Agora é oficial: a Associação Gasparense de Amparo e Proteção dos Animais (Agapa), única ONG que atua na causa animal em Gaspar, está com as atividades totalmente suspensas. A paralisação chegou a ser anunciada no fim do ano passado, mas a entidade continuou atendendo casos de emergência. Nesta quinta-feira, dia 3 de março, porém, a Agapa emitiu um comunicado paralisando oficialmente todos os atendimentos de urgência e emergência a partir do dia 4 de março. Segundo o presidente da Agapa, Rafael Araujo de Freitas, órgãos como prefeitura, Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público serão notificados formalmente da decisão nos próximos dias.
Entenda o caso
A Agapa é uma ONG formada exclusivamente por voluntários e sobrevive de doações. Através de parcerias com clínicas veterinárias, a entidade concede descontos em consultas e procedimentos de animais cujo tutor comprova não ter condições de arcar com todas as despesas. Além disso, atua em campanhas de castração e conscientização e acompanha casos de maus tratos. “É triste, mas chegamos em um ponto que não é mais possível continuar. Por Lei, o poder público é o responsável pela causa animal. Em Gaspar, tentamos parcerias e conversas, mas não tivemos um retorno positivo. Infelizmente chegou o momento de paralisarmos totalmente”, diz a vice-presidente da ONG, Maria Alice Spengler.
Ainda segundo Maria, há informações de que a prefeitura de Gaspar está dando andamento à criação de uma diretoria que vai atuar exclusivamente na causa animal. Porém, conforme o presidente, a entidade não possui informações concretas sobre as frentes que esta pasta vai atuar. “Sabemos que um servidor já foi contratado no início do ano para atuar nesta nova pasta e nos colocamos à disposição para uma conversa de troca de ideias porque acreditamos que, juntos, a causa animal só tem a ganhar. Infelizmente, até o momento, essa parceria não foi possível”, lamenta.
Agapa vai manter lares temporários e projeto de castração
A paralisação das atividades da Agapa vai resultar no não atendimento de casos de urgência e emergência e também no cancelamento das ajudas com custeio total ou parcial de procedimentos veterinários. No momento, a entidade vai atuar apenas em duas frentes: na manutenção dos lares temporários ativos e em um projeto de castração que será realizado graças a uma verba vinda do Fórum. “Há alguns anos, a Agapa passou por uma situação parecida: quase encerrou as atividades por falta de voluntários e ajuda do poder público. Desta vez, nós temos voluntários. O que nos falta é incentivo público. Estamos paralisando sem saber se a Agapa vai voltar a atender”. Exemplos de atendimento de urgência e emergência: casos de maus tratos, abandono, animais feridos, animais abandonados nas ruas...
O que é um lar temporário?
É denominada ‘lar temporário’ a casa de uma pessoa da comunidade que se voluntaria a cuidar de um animal resgatado. Nestes casos, a Agapa ajuda com consulta, medicamento, ração e o que mais o voluntário necessitar para cuidar do cão ou gato até que ele seja adotado.
O que é o projeto de castração do Fórum?
A Agapa acaba de ser contemplada com um projeto do Conselho da Comunidade, através do Fórum de Gaspar. A entidade recebeu no final de fevereiro cerca de R$30 mil, que serão destinados exclusivamente à castração de cadelas que estão nos três abrigos de Gaspar.
No total, serão castradas cerca de 150 cadelas. Os procedimentos devem iniciar nos próximos dias. “Esta é uma forma de evitar a superpopulação de animais nas ruas. Talvez este seja o último projeto feito pela Agapa, já que estamos paralisando totalmente as atividades. Mas nossos voluntários encerram com a certeza de que se dedicaram ao máximo para fazer todo o possível, dentro dos recursos disponíveis, para ajudar os cães e gatos”, afirma Rafael.

Edição 2044