Problemas com cartão do auxílio-alimentação incomodam servidores - Jornal Cruzeiro do Vale

Problemas com cartão do auxílio-alimentação incomodam servidores

29/03/2019

Não é de hoje que o tema ‘auxílio alimentação dos servidores de Gaspar’ causa grande tumulto. Desde que o pagamento saiu da folha e passou para cartão, os servidores passam por diversas dificuldades para poder usar o valor que lhes é de direito.

Falta de variedade de estabelecimentos que aceitam o benefício e problemas com a maquininha em que o cartão é passado são dois itens de grande reclamação entre os usuários. O motorista do Samae Serlau Antunes conta que já passou por constrangimentos em uma rede de mercados da cidade. “A maquininha não fazia a leitura do cartão. Eu estava com minhas compras no caixa, enquanto se formou uma fila atrás de mim. As pessoas olhavam como se eu estivesse dando um golpe. Mas meu cartão tinha crédito suficiente”, garante. Para Serlau, é preciso que os responsáveis solucionem o problema dos servidores o mais rápido possível. “Não podemos continuar assim. Pedimos que o repasse volte a ser feito em pecúnia [em folha de pagamento] ou que, pelo menos, as maquininhas sejam descentes”.

Um servidor que prefere não se identificar diz que passou pela mesma situação de vergonha em um supermercado. O caso se repetiu por três vezes. “O atendente teve que chamar mais um funcionário e passar minha compra numa máquina separada para depois lançar no caixa. Isso dobrou o tempo de atendimento. O pior é quando a maquininha não processa. Daí chamam a supervisora com cara de quem está fazendo o favor de passar o cartão”.

O que diz o prefeito

Segundo o prefeito Kleber Wan-Dall, o governo é notificado das reclamações quando o Sintraspug repassa a queixa. Quanto ao número de estabelecimentos que aceitam o cartão, o prefeito é enfático: “A gente precisa partir da ideia de que as empresas não são obrigadas e, algumas, sim, deixam de prestar o serviço. Na contramão, há muito mais empresas que decidem por se cadastrar e aceitar o pagamento com esse vale-alimentação. Para o empresário, acredito que seja vantajoso receber nossos servidores”.

Hoje, o cartão do vale-alimentação dos servidores é aceito apenas em estabelecimentos de Gaspar. Porém, conforme Wan-Dall, o serviço pode ser expandido para cidades vizinhas. “Temos, sim, servidores de outras cidades. Se houver interesse e um pedido do Sintraspug, podemos ir atrás para que estabelecimentos de Blumenau, Ilhota e Brusque, por exemplo, se sintam à vontade para se cadastrar e receber nossos trabalhadores”.

Estado de greve

Desde o dia 25 de março, os servidores de Gaspar estão em estado de greve. Isso porque eles não aceitaram a proposta de aumento de 4% no salário (sendo 3,57% de reposição e 0,43% de reajuste) e o reajuste no auxílio alimentação de R$430 para R$448. O pedido dos servidores é de que o salário tenha um aumento de R$4,5% e o auxílio-alimentação passe para R$550. “As cláusulas econômicas não foram totalmente atendidas e a proposta do governo pode ser melhorada diante do cenário de receita positiva do município”, garante a presidente do Sinstraspug, Lucimara Rozanski Silva.

Prestes a assumir a presidência do sindicato [a posse acontece nesta sexta-feira, dia 29], Jovino Emir Masson garante que vai lutar para que os pedidos dos servidores sejam atendidos. “Do jeito que está, não dá. Queremos que o repasse do auxílio-alimentação seja feito em pecúnia para dar mais liberdade aos servidores. Na segunda-feira, dia 1º de abril, vou me reunir com a mesa diretora e definir uma data para conversar pessoalmente com o prefeito”, garante.

Ainda de acordo com Masson, tudo o que for levado ao Executivo é de comum acordo com a nova diretoria e servidores. “Na minha campanha, passei por todos os setores e ouvi as demandas de muitos trabalhadores. Se me coloquei à disposição para representa-los, vou cumprir. É preciso também valorizar a equipe que formei, então todos vão ajudar na formulação de estratégias que permitam a prefeitura pagar o auxílio na folha novamente”.

O prefeito Kleber Wan-Dall esclarece que o governo mantem a proposta inicial de fazer o pagamento em folha, desde que o sindicato aceite a alteração na nomenclatura. “O pagamento não seria mais a título de vale-alimentação, mas como prêmio assiduidade. As regras continuariam praticamente as mesmas”. Sobre o aumento salarial, o prefeito afirma que o valor de 4% está dentro do que o município pode pagar.

 

Edição 1894

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