
O retorno das aulas na rede municipal de ensino traz também a preocupação com a segurança de pais e crianças no entorno das unidades de ensino do município. Na semana passada, a Associação de Moradores da rua Pedro Simon e Adjacências, no bairro Margem Esquerda, solicitou a construção de uma lombada física e de uma faixa de pedestres na rua Antônio Zendron.
Um dos pontos de maior insegurança da via é justamente em frente ao Centro de Desenvolvimento Infantil, CDI, Vovó Lica, onde nos horários de saída da creche a falta de uma simples faixa e o abuso de velocidade de alguns motoristas aumenta o risco para pais e crianças.
Esta semana, a reportagem do Cruzeiro do Vale visitou parte das 15 unidades de ensino infantil do município. A constatação foi de que em oito delas, o equivalente a 53,3% do total, a situação é a mesma da Vovó Lica: não há nem faixa de pedestres, nem lombada física.
A existência de faixas em frente a estabelecimentos de ensino não é exigência da legislação de trânsito. Segundo a especialista em trânsito Márcia Pontes, o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito regulamenta as medidas e locais onde deve haver faixa de pedestres. “Cabe ao gestor de trânsito do município determinar onde há maior necessidade, mas o manual deixa claro que elas devem existir em lugares de maior caminhabilidade e grande circulação de pessoas. Não precisamos dizer que próximo a escolas e creches é absolutamente necessário”, avalia.
Lombadas são vistas com ressalva
Já sobre as lombadas, ou faixas elevadas, como também são chamadas no município, Márcia explica que há um critério maior para a implantação. Segundo resolução do Conselho Nacional de Trânsito, Contran, elas só podem existir em vias em que o limite de velocidade é de até 40 km/h. “Em todo o país existe um critério muito grande por parte dos gestores de trânsito para adotar a lombada como redutor de velocidade. Em muitos casos, colocar guarda de trânsito em frente a algumas escolas e envolver alunos, pais e professores em projetos que aumentem a conscientização sobre segurança no trânsito podem trazer melhores resultados. Crianças nem sempre percebem o perigo, são mais suscetíveis a riscos de atropelamento, por exemplo, então é preciso que haja envolvimento de todo mundo”, avalia.
Segundo o diretor de Trânsito, Dirceu dos Passos, o trabalho de repintura de faixas de pedestres foi feito ao longo do ano passado e deve ser retomado daqui a duas semanas pela equipe da Diretoria de Trânsito, Ditran. Os primeiros bairros a serem atendidos devem ser Bateias, Barracão e Bela Vista, que não tiveram as faixas concluídas no ano passado. “Vamos dar prioridade aos locais em frente às instituições de ensino”, assegura.
Dirceu afirma que nas vias de paralelepípedo, as faixas de pedestres apagam-se muito rápido, principalmente em trechos de alto fluxo. Em função disso, CDIs como Vovó Benta e Cachinhos de Ouro novamente estão sem faixa para travessia segura. Esses locais também devem receber novas faixas ao longo deste ano.
Em março de 2013, a reportagem do Cruzeiro do Vale percorreu as escolas municipais para conferir a situação das faixas de pedestres. Na ocasião, nove dos 15 educandários possuíam uma ou mais faixas em suas proximidades, enquanto as outras seis, situadas em ruas não pavimentadas, não possuíam. Em três das nove escolas que tinham faixa de pedestres as sinalizações estavam parcialmente apagadas e necessitando de manutenção.
Quase três anos depois, a grande maioria das escolas continua com faixas de pedestres próximo aos educandários. No entanto, muitas delas continuam apagadas, caso da escola Vitório Anacleto Cardoso, precisando de repintura para garantir maior segurança a quem faz a travessia no local.

Entre os CDIs que possuem faixa de pedestres, alguns, como o Fátima Regina, no Gasparinho, têm faixas bastante desgastadas pelo tempo, quase apagadas, que não garantem a segurança da travessia da mesma forma. A especialista em Trânsito Márcia Pontes alerta para a necessidade de que as tintas sejam termoplástica e antiderrapante. “Além de garantir mais durabilidade, elas ao permitir uma boa visualização e evitar que motociclistas escorreguem em dias de chuva. Quando a pintura é feita com uma tinta inferior, está se ferindo os princípios constitucionais da eficiência e da economia, já que logo o serviço precisará ser refeito”, destaca.
Em Gaspar, a Ditran informou que a tinta utilizada é “especial para demarcação de áreas e com microesferas para torná-las refletivas à noite”, mas não especificou se elas são termoplástica e antiderrapante.
Entre os CDIs que não possuem faixa de pedestres em frente aos estabelecimentos, alguns estão situados em rua não pavimentada, o que impossibilita a existência de faixa. Outros, como o Tia Maria Elisa, no Bela Vista, e o Thereza Beduschi, no Barracão, estão em vias transversais do bairro, que registram pouco movimento de carros. No caso do CDI do Bela Vista, porém, os pais que precisam atravessar a rua Adriano Kormann, a via principal do bairro, onde também estão o colégio estadual Arnoldo Agenor Zimmermann e o Instituto Federal de Santa Catarina, IFSC, precisam enfrentar uma faixa de pedestres já desgastada pelo tempo. A construção de uma lombada física é reivindicação antiga de estudantes e moradores, mas o pedido ainda não foi atendido. A Ditran promete repintar a faixa e estudar a implantação da lombada já nas próximas semanas.
Outra situação ocorre no CDI Ivan Carlos Debortoli Duarte, no bairro Santa Terezinha. A creche fica na rua Lauro Schneider, transversal de pouco movimento. No entanto, para chegar ao CDI muitos pais precisam passar com os filhos pela rodovia Ivo Silveira. “Uma rua à frente existe um trevo alemão em que os carros param, acredito que esse trevo deveria existir na entrada da rua da creche também”, sugere a mãe Gisele de Moura, 34 anos.
O diretor de trânsito afirma que no ano passado houve uma solicitação da Associação de Pais e Professores, APP, pedindo melhoria na sinalização vertical no local, o que foi realizado. No entanto, ele afirma que há uma faixa de pedestres em frente a um supermercado, alguns metros antes da rua da creche, e um túnel que passa sob a rodovia para quem se desloca da região do Bom Jesus. “Esses caminhos são os mais indicados para quem precisa trafegar pelo local”, orienta.
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