Na memória de quem presta o socorro: "Quando o vi, eu não sabia se chorava ou sorria e anunciei logo no rádio: ele está vivo!" - Jornal Cruzeiro do Vale

Na memória de quem presta o socorro: "Quando o vi, eu não sabia se chorava ou sorria e anunciei logo no rádio: ele está vivo!"

31/07/2023
Na memória de quem presta o socorro:

Gil Vicente Pereira é terceiro sargento da Reserva Remunerada e continua trabalhando no Corpo de Bombeiros em Gaspar. Exerce a profissão há 27 anos, sendo que 15 foram dedicados à comunidade gasparense. Entre as ocorrências mais marcantes para Gil está a enchente que aconteceu em novembro de 2008, deixou a cidade isolada e resultou em 19 mortes.

“Eu morava em Itajaí e trabalhava em Gaspar. Fiquei uma semana sem poder ir pra casa, devido às situações climáticas e a necessidade de ajudar nas ocorrências. Nosso efetivo era pequeno e foi um evento que precisou de muito apoio. Nesta época, tivemos apoio de bombeiros comunitários e de profissionais de outras regiões. Mas uma tarde em específico ficou marcada em minha memória. Não lembro exatamente o dia, mas estávamos saindo para fazer buscas e retirar pessoas de dentro das casas ilhadas. Foi quando recebemos uma mensagem via rádio informando que o então soldado Volnei Camargo de Oliveira havia sido deslocado para coordenador a retirada de famílias da encosta do morro do Sertão Verde. Ele andava de casa em casa e, quando estava se aproximando de uma residência, o morro desabou e levou casa, família e o soldado também. A mensagem dava conta de que ele estava desaparecido, conforme relato de vizinhos.

Todas as equipes se deslocaram à margem esquerda do rio e começamos a fazer buscas. Andamos em um veículo emprestado do Samae e depois pegamos a bateira. Foi difícil demais lidar com a incerteza e eu só pensava em como iria dar esta notícia para a esposa e família. Ficamos tristes até chegar na cena, pensando no pior, sem saber como reagir diante da incerteza. Eu estava de motorista do caminhão e não tínhamos tantos equipamentos na época. A gente precisa estar preparado para tudo, mas jamais preparado estamos para resgatar um colega de trabalho ou familiar, essa é a verdade.

Quando eu estava remando há mais de cinco minutos, de repente, vi o Volnei em outra bateira, todo sujo de lama. Ele sobreviveu porque se agarrou em um poste. Foi emocionante demais este momento”.




21 anos do Corpo de Bombeiros em Gaspar

Há 21 anos, Gaspar conta com o atendimento especializado do Corpo de Bombeiros Militar. Para marcar a data, uma solenidade foi realizada na noite de 26 de julho, na Câmara de Vereadores. A celebração contou com a presença de autoridades, alunos do Corpo de Bombeiros Comunitários e comunidade em geral.

No encontro, houve a entrega de medalhas e também abertura oficial da aula inaugural do Corpo de Bombeiros Comunitários. Além disso, o 2º sargento Volnei Camargo de Oliveira recebeu a réplica emoldurada do machado de arrombamento, sendo homenageado pela dedicação em sua trajetória como bombeiro por 19 anos.

Atualmente, o Corpo de Bombeiros de Gaspar é composto por 19 bombeiros militares e 43 comunitários. Entre eles estão especialistas em Busca e Resgate em Inundações e Enxurradas; Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas; Combate a Incêndio em Edificações Verticalizadas; Intervenção em Áreas Deslizadas; Mergulho; Perícia de Incêndio e Explosão; e Salvamento em Altura.

PRIMEIRO SOCORRO:

A primeira ocorrência foi atendida pelos bombeiros no dia 11 de junho de 2002, quando os profissionais foram acionados para atender um capotamento envolvendo um veículo do Conselho Tutelar de Gaspar. O fato aconteceu por volta das 19h, na rua Pedro Schmitt Junior, no bairro Poço Grande. Quem dirigia o carro era Maria Esonita Schmitt e a carona era Márcia Pereira. Ela foi atendida e encaminhada ao Hospital de Gaspar, onde permaneceu três dias internada.

COMANDO:

O primeiro comandante dos bombeiros em Gaspar foi Evandro de Mello do Amaral, que permaneceu no cargo até 9 de março de 2006. Em seu lugar assumiu Giovani Beber, que administrou os serviços da equipe por cerca de um mês. Depois, no período de 6 de abril de 2006 a 16 de abril de 2008, os bombeiros foram comandados por José Marildo Azevedo.

Alcione Amilton de Fragas esteve à frente do quartel até 19 de fevereiro de 2014, quando passou a responsabilidade à Rodolfo Silveira Rodrigues. Ele ficou no cargo por aproximadamente três anos. Em seguida, foi a vez de Jefferson Luiz Machado ficar à frente da equipe. Em seu lugar, após três anos, assumiu o comando Douglas Tomaz Machado.

Em 2020, Levi Garcia Ribeiro assumiu o gerenciamento da corporação e segue até os dias atuais. Filho de bombeiro militar, a paixão pelo exercício da função surgiu logo na infância e a decisão de seguir a profissão foi tomada na adolescência. Para ele, estar no Comando do Pelotão de Gaspar é uma honra. “Nosso efetivo carrega o legado de 21 anos de atuação e muitas experiências vivenciadas, com profissionais que se destacam por suas habilidades nas mais diversas áreas de atuação e que buscam se aprimorar cada vez mais. Buscamos fortalecer cada elo dessa corrente, fortalecendo nossa instituição a cada dia. Encontramos desafios no caminho, mas cada homem e mulher que compõe nossa tropa faz o seu melhor com os recursos que tem, e isso é motivador e nos inspira a todo momento”.

 

 

Edição 2115
 

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