
A possível redução no número de oficinas culturais oferecidas nas escolas e Centros de Desenvolvimento Infantil, CDIs, de Gaspar, levou centenas de pais ao plenário da Câmara de Vereadores na noite dessa segunda-feira, dia 21. A audiência foi marcada por pais e professores da área cultural para cobrar informações da Secretaria Municipal de Educação e pressionar pela manutenção das oficinas nos educandários.
Na semana passada, os professores foram informados de que haveria cortes nas oficinas oferecidas nos CDIs e no contraturno das escolas e, em casos como a dança, as aulas correriam o risco de serem extintas. Na audiência dessa segunda, a secretaria informou que as oficinas não vão acabar, mas que poderão sofrer reduções no próximo ano. Uma comissão de seis pais foi formada e voltará a se reunir na próxima segunda-feira, dia 28, para continuar a discutir o assunto.
O professor Marco Aurélio Cruz e Souza, responsável pelo grupo de dança do Departamento de Cultura de Gaspar, mostrou-se satisfeito com a presença maciça de pais e espera que o trabalho nas escolas continue sendo realizado. ?A falta de diálogo em situações como essa foi um assunto abordado por muitos pais na reunião. Queremos que as oficinas continuem funcionando como está, para que esse trabalho possa render até mais resultados?, defende.
Atualmente, cerca de 30 professores são responsáveis por comandar oficinas de sete atividades - dança, teatro, fanfarra, coral, capoeira, violão e artesanato. Cada escola é responsável por escolher as atividades que serão oferecidas. Para 2016, a Secretaria de Educação admite que haverá uma ?reorganização? no formato das oficinas. No entanto, a definição de como ficará a situação para o próximo só deve ocorrer a partir da próxima semana.
Menos ACTs
Uma das mudanças deve ser a convocação de pelo menos quatro arte educadores aprovados em concurso público, o que deve resultar na diminuição no número de professores contratados em caráter temporário. Hoje, todos os professores das oficinas são ACTs. A carga horária de algumas atividades também deverá sofrer diminuição. Segundo a secretária de Educação, Marlene Almeida, as mudanças vão ser feitas para tentar aumentar a participação dos alunos nas oficinas oferecidas, porque, segundo ela, as oficinas de algumas escolas registrariam baixa adesão de alunos. ?Deixei claro na reunião que não vamos acabar com as oficinas, nem de dança, nem de teatro, nenhuma delas. O que faremos são alguns encaminhamentos para ampliar a participação dos alunos nessas oficinas?, reforça.
Regência de classe
Além da ameaça em torno das oficinas culturais em escolas e CDIs, outros assuntos de interesse de pais e professores foram abordados na audiência desta semana. Um deles é o fato de professores das oficinas de área cultural serem contratados no último concurso público não como professores, mas sim como arte educadores, apesar da exigência de licenciatura na área de atuação específica. Um dos efeitos dessa mudança é o fato de que os educadores não recebem regência de classe, além de outros benefícios previstos para o caso dos professores, embora também precisem planejar o trabalho das oficinas. ?O projeto de lei que criou os cargos de arte educadores não prevê pagamento de regência de classe.
Ele passou pelos vereadores, foi aprovado, e estamos cumprindo o que a lei determina. Eles (arte educadores) têm todo direito de reivindicar esse benefício, mas hoje, a lei atual só prevê a regência para professores de sala de aula?, reitera Marlene.
Edição: 1717
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