As pequenas casas erguidas com material em PVC e que serão entregues às famílias que perderam suas casas na tragédia de novembro de 2008 foram retiradas do terreno às margens da BR-470, local onde começaram a ser construídas na semana passada. A ausência das construções chamou a atenção de pessoas da comunidade que passaram pelo local no início desta semana.
A secretária de Planejamento e Desenvolvimento, Patrícia Scheidt, explicou, através da assessoria de imprensa da Prefeitura, que as casas foram retiradas para que possa ser feita mais uma sondagem no solo, que nos últimos dias estava arenoso. A expectativa é de que esta nova sondagem seja feita ainda esta semana. Os estudos serão realizados através de uma parceria entre a Prefeitura e a empresa responsável pela construção das moradias.
Ao todo, 29 fundações foram preparadas para receber as moradias e permanecem no local à espera dos resultados dos novos estudos do solo. As casas que já haviam sido erguidas foram desmanchadas e segundo o diretor de Habitação, Heriberto Kuntz, foram entregues à empresa responsável pela construção, que também executa serviços em outras cidades da região. ?A empresa que constrói as casas está trabalhando em várias cidades e no momento esta empresa deve continuar o trabalho nestes locais, e cabe a ela divulgar o seu cronograma de atividades?, afirmou o diretor através da assessoria de imprensa.
Apesar da paralisação nas construções, a secretária Patrícia Scheidt afirma que, inicialmente, a previsão é de que os trabalhos sejam retomados até o dia 20 de setembro. ?Ainda assim, não haverá nenhum problema para os contemplados com as casas e com o terreno. A melhor situação será estudada e aprovada para que estas pessoas tenham suas moradias com segurança e tranqüilidade?, garante.
As moradias
O terreno onde estão sendo erguidas as moradias foi adquirido pela Prefeitura através de recursos repassados pela Defesa Civil do estado, que durante a catástrofe de 2008 recebeu doações em dinheiro de empresas e pessoas da comunidade. Ao todo, 89 casas em PVC, com 36 metros quadrados, todas doadas pelo reino da Arábia Saudita, estão sendo erguidas no local.
As obras de construção das moradias iniciaram há algumas semanas. Além do terreno na Margem esquerda, outras 59 casas estão sendo erguidas, estas de madeira, em um terreno, também adquirido com recursos da Defesa Civil do Estado, na localidade do Gaspar Mirim.
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Casas para desabrigados da tragédia são retiradas da Margem Esquerda

Um fato chamou a atenção da comunidade que reside na Margem Esquerda e passou em frente ao terreno às margens da BR-470, onde a Prefeitura está construindo 89 casas para abrigar as famílias que perderam a moradia na tragédia de novembro de 2008. As casas, que começaram a ser erguidas na semana passada, foram retiradas do local.
Até o momento a Prefeitura não fez nenhum comunicado sobre os motivos que levaram à retirada das moradias. A secretária de Planejamento, Patrícia Scheidt, foi questionada pela equipe da Rádio Sentinela do Vale e explicou que seriam por problemas de infraestrutura do solo.
A equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro está em busca de mais informações, e explicações concretas, sobre os motivos que levaram a Prefeitura a retirar as casas do local, onde estão as casas, que foram uma doação do reino da Arábia Saudita, e quando elas voltarão a ser erguidas.
Enquanto as respostas são levantadas, publicamos abaixo um comentário do articulista político, Herculano Domício, que está no Blog www.olhandoamaré.com
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As casinhas de plástico sumiram de Gaspar
Por Herculano Domício
Contando, ninguém acredita. Pobres e desabrigados sofrem nas mãos dos políticos, ainda mais em época de eleições. Vocês não imaginam. Mas, que aquele estardalhaço todo para anunciar a construção de 89 casas de plásticos, doadas pela Arábia Saudita pode dar em nada. Por que? Porque elas desapareceram de uma hora para a outra daquele terrenão que foi aterrado e ?aplainado? lá na Margem Esquerda.
Factóide. Propaganda feita às vésperas de eleições, depois de quase dois anos de espera (as pessoas perderam as casas na catástrofe ambiental de Novembro de 2008). Questionada pelo comunicador Júlio Carlos Schramm, da Rádio Sentinela do Vale, para explicar o que havia acontecido, a secretária de Planejamento e Desenvolvimento de Gaspar, Patrícia Scheitt, falou, falou, falou, gaguejou e não disse nada.
