
A reabilitação de usuários de crack é um desafio para as famílias, viciados e profissionais da saúde. O cristal produzido a partir cocaína tem efeitos nocivos para os usuários e acaba gerando deficiências sociais. Em Gaspar, o projeto Crack, é Possível Vencer, criado em 2013 para atender especificamente pessoas viciadas em crack, foi interrompido no meio do ano passado. Segundo a Prefeitura de Gaspar, o coordenador do projeto saiu alegando motivos pessoas.
Desde então, os usuários do programa tinham o Centro de Atenção Psicossocial , o Caps, como opção. No Centro metade da demanda de atendimentos são de dependentes de álcool ou drogas e além deles, são atendidos também os diversos casos de transtornos mentais de Gaspar.
Agora, o projeto de combate ao crack está sob nova coordenação e pode voltar a atuar. Desde o dia 1º de abril, Teresa da Trindade está no comando da pasta e afirma que estar trabalhando na organização e nas diretrizes do projeto. “Eu assumi no dia 1º e comecei na prática no dia 4 de abril. Passei a fazer o levantamento para saber das famílias, para ir atrás delas”, diz Teresa.
Ela atua na Saúde há nove anos, quatro deles no Caps. “Eu conheço muita gente, as pessoas vêm até mim, então é fácil. E eu também gosto dessa parte, gosto da Saúde e quero atuar para ajudar essas pessoas e essas famílias que sofrem tanto”, comentou Teresa. Na prática, o fluxo do atendimento do projeto ainda está sendo planejado, mas Teresa afirma que planeja lutar para conquistar recursos, junto ao governo, que venham atender as necessidades do programa. “Essas pessoas precisam ser internadas, precisam de tratamento e de uma atenção toda especial”, pontua.
Caps continua sendo opção
Mesmo com o programa de combate ao crack atuando novamente em Gaspar, o Caps vai continuar sendo uma opção de tratamento para os usuários da substância, com uma proposta diferente. Enquanto a ideia do programa, de acordo com a nova coordenadora, é ir em busca dos usuários da droga, no Centro as pessoas chegam encaminhadas das unidades básicas de saúde ou espontaneamente.
Lá são acolhidos, avaliados e atendidos por médico, psicólogo, assistente social e participam de atividades. É o caso de um homem que procurou o atendimento na última quarta-feira, 13. Após três anos usando crack, ele procurou o Caps para deixar o vício. A esposa conta que durante muito tempo não tinha ideia que o marido fazia uso de drogas. “Ele sempre foi muito trabalhador, trabalhava em dois turnos”, conta.
Mas com o tempo, o dinheiro foi sumindo e ele assumiu que estava viciado e decidiu procurar ajuda. Agora, ele irá passar por diversas etapas de tratamento para deixar a dependência de lado. “Eu espero que dê tudo certo e que ele se recupere”, disse a esposa, esperançosa com a iniciativa do marido.
Necessidade de um Caps AD
Gaspar tem apenas um Caps e, segundo a direção, atende mais de 500 pessoas por mês. Pelo menos metade desta demanda é de dependentes químicos. “Existe a necessidade de abrir um Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), porque o número de atendimentos é muito grande”, disse Dulcinéia Michels, coordenadora do Caps de Gaspar.
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