Poluição visual: Visão encoberta em Gaspar e Ilhota - Jornal Cruzeiro do Vale

Poluição visual: Visão encoberta em Gaspar e Ilhota

15/09/2014

Por Thiago Moraes

capaimg3178MD.jpgMorador do bairro Poço Grande, Ademir Antônio Medeiros circula pelo Centro da cidade diariamente. O profissional de gastronomia já percebeu a necessidade de um ambiente mais ?limpo? na região central, com menos invasão de propagandas. ?Percebemos a poluição visual não somente nesta época de campanha eleitoral, mas também nos demais períodos. Vejo como necessária a publicidade, mas com o acúmulo de placas fica complicado?, critica.

Para Carlos Roberto, morador do bairro Figueira, o excesso de placas em pontos de grande movimentação da cidade atrapalha e até encobre as sinalizações de trânsito. ?É normal encontrarmos outdoors espalhados pela cidade, não sou contrário. O anormal é o excesso, ainda mais quando incomoda os motoristas no trânsito, dificultando e encobrindo a sinalização?, alerta Carlos, que trabalha com tecelagem e costuma utilizar o carro no dia a dia.

Legislação

fotopg9abre1colorMD.jpgPoucos talvez saibam, mas Gaspar já possui uma lei para combater a chamada poluição visual. No entanto, a norma está passando por revisões e promete ter um rigor maior nas exigências e critérios que precisarão ser cumpridos. ?O atual código de conduta na questão de publicação visual é curto, pois ainda não temos um limite de espaço para a fixação das placas nos terrenos particulares. Em espaços públicos não é permitida a realização deste tipo de propaganda?, observa o diretor do Departamento de Fiscalização, Emerson Barth. De acordo com ele, o novo Plano Diretor de Gaspar, ainda não aprovado, deverá estabelecer novos critérios aos interessados em anúncios, como a obrigatoriedade de um muro cercado e de um escoamento de água, além do número do alvará, que deverá ser impresso na placa publicitária, facilitando a ação dos fiscais. ?O novo Plano Diretor delimitará em 75% de ocupação máxima o espaço para publicidade nos terrenos particulares. Em nossas fiscalizações, percebemos um excesso de placas na rua São José, no Centro, e no bairro Figueira, por exemplo?, menciona Emerson. Pela lei atual, a exploração de publicidade nas vias públicas depende da licença da prefeitura, sujeitando o dono do terreno ao pagamento de taxa, que varia conforme a metragem solicitada. ?O dono pede a autorização e paga a taxa do alvará anual por unidade de publicidade solicitada. O tamanho padrão custa em média R$ 200, conforme a metragem em questão?, informa a diretora do Departamento de Tributação, Fernanda Horst Colsani.

Na lei atual e futura são enquadrados como comunicação visual cartazes, letreiros, programas, quadros, painéis, emblemas, placas, avisos, anúncios e mostruários luminosos fixados e pintados em paredes, muros, tapumes, veículos e calçadas.

Especialistas apontam soluções

Mestre em Ciências da Linguagem e doutorando em Engenharia da Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, o professor de Publicidade e Propaganda da Univali de Florianópolis, Alvaro Dias, analisa que por mais que se tenha uma organização quanto à comunicação visual, não há como a inclusão de um elemento estranho ao ambiente não causar impacto visual. ?A poluição acontece porque existe um elemento extra, não esperado naquele local. Uma maneira de se organizar é determinando espaços específicos para a colocação dessas placas de forma que as pessoas não estranhem a presença da propaganda?, analisa. 

Para Alvaro Dias, neste caso a propaganda pode não ficar bonita, mas também não fica estranha aos olhos das pessoas. De acordo com o professor, a remoção ou proibição não funciona, pois o mercado publicitário acaba encontrando alternativas. ?É melhor controlar do que proibir, como aconteceu em São Paulo, onde o controle serviu de referência para a diminuição de inúmeras placas em um mesmo espaço. O que deve prevalecer é o bom senso, o direito de as pessoas manifestarem o seu produto de forma visual?, sugere.

Diogo Scandolara, professor de Novas Tecnologias no curso de Publicidade e Propaganda e Marketing da Furb, de Blumenau, opina que quanto menos poluído visualmente for um determinado espaço, melhor será para o anunciante e para o consumidor. ?Há uma saturação de mídia. A regulação é importante para não saturar de placas as áreas na cidade. De fato é necessário estabelecer controle e critérios, mas ressalto que os profissionais de publicidade vão e devem encontrar novas fórmulas de comunicação, em especial com artes cada vez mais tecnológicas e sofisticadas?, aborda Diogo.      


Edição 1622

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Comentários

Aberesio
15/09/2014 11:20
As placas de Ilhota são o que há de mais bonito no caminho, é um colírio, mas os candidatos abusam e Gaspar não só as placas que atrapalham a visão: sujeira nos acostamentos e calçadas, asfalto esburacado. É um todo.

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