Muros sujos e com pintura mal-acabada, falta de azulejos nas paredes e excesso de ferrugem nas cercas. No banheiro masculino, os canos do mictório estão entupidos há meses. Já no sanitário feminino, o balcão é calçado com uma tábua. Sujeira e condições precárias servem de entrada aos visitantes e moradores da cidade que desembarcam na rodoviária de Gaspar.
Apesar de a falta de estrutura ser um dos pontos levantados pelos usuários, a principal reivindicação é a instalação de uma nova lanchonete. Fechada desde dezembro de 2017, o estabelecimento, administrado por pelo menos 13 anos pela Apae, segue do mesmo jeito por falta de licitação. “Estamos sem lugar para lanchar. Não dá pra comprar uma água, salgadinhos, pastel, café ou qualquer outro alimento. A prefeitura diz que vai abrir licitação, mas já passou um ano e nada”, diz um motorista, que prefere não se identificar.
Ele conta que, na semana passada, a vigilância proibiu vendedores ambulantes de atuarem no local. “Correram com um casal que fazia a venda de produtos sem alvará. Mas essa era a única chance da população comprar algum item de emergência dentro do terminal. Me preocupo quando as aulas retornarem e o fluxo de crianças e adolescentes for maior”.
A situação também chama a atenção de pessoas de outras cidades. Elisabeth Schoerder, moradora de Barra Velha, vem à Gaspar de tempos em tempos para visitar familiares. “De fato, há alguns problemas na rodoviária. Percebo que alguns bancos estão debilitados. Mas, de resto, acredito que seja mais uma questão de estética. Para quem é de Gaspar, que usa o serviço com mais frequência, com certeza há outras barreiras que devem dificultar a utilização do local”, opina.
Em março de 2018, o Cruzeiro do Vale noticiou os mesmos descasos. Na época, o vice-prefeito de Gaspar, Luis Carlos Spengler Filhos, afirmou que “estamos vendo, dentro da legalidade, se há alguém interessado em utilizar o local. Estudamos a possibilidade de uma nova concessão”.
Hoje, todos os assuntos que dizem respeito ao terminal urbano são resolvidos com a Ditran. Responsável pela pasta, Luciano Brandt diz estar ciente dos problemas. “O espaço não atende os usuários da forma que eles merecem. Desde de sua inauguração, não recebeu uma reforma condizente com a necessidade. Estamos avaliando a situação do terminal e estudando toda parte estrutural, comodidade e acessibilidade para que tenhamos um orçamento dos custos. Quanto a lanchonete, o termo de referência está pronto para lançar o edital”.
Ainda não há orçamentos e prazos para que a situação seja revolvida.
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