 2011. Naquele dia, uma van escolar se envolveu em acidente com um caminhão e cinco pessoas morreram na BR-470, no trevo de acesso a Gaspar. O grupo de estudantes seguia para o Beto Carrero, em Penha, para um dia de diversão. Eles tinham entre 13 e 14 anos e eram alunos de Nova Erechim, no Oeste Catarinense. O acidente aconteceu quando um carro cortou a frente da van que, ao desviar, colidiu de frente com a carreta.
“Eu estava lavando a viatura quando, de repente, o Cabo Spengler [hoje subtenente aposentado] gritou: deu um acidente na entrada de Gaspar, vamos lá ver. O sargento Maba também estava junto e eu era o motorista da ambulância. Lembro que, quando estávamos chegando, já vimos de longe o acidente. Era um cenário de guerra no trevo: caminhão acidentado, van tombada, carros parados, um monte de gente andando para todos os lados. A primeira reação que tive foi pedir apoio à Central, dizendo que tinha um acidente grave, com muitas vítimas. Era um caos. Gente se arrastando no chão, pessoas desmaiadas na grama, crianças feridas. O bombeiro comunitário Melato também estava conosco e eu pedi para que ficasse junto comigo e me auxiliasse em tudo. Começamos os atendimentos fazendo uma triagem e encaminhando as pessoas em situação mais grave ao hospital. Quando colocamos as duas vítimas mais graves na ambulância, a outra equipe chegou e começou a ajudar. No hospital, avisei que viriam mais vítimas e partimos rumo ao quartel para pegar macas. Pegamos tudo o que tinha e voltamos para a ocorrência. Quando chegamos lá, a Polícia Rodoviária Federal e os bombeiros de Blumenau já haviam chegado e o cenário estava mais organizado. Foi um dia muito pesado e que vai ficar para sempre na minha memória”.
Depois deste acidente, o trevo de acesso a Gaspar pela BR-470 foi apelidado de ‘trevo da morte’.

Há 21 anos, Gaspar conta com o atendimento especializado do Corpo de Bombeiros Militar. Para marcar a data, uma solenidade foi realizada na noite de 26 de julho, na Câmara de Vereadores. A celebração contou com a presença de autoridades, alunos do Corpo de Bombeiros Comunitários e comunidade em geral.
No encontro, houve a entrega de medalhas e também abertura oficial da aula inaugural do Corpo de Bombeiros Comunitários. Além disso, o 2º sargento Volnei Camargo de Oliveira recebeu a réplica emoldurada do machado de arrombamento, sendo homenageado pela dedicação em sua trajetória como bombeiro por 19 anos.
Atualmente, o Corpo de Bombeiros de Gaspar é composto por 19 bombeiros militares e 43 comunitários. Entre eles estão especialistas em Busca e Resgate em Inundações e Enxurradas; Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas; Combate a Incêndio em Edificações Verticalizadas; Intervenção em Áreas Deslizadas; Mergulho; Perícia de Incêndio e Explosão; e Salvamento em Altura.
PRIMEIRO SOCORRO:
A primeira ocorrência foi atendida pelos bombeiros no dia 11 de junho de 2002, quando os profissionais foram acionados para atender um capotamento envolvendo um veículo do Conselho Tutelar de Gaspar. O fato aconteceu por volta das 19h, na rua Pedro Schmitt Junior, no bairro Poço Grande. Quem dirigia o carro era Maria Esonita Schmitt e a carona era Márcia Pereira. Ela foi atendida e encaminhada ao Hospital de Gaspar, onde permaneceu três dias internada.
COMANDO:
O primeiro comandante dos bombeiros em Gaspar foi Evandro de Mello do Amaral, que permaneceu no cargo até 9 de março de 2006. Em seu lugar assumiu Giovani Beber, que administrou os serviços da equipe por cerca de um mês. Depois, no período de 6 de abril de 2006 a 16 de abril de 2008, os bombeiros foram comandados por José Marildo Azevedo.
Alcione Amilton de Fragas esteve à frente do quartel até 19 de fevereiro de 2014, quando passou a responsabilidade à Rodolfo Silveira Rodrigues. Ele ficou no cargo por aproximadamente três anos. Em seguida, foi a vez de Jefferson Luiz Machado ficar à frente da equipe. Em seu lugar, após três anos, assumiu o comando Douglas Tomaz Machado.
Em 2020, Levi Garcia Ribeiro assumiu o gerenciamento da corporação e segue até os dias atuais. Filho de bombeiro militar, a paixão pelo exercício da função surgiu logo na infância e a decisão de seguir a profissão foi tomada na adolescência. Para ele, estar no Comando do Pelotão de Gaspar é uma honra. “Nosso efetivo carrega o legado de 21 anos de atuação e muitas experiências vivenciadas, com profissionais que se destacam por suas habilidades nas mais diversas áreas de atuação e que buscam se aprimorar cada vez mais. Buscamos fortalecer cada elo dessa corrente, fortalecendo nossa instituição a cada dia. Encontramos desafios no caminho, mas cada homem e mulher que compõe nossa tropa faz o seu melhor com os recursos que tem, e isso é motivador e nos inspira a todo momento”.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).