O que foi feito pelos abrigos de cães de Gaspar? - Jornal Cruzeiro do Vale

O que foi feito pelos abrigos de cães de Gaspar?

16/10/2015
O que foi feito pelos abrigos de cães de Gaspar?

Em dezembro de 2014, uma decisão da 2ª Vara da Comarca de Gaspar determinou que a Prefeitura de Gaspar cadastrasse os animais acolhidos em abrigos informais da cidade, auxiliasse com ração, vacinas e fizesse visitas periódicas com técnicos da Vigilância Sanitária. Nesses 10 meses, a prefeitura realizou visitas que mapearam a existência de 347 animais em três abrigos informais e adquiriu via licitação 500 microchips de identificação para aplicar nos animais. Desse número, de 20% a 30% chegaram a ser implantados nos cães.

Principais demandas dos donos dos abrigos, a ajuda com ração e as castrações ainda não aconteceram. Duas propostas de editais de licitação foram enviados ao setor de compras da prefeitura há cerca de duas semanas e podem trazer avanços nesses dois assuntos. O primeiro prevê a aquisição mensal de ração para ajudar os abrigos na alimentação dos animais. A quantidade ainda não foi informada, mas não deve suprir toda a demanda atual. O contrato deve durar um ano, com possibilidade de prorrogação. A segunda licitação em elaboração visa a castração de fêmeas. Detalhes do serviço também não são confirmados, mas a meta seria fazer ao menos 100 castrações nos próximos meses.
Segundo o diretor da Vigilância em Saúde e responsável pela comissão que acompanha o tema, Luiz Carlos Venske, o serviço de castração foca nas fêmeas porque os machos dos abrigos já vêm sendo castrados desde julho por um médico-veterinário da prefeitura. Além disso, todos os animais de um dos três abrigos já estão castrados e não seriam atendidos pelo serviço. Após alcançar a esterilização de machos e fêmeas dos abrigos, a ideia é estender o programa de castração também para animais de famílias de baixa renda, com subsídio do poder público, e para a população em geral, que, no entanto, precisaria arcar com os custos.

Comissão e cartilhas

O assunto está sendo discutido por uma comissão formada em agosto com membros das secretarias de Saúde, Agricultura, Desenvolvimento Social, Educação e também das áreas de Meio Ambiente e Procuradoria. Além das duas possíveis licitações, das primeiras castrações de machos e dos cadastros com microchipagem, a comissão sugeriu ao Executivo a confecção de cartilhas com dicas sobre posse responsável, problemas que animais de ruas podem trazer e carteiras de saúde para quem decidir adotar cães. A ideia é distribuir as cartilhas a alunos das séries iniciais das escolas da cidade e em lojas e supermercados. No entanto, a sugestão da comissão agora precisa ser levada adiante pelo Executivo. “Gosto de frisar que em Gaspar não existem abrigos. O que existem são três cidadãos de boa vontade que auxiliam no cuidado desses animais. Acreditamos que, dentro das nossas possibilidades, com certeza o trabalho avançou bastante nesses 10 meses”, ressalta Venske.


Projeto de lei sobre tema está parado


Ainda no ano passado, a Prefeitura de Gaspar enviou à Câmara um projeto de controle e bem-estar da população animal no município. O texto previa a realização de mutirões de castração para cães dos abrigos e de famílias de baixa renda e outras ações que tinham como foco o controle da população animal e o bem-estar dos bichos. Um ano depois, o projeto está parado. Segundo a assessoria da Câmara, foram solicitadas informações adicionais à prefeitura e desde abril o projeto não passou das comissões. O relator do projeto é o vereador Hamilton Graf, PT.

Para o diretor de Vigilância em Saúde, Luiz Venske, a ideia da licitação para castração de fêmeas é oferecer um serviço contínuo em vez dos mutirões. “Muitas vezes, os mutirões geram muitas filas e provocam desgaste no profissional responsável. Ao fim do dia não temos como garantir a mesma qualidade do procedimento. Com a licitação, queremos garantir um serviço contínuo, com castrações semanais, que nos darão bons resultados em médio e longo prazo”, compara.

Saiba mais

O que foi feito
- Cadastro dos 347 cães em três abrigos informais
- Compra de 500 microchips e implantação de 20% a 30% deles nos animais
- Castrações da maior parte dos machos dos abrigos

O que está em andamento
- Um pedido de licitação para aquisição de rações, a reivindicação mais urgente dos voluntários
- Um pedido de licitação para castração de fêmeas
- Sugestão de cartilha sobre bem-estar animal para distribuição à comunidade

Planejamento necessário

Questionado sobre as queixas de moradores preocupados com o excesso de cães e gatos nas ruas da cidade, Venske afirma que a ação do município fica limitada pela falta de local para abrigar esses animais, uma vez que as propriedades dos voluntários já não comportam mais animais. “Muitas vezes se questiona por que o município não constrói um abrigo, mas isso requer um planejamento de longa data. Além disso, os recursos federais que existem são apenas para construção, e um abrigo requer toda uma estrutura de pessoal, equipamentos, medicamentos. Nós pensamos em fazer esse encaminhamento ao município, mas estamos trabalhando primeiramente para resolver a situação de imediato, os problemas dos voluntários. Enquanto não houver uma conscientização de saúde animal e um plano de políticas públicas para amparar todos esses animais, vai ser complicado”, avalia.

Animais de rua dificultam entregas

De acordo com a moradora do bairro Gaspar Mirim, Maria Cristina Baldo, da localidade da Cohab, devido ao número grande de cachorros soltos na rua os carteiros não estão entregando mais correspondência nas residências do local.

“Recebi um protocolo dos Correios afirmando que devido ao excesso de animais não há mais entrega. Procurei a Vigilância Sanitária e disseram-me que não há o que fazer, pois não há espaço nos abrigos para levar os animais. E como ficam as nossas entregas?”, questiona Maria Cristina Baldo.

 

Edição 1720

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.