Os novos desafios de Frei Germano Guesser - Jornal Cruzeiro do Vale

Os novos desafios de Frei Germano Guesser

12/02/2016
Os novos desafios de Frei Germano Guesser

Após 12 anos de muita devoção e cumplicidade na Paróquia de Gaspar, o Frei Germano Guesser está de partida de Gaspar. No início do mês, ele foi convidado a assumir a Paróquia Santo Antônio do Pari, em São Paulo. Em seu lugar, o frei Paulijacson Pessôa de Moura vai assumir o comando da paróquia. Frei Germano vem se despedindo aos poucos, nas missas que celebra. Até o fim do mês a saída deve ser oficializada. Ele respondeu a algumas perguntas do Cruzeiro do Vale sobre o novo desafio e as lembranças que levará de Gaspar. Confira abaixo:

Cruzeiro do Vale: Quando o senhor foi informado que deixaria Gaspar? O que sentiu e como imagina que será o trabalho na nova paróquia?

Frei Germano Guesser: No final de janeiro, foi realizada na Província Franciscana da Imaculada Conceição o Capítulo Provincial, ou seja, a assembleia que tem por objetivo definir as linhas de ação e evangelização dos frades no próximo triênio. Essa assembleia elegeu um novo conselho, que discutiu a nova composição das fraternidades. No dia 3 de fevereiro, fui consultado para ser o guardião e pároco da Paróquia Santo Antônio do Pari, em São Paulo. Sabia que meu tempo aqui tinha chegado, mas o comunicado me pegou de surpresa. Fiquei assustado a princípio e quase não dormi naquela noite. Veja bem: vivi os últimos 12 anos numa realidade completamente diferente da que tenho pela frente. Vou estar numa cidade muito grande, um dos maiores centros comerciais da América Latina, inclusive muito conhecido pelos gasparenses e que tem a garagem da empresa Gadotti ao lado da nossa casa. A realidade de um grande centro tem uma dinâmica própria dentro do ritmo das pessoas e da cidade que não para nunca como São Paulo. Os fiéis nem sempre são os mesmos, por isso é preciso mais acolhida, mais atendimento. Normalmente são pessoas que estão a serviço no bairro do Pari e do Brás e aproveitam para rezar e pedir graças ao padroeiro. A devoção a Santo Antônio em São Paulo, especificamente no Pari, que é um bairro português, é muito forte! Hoje, na Grande São Paulo, a Festa do Padroeiro do Pari é a maior de todas. Costuma reunir 100 mil pessoas durante o dia de Santo Antônio. Na verdade, a paróquia não é de toda desconhecida para mim e talvez por isso me assuste mais, pois já morei ali durante três anos, quando pude cursar a Faculdade de Psicologia (1997 a 2000). De lá para cá, o bairro mudou bastante. Hoje, o Pari é um bairro totalmente comercial.
Atualmente, ao lado da paróquia está a sede do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), que administra e anima os projetos sociais no território da Província, como reciclagem, atendimento a moradores de rua, a refugiados, a soropositivos, a crianças em situação de vulnerabilidade social, a idosos etc.

CV: Já se sabe quem ficará no seu lugar? Como espera que o trabalho aqui seja conduzido?

Frei Germano: A única novidade na Paróquia de Gaspar é a vinda de Frei Lindolfo Jasper para compor com Frei Carlos e Frei Paulijacson a nova Fraternidade. Frei Carlos será o guardião e Frei Paulijacson será o novo pároco. Cada um tem seu estilo e sua maneira de viver o ministério sacerdotal na comunidade. Que eles possam trabalhar em sintonia com os conselhos e ser essa presença cristã que o Papa Francisco tanto insiste e pede aos sacerdotes, como eu, para que tenham o “cheiro das ovelhas”.

CV: Que lembranças levará daqui?

Frei Germano: Fui apresentado a esta paróquia no dia 21 de dezembro de 2003. Portanto, em 12 anos, estabeleci laços de carinho, amor e fraternidade. Fui acolhido com muito afeto. Uma característica marcante do povo gasparense é o de ser muito acolhedor. Posso afirmar que fui muito feliz aqui. Outra característica é o espírito festeiro do povo gasparense, talvez do povo catarinense, que com seus colaboradores e voluntários proporcionam grandes e bonitas festas.

CV: Qual a mensagem aos fiéis?

Frei Germano: Acho que neste momento só tenho palavras de agradecimento. Obrigado pela generosidade e pelo compromisso de fidelidade que mantiveram durante esses anos! Fizemos uma história bonita. Cresci muito aqui como cristão, franciscano, padre e ser humano. Peço perdão pelas minhas falhas, pelas minhas limitações. Sempre terei este povo no meu coração. Levarei daqui grandes lembranças. Podem sempre contar comigo e, desde já, se sintam convidados a me visitar.
Hermann Hesse (autor de ‘Sidharta’ e ‘O Lobo da Estepe’), escreveu este texto: “A cada chamado da vida, o coração deve estar pronto para a despedida e para novo começo, com ânimo e sem lamúrias, aberto sempre para novos compromissos. Dentro de cada começar mora um encanto que nos dá forças e nos ajuda a viver”. Paz e bem a todos!

 

 

Edição 1736

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