Um bairro com ruas largas, margeadas por ciclovias, calçadas com acesso para usuários de cadeiras de rodas, e pisos táteis para deficientes visuais; um espaço completamente arborizado, com planejamento para aproveitar a iluminação solar e com completo sistema de saneamento básico. Assim será o primeiro bairro sustentável de Gaspar, projetado pela Fundação Bunge e que nesta semana teve garantido o repasse R$2 milhões para o início das obras de terraplanagem do terreno, que fica às margens da BR-470. Os recursos foram anunciados pelo Ministério das Cidades e devem chegar aos cofres municipais em breve, porém, ainda não serão suficientes para finalizar todo o projeto, que tem um custo total de R$5,5 milhões. ?Os recursos serão adequados ao projeto. Neste momento, vamos dar prioridade para as ações de saneamento básico?, explica a secretária de Planejamento e Desenvolvimento, Patrícia Scheidt.
Inovação
Todo o sistema de saneamento do bairro considerado modelo será feito através do zoneamento de raízes. Conforme Cláudia Calais, gerente da Fundação Bunge, as residências costumam ter apenas a fossa séptica, que apesar de filtrar o esgoto não evita a contaminação do solo e do lençol freático. ?Neste bairro modelo as residências terão fossa séptica, mas também terão um tratamento denominado zoneamento de raízes, que consiste em tanques com brita, água e diferentes espécies vegetais, que através de suas raízes fazem a despoluição do esgoto, devolvendo a água ao rio com até 80% dos afluentes tratados?, explica.
Além disso, o bairro modelo terá ruas com pavimentação de paralelepípedo, para facilitar a drenagem do local. As ciclovias serão feitas com asfalto do tipo borracha, que é produzido com 20% de pó de pneu velho e que possui uma resistência 40% maior do que o asfalto convencional, e dura até cinco vezes mais.
As calçadas serão feitas com concreto entulho, que vai aproveitar resíduos provenientes da construção civil local, e serão todas rebaixadas e com piso rodo tátil, para pessoas portadoras de deficiência visual.
Local terá completa infraestrutura
Ao todo, serão erguidos no bairro sustentável 119 lotes residenciais. No primeiro momento serão construídas 89 moradias, doadas ao município após a tragédia de novembro de 2008. No local vão residir as famílias da Margem Esquerda da cidade, que tiveram suas casas totalmente destruídas ou que hoje se encontram em área de risco iminente. São principalmente famílias dos bairros como Belchior Baixo, Central e Alto; Sertão Verde e Arraial. Uma escola sustentável será construída bem na área central do bairro. A escola receberá os alunos da Angélica Costa, que foi destruída na tragédia de 2008, será erguida pela Fundação Bunge, e as obras devem começar ainda este ano. Segundo Cláudia Calais, gerente da Fundação Bunge, o objetivo é que todo o bairro tenha contato com a escola, que será aberta para a comunidade, com biblioteca, playground, e auditório disponíveis para todos os moradores. ?Nosso objetivo é trabalhar a educação ambiental, para que tanto as crianças quanto os moradores despertem para a importância de uma rotina sustentável?, destaca. Uma creche, uma unidade de saúde, e uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social também estão previstos para o bairro.
Fundação Bunge idealizou projeto
A ideia de projetar um bairro sustentável partiu da Fundação Bunge, após a tragédia de novembro de 2008. O objetivo, conforme explica Cláudia Calais, gerente da Fundação Bunge, foi de produzir algo diferente, que levasse a cidade à reflexão e apresentasse novos modelos e processos de ocupação urbana, para evitar os problemas que a cidade enfrente nos dias atuais. Todo o projeto foi elaborado através da Fundação Bunge e doado ao município, que é o responsável pela execução das obras. Apenas a escola é que será erguida pela Fundação.
Para Patrícia Scheidt, secretária de Planejamento e Desenvolvimento, afirma que o projeto é importante pois mostra uma nova maneira de ocupação do solo sobre o ponto de vista da sustentabilidade. ?A intenção da Prefeitura é tentar reproduzir esse tipo de projeto, principalmente no que diz respeito ao esgotamento sanitário. É preciso pensar e projetar melhor as construções, aprimorando e atendendo as necessidades de responsabilidade para com o meio ambiente, com novas propostas de urbanização para a cidade?, destaca a secretária.

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