Prevenção: Morte após meningite causa drama familiar - Jornal Cruzeiro do Vale

Prevenção: Morte após meningite causa drama familiar

19/09/2014

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Desde a última semana, os dias do casal Celso de França, 35 anos, e Marijane Soares de França, 29 anos, são marcados pela tristeza e dor. No dia 9 de setembro, eles perderam seu filho caçula, Celton Soares de França, 12 anos. O diagnóstico do garoto, que morava no bairro Belchior Central, veio poucas horas após a morte: ele estava com meningite. A morte prematura causada pela doença deixou a família e a comunidade em alerta. No entanto, a Secretaria de Saúde de Gaspar afirma que existem diversos tipos de meningite e a contraída por Celton não é transmitida de pessoa para pessoa.

O garoto de 12 anos vinha sentindo dores fortes de cabeça e pontadas de gripe há algumas semanas. ?Ele sempre foi um menino saudável, então pensamos que não era nada grave. Mesmo assim, cheguei a levar meu filho ao posto de saúde, mas o médico disse que ele tinha que descansar e não era necessário tomar remédio?, explica Marijane, que veio do Belém do Pará para o bairro Belchior com a família há três anos. As dores de cabeça iam e voltavam com frequência, até que na segunda-feira, dia 8, ele chegou da escola ao meio-dia com muita febre e dor de cabeça.

fotopg12abremenorcolorMD.jpgOs pais deram um remédio e Celton melhorou, porém, por volta das 22h, o menino começou a sentir dores intensas na coluna. ?Ele começou a gritar muito e a falar que estava com muita dor de cabeça. Ele também começou a sofrer convulsões. Corremos para o Hospital de Gaspar e quando chegamos lá, meu filho já não estava mais consciente, apenas gritava de dor?, relembra Celso.

Eles foram atendidos, mas o garoto não chegou a ser medicado. A família ficou na sala de observação até que a ambulância chegasse para conduzir Celton ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, por volta das 3h30 da madrugada de terça-feira, 9, onde ele seria examinado.

 No hospital, ele foi medicado e passou por exames de sangue e urina. Entretanto, Celton não resistiu e morreu às 7h30. ?Tudo aconteceu muito rápido. Só ficamos sabendo que ele havia contraído meningite depois de ter morrido. Ninguém da família nunca teve essa doença e eu nem saberia dizer como ele pegou. É metade da nossa vida que foi embora?, enfatiza a mãe do garoto.

Alerta

Por Celton estudar na Escola de Educação Básica Belchior, localizada no Belchior Central, e ter contato direto com diversos alunos diariamente, pais e a comunidade ficaram em alerta após o caso, principalmente por esta ser a terceira vez que um estudante do educandário contrai a doença. Devido a isso, uma equipe da Secretaria de Saúde de Gaspar foi informada sobre o assunto e esteve no local para conversar com a comunidade escolar. ?Os profissionais estiveram aqui e avisaram que não há necessidade de fazer uma imunização na escola, pois esse tipo de meningite foi causada por uma bactéria que estava no corpo do garoto. Além disso, este caso não pode ter ligação com os outros porque aconteceu em um intervalo de um ano e três meses. Para ter ligação o intervalo deve ser de 90 dias?, ressalta a diretora da escola, Giana da Costa. Mesmo assim alguns pais e moradores do bairro fizeram um abaixo-assinado que já foi entregue à Secretaria de Desenvolvimento Regional, SDR, de Blumenau, solicitando algumas doses de vacina contra a meningite para os alunos. O fator principal de prevenção da doença é a boa higiene pessoal e de ambientes.


Doença não é contagiosa, diz médico

De acordo com o médico infectologista da Secretaria de Saúde, Ricardo Freitas, Celton morreu em decorrência de uma meningite pneumocócica, que não é contagiosa. Segundo o especialista, a bactéria pneumococo pode ser encontrada na cavidade oral de diversas pessoas e, dependendo da defesa imunológica de cada um, ela pode causar algumas doenças, inclusive a meningite. ?Algo deve ter acontecido para baixar a imunidade deste menino, ou ele também pode ter sofrido um trauma muito forte que fez a bactéria se manifestar?, explica. Ainda conforme Ricardo, o prognóstico da meningite pode ser considerado difícil, já que é uma doença com a evolução muito rápida. 

Hoje no município existem vacinas que previnem contra certos tipos de meningite, porém, como há diversos tipos, a vacina pode não ser 100% eficaz. Conforme a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Angelita Wisbeck, a Secretaria oferece as vacinas contra: Haemophilus Influenzae Tipo B, Meningite por Tuberculose, Meningite Tipo C (considerada a mais grave) e Meningite Pneumocócica. As vacinas são aplicadas em crianças de até dois anos de idade. Acima desta idade, apenas para quem tem certos problemas de saúde. ?Hoje, conseguimos prevenir contra alguns tipos de meningite, sendo que existem muitos outros. É uma doença que pode ser provocada pelos mais diversos tipos de agentes?, informa. Desde o início deste ano até o dia 15 de setembro, Gaspar já registrou oito casos de meningite. Dessas oito pessoas, cinco contraíram meningite bacteriana, duas contraíram a viral e uma ainda não se sabe qual foi o agente. Duas pessoas que contraíram um tipo de meningite bacteriana morreram. 

Edição 1624
 

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