O Diretor de Habitação, Heriberto Geraldo Kuntz que vivia trombeteando a construção da vila, de uma hora para a outra, ficou mudo. Sumiu. Press releases, nenhum.
Estas Segunda e Terças Feiras foram dias de angústias atrás dos verdadeiros motivos que paralisaram a montagem daquelas casas pequeninhas de (36m2) cada uma e diferentes do que a gente está acostumado a ver por aqui. Antes era uma ameaça de show na rapidez para erguer a vilazinha. Seria da dia para a noite.
Rápido como um sonho. Foguetórios. Entretanto, a realidade foi mais dura. E se instalou um vazio, um pesadelo (para as famílias e os políticos, também).
De concreto? Nada. Tudo camuflado. É assim que acontece quando o espetáculo dá errado na prefeitura de Gaspar. Técnicos que eu consultei, inclusive de dentro da prefeitura e que pediram para ?pelo amor de Deus? não serem identificados, afirmam que o problema está no solo. É isso, mesmo. Descobriram que ele é impróprio para erguer as tais casas. Aterraram sobre algo que não foi drenado, preparado e compactado.
Pediram um atestado de compactação de solo. Ninguém da prefeitura quis dar. E ai quem fabrica as casas e quem as doou, por seus engenheiros contratados vetou. Não quer passar recibo de montar e doar algo que vai ser criticado tão logo os moradores ocupem as casinhas.
É que este tipo de casa é montado sobre uma base chamada de Radie. E ela precisa estar sobre um solo comprovadamente estabilizado, compactado, duro. Caso contrário, com o solo instável, em adensamento e se movimentando, as placas se deslocam dos seus encaixes (paredes e divisórias), forçam e rompem as travas, podendo facilmente desabar e provocar um desastre para os moradores.
No site da prefeitura também nenhuma informação. Só as eufóricas que anunciavam o feito como ?11/06/2010 ? Embaixador da Arábia Saudita no Brasil Visita Gaspar?, ?30/07/2010 ? Gaspar inicia construção de mais 89 casas na próxima semana?, ?16/08/2010 ? ?Casas para desabrigados de Gaspar começam a ser construídas no Margem Esquerda?
Sobre o fato novo (o sumiço das casinhas), que é um dado relevante para a sociedade gasparense e deveria fazer parte da transparência do poder público para com os seus munícipes, nada até agora. É que a notícia depõe e pode atrapalhar a máquina de votos nesta época em reta de cabala de votos, ai, então, um providencial silêncio só. Dizem que as casas foram então parar em Ilhota. Ou seja, mais uma vez, Ilhota, vai fazendo a parte dela, quietinha e se saindo melhor do que Gaspar. Tem sido assim há dois anos na recuperação dos estragos da catástrofe ambiental.
Hoje haverá uma nova rodada de reuniões sobre o assunto. Gaspar ainda pode salvar 29 das 89 casas. É de deixar qualquer um de queixo caído.
Este episódio coroa uma sucessão de erros. Pau que nasce torto, só pode morrer mais torto. Começa pelo terreno que escolheram. Não se transmitiu a propriedade até agora depois de um ano de rolo. Há uma discussão na Justiça sobre o preço dele. Então, estão fazendo algo sob o improviso da imissão de posse. Depois foram mexer no terreno para ?drená-lo? na parte que parecia um pântano. Quase causaram um acidente daqueles como relatei no artigo ? Empreiteira da prefeitura causa danos no gasoduto?, em 26.05.2010.
Outros detalhes eu relatei em mais dois artigos que prenunciavam este final atabalhoado: ?A prefeitura se mexeu e construirá as casas aos desabrigados?, em 28.05.2010 e ?Um lote para cada casa de 36m2 custará mais de R$50 mil?, em 20.08.2010.
Mas, por derradeiro. O que aconteceu com as casinhas? O Dinheiro veio da Defesa Civil Estadual, o dinheiro para a terraplanagem e a infra-estrutura (que ainda não foi implantada) veio do governo Federal, o projeto da vila modelo e sustentável, a Bunge doou; a construção da escola Angélica Costa no local (e que estava no Sertão Verde) a Bunge vai pagar; as casas tinham sido doadas pela Arábia Saudita. A prefeitura só precisou entrar com a orientação fazer certo a preparação do terreno para a construção das casas, e nem isso conseguiu? Tanto que não conseguiu que não quer ou nãopode dar o tal estudo de compactação dosolo para os que querem construir as casas. Acorda, Gaspar.


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