
Após dois dias de julgamento, Hildomar Alexandre Zabel foi condenado a 20 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato do pequeno Enzo Cybell Koppen, em novembro de 2019, em Gaspar. O júri popular que terminou com a condenação teve início às 9h de terça-feira, dia 31 de agosto, e foi encerrado na noite de quarta-feira, dia 1º de setembro.
Foram ouvidas 14 testemunhas e os jurados que compuseram o Conselho de Sentença decidiram pela condenação de Hildomar pela prática de homicídio duplamente qualificado.
Em relação a uma possível participação da mãe de Enzo no crime, os jurados decidiram por desclassificar a conduta imposta à mãe. “(...) a morte de um filho e a separação de outro é penalidade mais do que suficiente, razão pela qual deve ser-lhe concedido o perdão judicial (...)”, disse a juíza Griselda Rezende de Matos Munis Capellaro.
Este foi o primeiro Júri da Vara Criminal da Comarca de Gaspar realizado desde o início da pandemia.
Em 13 novembro de 2019, Hildomar Alexandre Zabel, com 23 anos na época, foi preso acusado de torturar a matar seu enteado, o pequeno Enzo Cybell Koppen, de três anos.
As suspeitas vieram à tona quatro dias antes do falecimento do menino, quando médicos e enfermeiros do Hospital de Gaspar se mobilizaram para atendê-lo com traumatismo craniano. Um fato chamou a atenção da equipe: a criança já havia dado entrada no hospital semanas antes com ferimentos em seus órgãos genitais.
Enzo chegou ao hospital desacordado. Ele estava gravemente ferido na cabeça. Devido à seriedade da situação, precisou ser transferido para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Lá, passou por cirurgia e não resistiu.
A morte do menino deixou as autoridades ainda mais em alerta. O então delegado de Gaspar, Raphael Ikawa Lanzeloti, pediu a prisão temporária de Hildomar e o pedido foi deferido com urgência pelo juiz. O padrasto foi preso pela Polícia Militar em uma residência no bairro Fidelis, em Blumenau.
Em entrevista ao Cruzeiro do Vale em 2019, a promotora Andreza Borinelli, então coordenadora administrativa da Comarca de Gaspar e responsável pelos crimes da Lei Maria da Penha, afirmou que o primeiro caso de tortura deve ter tido início cerca de três semanas antes, quando Enzo deu entrada no hospital com ferimentos nos órgãos genitais. “Apuramos que, naquela situação, o menino fez xixi na cama ou na calça e, provavelmente irritado, Hildomar apertou seus órgãos genitais. Acreditamos que ele colocou um travesseiro no rosto da criança para que o choro não fosse ouvido”.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).