Os gasparenses parecem não ter mesmo sorte com pontes. Não bastasse a ponte Hercílio Deeke estar ameaçando desabar, no último domingo, 2, por volta das 4h da manhã, a ponte da rua Vidal Flávio Dias, bairro Belchior Baixo, veio ao chão. A passagem, feita de concreto, faz a ligação entre as ruas Silvano Cândido da Silva e Vidal Flávio Dias, conectando, assim, Blumenau à BR-470, em Gaspar.
Além de complicar o caminho de quem transita próximo àquela área, a queda da ponte influenciará no fluxo de carros e caminhões em Blumenau e Gaspar. A rota era usada como alternativa por caminhões que não podem mais passar pela ponte Hercílio Deeke, por isso muitos podem voltar a tentar passar pela principal ponte da cidade ou então pelo centro de Blumenau.
Insatisfação seria pouco para expressar como os moradores da região se sentem. ?Ficamos quase isolados aqui. Muita gente de outros municípios, como Brusque, que vem aqui provar roupas, têm que fazer um caminho mais longo e passar por Blumenau?, reclama Erotides Maria Mitterstein Cardoso. Ela, que mora no bairro há cerca de 50 anos, conta que sempre houve descaso com aquela área.
Lucelene Aparecida Coradini, que trabalha na rua da ponte que ruiu, conta que depois que foi proibida a passagem de caminhões na ponte do centro da cidade, a via virou pista de corrida. De acordo com ela, os veículos passam em alta velocidade e são muito pesados, até mesmo caminhões-cegonha utilizavam a rota e por isso a ponte veio abaixo.
O prefeito do município, Celso Zuchi, declarou que o que deve ser feito, antes de tudo, é um desvio, para que os veículos tenham uma alternativa e para poderem se deslocar pela região. Então engenheiros irão analisar a ponte e definir o que é possível ser feito. Preocupados com a possibilidade de ter que passar por um desvio, os moradores lembram às autoridades que o desvio precisa ser forte o suficiente para sustentar o grande tráfego de caminhões, uma vez que há um grande número de empresas na área e muitas delas utilizam este meio para transportar suas mercadorias, além dos veículos que não podem passar pela ponte Hercílio Deeke.
?Nós até conseguimos aguentar esta situação por alguns dias, o problema é que para se construir uma nova ponte leva meses? indigna-se Lucelene.
A população espera uma ação imediata por parte das autoridades para que possa voltar a contar com este caminho e assim acabar com as dificuldades criadas pela queda da ponte.
Buraco se formou na ponte
As fortes chuvas da semana passada prejudicaram parte da estrutura da ponte, que abriu uma cratera bem no meio da pista. As obras de reparo foram executadas pela equipe da Secretaria de Obras na terça-feira, 27, mas não foram suficientes para impedir que a ponte, já com sua estrutura debilitada, viesse abaixo.
De quem é a responsabilidade?
Os habitantes da região do Belchior Baixo, cerca de 1500 pessoas, esperam há um longo tempo pelo asfaltamento da rua Vidal Flávio Dias, e desde domingo, eles passaram a esperar também por uma nova ponte. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Gaspar, este trecho pertence, na verdade, ao Governo do Estado.
Em 2003, quando foi decidido que a estrada receberia asfalto, o espaço foi dividido. Uma parte seria asfaltada pelo município de Gaspar, outra por Blumenau e por fim, um trecho ficaria por conta do Estado. Este trecho é justamente aquele que abrange a ponte e a citada rua e foi repassado ao Estado através de um decreto.
Na tragédia de 2008, a ponte sofreu com danos causados pelas águas. Neste ano, ela apresentava problemas desde as chuvas da semana passada, quando as águas criaram um buraco no meio de sua pista. Segundo o secretário de Obras, Soly Waltrick Antunes Filho, foram realizados reparos na ponte do sentido da Capela Santa Catarina na terça-feira da semana passada, 27. As obras, no entanto, não foram o suficiente para manter a ponte em pé. As causas da ponte não ter aguentado ainda não estão confirmadas. ?Seria preciso realizar um laudo técnico para precisar exatamente as causas da queda. A sobrecarga da última catástrofe de 2008, as últimas chuvas e também de veículos pesados interferiram na estrutura da ponte? declara o secretário.
Ainda não foram tomadas medidas para que o conserto seja executado. Por causa da complexidade dos fatos, o secretário de Obras espera a resposta do Secretário Regional de Desenvolvimento, Raimundo Mette, quanto à competência de quem executará o conserto da ponte.

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