
Com o tempo, a gente aprende que presentear alguém é muito mais uma questão sentimental do que material. É estar presente em qualquer circunstância. Demanda cuidado, exige a troca do mais sincero afeto e também anseia o bem do próximo. Nas andanças da vida, aprendemos ainda sobre a naturalidade com que esses mimos são entregues ao destinatário. Quando há amor, seja qual for a data comemorativa, o coração se aquece ao relembrar um momento marcante, ao assistir o sucesso de alguém ou até mesmo diante da sensação de ser bem-vindo.
Neste domingo, 12 de agosto, os brasileiros celebram o Dia dos Pais, data em que a compra e a entrega de presentes são ações comuns e tornam os momentos entre pais e filhos ainda mais especiais. Mas, mais do que isso, esta é uma data marcada pelo agradecimento aos valores repassados em cada lar. É quando as famílias, independentemente de suas configurações, reforçam a importância do respeito àqueles que estão sempre de braços abertos e dispostos a ajudar um filho.
Brullim Thiago da Silva, de 23 anos, aprendeu muito bem as virtudes ensinadas pelo pai, Mário César da Silva, de 45. O jovem, que teve a oportunidade de estudar e contou com todo o apoio familiar para realizar seus sonhos, agora retribui o estímulo que teve em casa com presentes que dinheiro algum pode comprar: o amor e o incentivo para que o pai voltasse a estudar. “Dá tempo, sempre dá. É possível construir um futuro mais aconchegante. Meu pai trabalhou e ainda trabalha tanto. Ele precisava cuidar um pouco mais de si e vislumbrar algo maior. Fiquei muito feliz que ele tenha ouvido meu conselho”.
As ações do filho refletem às do pai. Brullim conta que a relação com Mário é de admiração e orgulho. “Ele me levava e buscava na escola. Pedia que eu me esforçasse e valorizasse a escola, meus professores e o conteúdo passado em classe. Chegou a minha vez de fazer o mesmo. Faço questão de trazê-lo às aulas. Também converso a respeito das disciplinas e tudo mais. Eu sinto muito orgulho do meu pai”.
‘Quero proporcionar ao meu filho tudo o que não tive’. Esta frase sai com frequencia da boca de muitos pais e também se encaixa na realidade de Mário, que conta que, na infância, teve muitas dificuldades e, por isso, parou de ir à escola. “Antigamente, o acesso à educação era mais difícil. Comecei a trabalhar muito cedo e também me casei novo demais. Tudo isso fez com que os estudos ficassem para trás. O que não tive, desejei ao meu filho e me esforcei para que ele se tornasse um homem inteligente. Hoje, vejo que ele se tornou também o meu melhor amigo e maior incentivador”, diz o pai, emocionado. Graças ao apoio do filho, Mário voltou à sala de aula e, há dois anos, estuda na Educação de Jovens e Adultos de Gaspar, o EJA.
Natural de Curitiba, no Paraná, Mário veio para a cidade Coração do Vale ainda jovem e tem uma trajetória bonita, cheia de superação. Hoje, quem o vê estudando entende que, mais do que contas matemáticas e regras ortográficas, a humildade e sabedoria de uma pessoa vivida fazem dele um ser melhor. Quem comprova isso é a diretora do EJA, Marli Sontag. “O Mário é um exemplo a ser seguido. É respeitado pelos demais alunos, tem ótimas notas e ainda protege nossa escola. Vejo também que é um paizão para o Brullim”.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).