Psicóloga infantil analisa caso de abuso sexual em creche de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Psicóloga infantil analisa caso de abuso sexual em creche de Gaspar

15/04/2016
Psicóloga infantil analisa caso de abuso sexual em creche de Gaspar


O caso de abuso sexual na creche do bairro Figueira despertou preocupação em toda a cidade. Nas redes sociais, alguns pais chegaram a questionar a presença de homens em salas de aula do ensino infantil e cobrar mudanças nessa área. Mãe de um menino de 5 anos que frequenta uma creche no bairro Bela Vista, Luana Ramos, 27 anos, diz que ficou ainda mais alerta após saber do caso desta semana. “Como aqui não tem professor homem, fico um pouco mais tranquila, mas sempre converso com ele, procuro saber como foi o dia, digo a ele que é preciso ficar atento e pergunto se algo fora do comum aconteceu”, detalha.

A polêmica da semana também elevou o nível de preocupação de Luciano José Beduschi, 41 anos, pai de uma menina de 4 anos. “Quando existe professor homem, queira ou não, existe uma desconfiança maior, mas procuramos sempre conversar com ela, explicar as coisas e saber tudo que acontece durante o dia dela”, explica.

A reportagem do Cruzeiro do Vale procurou a Secretaria de Educação para saber quais cuidados seriam tomados para evitar novas situações como a registrada no bairro Figueira e se haveria alguma nova instrução para o acompanhamento do trabalho de professores em CDIs, mas a Secretaria informou apenas que “não iria se manifestar neste momento”. Ainda na segunda-feira, em esclarecimentos sobre o caso, a secretária Marlene Almeida defendeu que Gaspar não é a única cidade que contrata homens e que não se pode criar distinções em processos seletivos de contratação. No entanto, deu uma pista sobre um possível posicionamento a respeito do caso. “Esse tipo de situação também pode servir para que se revejam conceitos”, sugeriu.


‘É importante que seja criado um ambiente acolhedor’

A reportagem do Cruzeiro do Vale procurou a psicóloga Aline Fagundes, especializada em atendimento a crianças, para saber como os pais podem identificar possíveis sinais e suspeitas de abuso ou situações que prejudiquem as crianças que estejam acontecendo na unidade de ensino. Confira abaixo a entrevista:

Cruzeiro do Vale - Um caso como esse costuma despertar preocupação dos pais que têm filhos em creche. Como eles podem identificar sinais de um possível abuso? É possível e saudável abordar diretamente a criança? Que sinais indicam que a criança pode estar sofrendo algum tipo de violência?

Aline Fagundes - Quando ocorre algo prejudicial e errado com a criança, geralmente ela demonstra mudanças no padrão de comportamento, passa a ter medo de certos lugares e/ou de pessoas com determinadas características físicas, podem apresentar desconforto em relação ao seu próprio corpo, apresentar sinais de regressão no seu desenvolvimento, como voltar a chupar dedo, faze xixi na cama, ter uma fala infantilizada. Pode demonstrar através de brincadeiras e brinquedos o que aconteceu com ela, assim como pode demonstrar interesse sexual inadequado pra sua idade. O sono da criança pode ser prejudicado com inquietação e pesadelos mais frequentes. Pode haver dificuldade e/ou falta de interesse em interagir com outras crianças. É importante salientar que todos os sinais devem ser compreendidos dentro de um contexto global, e sempre que os pais perceberem que algo não está bem, ou que a criança demonstra algo diferente, devem buscar auxílio profissional. É importante que seja criado um ambiente acolhedor e propício para que a criança possa revelar se algo está acontecendo.

E sobre a vítima desse caso, a que tipo de reflexos pode estar sujeita e qual o acompanhamento necessário?

Os reflexos psicológicos de um abuso sexual podem variar de acordo com a idade da criança, a proximidade do autor e o número de vezes em que foi praticada, podendo trazer consequências e comprometer o desenvolvimento saudável da criança. Nesse sentido, é importante haver um acompanhamento psicológico da criança e primordialmente da família, para que possa lidar com o ocorrido e criar um ambiente em que a criança se sinta acolhida e protegida.

 

Edição 1745

Comentários

juliana rodrigues
19/04/2016 18:12
e dificil conversa com a secretaria eles naõ acreditaõ quando reclamos de alguma coisa,como pais.minha filha esta assustada com a professora e eles naõ fizeraõ nada até agora.isso e ILHOTA..

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