
A forma com que a ação de combate à Dengue aconteceu no Cemitério de Gaspar vem causando inúmeras reclamações. Fotos que circulam pelas redes sociais e aplicativos de mensagens mostram vasos virados e sepulturas danificadas. O caso veio à tona no último fim de semana, dias após equipes da Secretaria de Obras intervirem no local com ações para evitar a proliferação do mosquito da dengue.
Uma mulher que prefere não se identificar conta que esteve no cemitério na manhã de sábado, dia 16 de abril. Ela descreve o cenário que se deparou como ‘desolador e triste’. Em uma das fotos feitas por ela, é possível ver vasos feitos de granito revirados. Outro registro mostra um buraco aberto causado pela retirada de um vaso.
Outra mulher que prefere não se identificar conta que o marido também esteve no cemitério no sábado para ir até o túmulo do pai e da sogra. A indignação da família é em relação à retirada das flores artificiais. “Não usamos vasos que acumulam água e colocamos apenas flores de plástico. Poderiam ter eliminado os vasos que acumulam água, retirado as plantas naturais e feito uma dedetização”, opina. Outro ponto levantado por ela é em relação ao contato com as famílias. “Deveriam ter comunicado as famílias sobre o ato. Teve gente que gastou dinheiro para deixar o túmulo enfeitado para a Páscoa. E simplesmente foram lá e jogaram tudo fora. Quem paga o prejuízo agora?”.
Ramon Reinert Censi utilizou o Facebook para questionar: ‘cuidado da saúde pública ou violação de sepultura?’. E completou: “é triste ir na sexta-feira Santa no Cemitério e ver o túmulo do nosso ente querido vilipendiado e notar que os demais encontram-se em estado degradante. Sabe-se da importante do combate aos focos do aedes aegypti, mas o princípio da supremacia do interesse público é atrelado a deveres basilares de qualquer Estado Democrático de Direito. É uma pena ver que a memória de nossos entes queridos seja tratado com esta barbaridade em Gaspar”.
Procurado pela reportagem do Cruzeiro do Vale, o Secretário de Obras de Gaspar, Luis Carlos Spengler Filho, afirmou que a prefeitura já recebeu alguma reclamações deste tipo e está analisando caso por caso. “Estamos falando com cada pessoa de forma individual para analisar as situações de forma específica. Se houver necessidade, vamos até o cemitério com o familiar para ver o que realmente aconteceu. Porém, pedimos que as pessoas tratem dos seus casos. Muita gente foi até o cemitério e fez várias fotos de túmulos aleatórios. É preciso tomar cuidado para não tratar de casos em que houve depredação ou também de casos em que os túmulos estão abandonados”.
A ação de combate à dengue no Cemitério de Gaspar aconteceu nos dias 13 e 14 de abril, quarta e quinta-feira da semana passada. Conforme explica o secretário, foram eliminados todos os vasos e flores naturais e artificiais. Passado o feriado de Páscoa, as equipes retornaram ao local para realizar a limpeza geral do cemitério.
Pessoas que se sentiram lesadas em relação a qualquer situação envolvendo o túmulo de um ente querido devem entrar em contato com a secretaria de Obras através do WhatsApp 99930-3342. No momento do envio da mensagem, é necessário se identificar e enviar fotos da situação. “Se houver necessidade, vamos até o local. Inclusive, podemos identificar se a rachadura é nova ou antiga. Estamos fazendo de tudo para esclarecer e resolver a situação com os familiares”.


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