
Gil Vicente Pereira é terceiro sargento da Reserva Remunerada e continua trabalhando no Corpo de Bombeiros em Gaspar. Exerce a profissão há 27 anos, sendo que 15 foram dedicados à comunidade gasparense. Entre as ocorrências mais marcantes para Gil está a enchente que aconteceu em novembro de 2008, deixou a cidade isolada e resultou em 19 mortes.
“Eu morava em Itajaí e trabalhava em Gaspar. Fiquei uma semana sem poder ir pra casa, devido às situações climáticas e a necessidade de ajudar nas ocorrências. Nosso efetivo era pequeno e foi um evento que precisou de muito apoio. Nesta época, tivemos apoio de bombeiros comunitários e de profissionais de outras regiões. Mas uma tarde em específico ficou marcada em minha memória. Não lembro exatamente o dia, mas estávamos saindo para fazer buscas e retirar pessoas de dentro das casas ilhadas. Foi quando recebemos uma mensagem via rádio informando que o então soldado Volnei Camargo de Oliveira havia sido deslocado para coordenador a retirada de famílias da encosta do morro do Sertão Verde. Ele andava de casa em casa e, quando estava se aproximando de uma residência, o morro desabou e levou casa, família e o soldado também. A mensagem dava conta de que ele estava desaparecido, conforme relato de vizinhos.
Todas as equipes se deslocaram à margem esquerda do rio e começamos a fazer buscas. Andamos em um veículo emprestado do Samae e depois pegamos a bateira. Foi difícil demais lidar com a incerteza e eu só pensava em como iria dar esta notícia para a esposa e família. Ficamos tristes até chegar na cena, pensando no pior, sem saber como reagir diante da incerteza. Eu estava de motorista do caminhão e não tínhamos tantos equipamentos na época. A gente precisa estar preparado para tudo, mas jamais preparado estamos para resgatar um colega de trabalho ou familiar, essa é a verdade.
Quando eu estava remando há mais de cinco minutos, de repente, vi o Volnei em outra bateira, todo sujo de lama. Ele sobreviveu porque se agarrou em um poste. Foi emocionante demais este momento”.

Há 21 anos, Gaspar conta com o atendimento especializado do Corpo de Bombeiros Militar. Para marcar a data, uma solenidade foi realizada na noite de 26 de julho, na Câmara de Vereadores. A celebração contou com a presença de autoridades, alunos do Corpo de Bombeiros Comunitários e comunidade em geral.
No encontro, houve a entrega de medalhas e também abertura oficial da aula inaugural do Corpo de Bombeiros Comunitários. Além disso, o 2º sargento Volnei Camargo de Oliveira recebeu a réplica emoldurada do machado de arrombamento, sendo homenageado pela dedicação em sua trajetória como bombeiro por 19 anos.
Atualmente, o Corpo de Bombeiros de Gaspar é composto por 19 bombeiros militares e 43 comunitários. Entre eles estão especialistas em Busca e Resgate em Inundações e Enxurradas; Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas; Combate a Incêndio em Edificações Verticalizadas; Intervenção em Áreas Deslizadas; Mergulho; Perícia de Incêndio e Explosão; e Salvamento em Altura.
PRIMEIRO SOCORRO:
A primeira ocorrência foi atendida pelos bombeiros no dia 11 de junho de 2002, quando os profissionais foram acionados para atender um capotamento envolvendo um veículo do Conselho Tutelar de Gaspar. O fato aconteceu por volta das 19h, na rua Pedro Schmitt Junior, no bairro Poço Grande. Quem dirigia o carro era Maria Esonita Schmitt e a carona era Márcia Pereira. Ela foi atendida e encaminhada ao Hospital de Gaspar, onde permaneceu três dias internada.
COMANDO:
O primeiro comandante dos bombeiros em Gaspar foi Evandro de Mello do Amaral, que permaneceu no cargo até 9 de março de 2006. Em seu lugar assumiu Giovani Beber, que administrou os serviços da equipe por cerca de um mês. Depois, no período de 6 de abril de 2006 a 16 de abril de 2008, os bombeiros foram comandados por José Marildo Azevedo.
Alcione Amilton de Fragas esteve à frente do quartel até 19 de fevereiro de 2014, quando passou a responsabilidade à Rodolfo Silveira Rodrigues. Ele ficou no cargo por aproximadamente três anos. Em seguida, foi a vez de Jefferson Luiz Machado ficar à frente da equipe. Em seu lugar, após três anos, assumiu o comando Douglas Tomaz Machado.
Em 2020, Levi Garcia Ribeiro assumiu o gerenciamento da corporação e segue até os dias atuais. Filho de bombeiro militar, a paixão pelo exercício da função surgiu logo na infância e a decisão de seguir a profissão foi tomada na adolescência. Para ele, estar no Comando do Pelotão de Gaspar é uma honra. “Nosso efetivo carrega o legado de 21 anos de atuação e muitas experiências vivenciadas, com profissionais que se destacam por suas habilidades nas mais diversas áreas de atuação e que buscam se aprimorar cada vez mais. Buscamos fortalecer cada elo dessa corrente, fortalecendo nossa instituição a cada dia. Encontramos desafios no caminho, mas cada homem e mulher que compõe nossa tropa faz o seu melhor com os recursos que tem, e isso é motivador e nos inspira a todo momento”.
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