À primeira vista, chega-se a pensar em uma rua de barro, sem pavimentação. Mas, após analisar um pouco melhor, percebe-se que, por baixo de toda a lama e barro há calçamento com paralelepípedo. Há cerca de um mês, essa é a impressão que se tem ao ver os primeiros metros da rua Bonifácio Haendchen, no Belchior Central, que estão sendo prejudicados com a grande quantidade de barro despejada pelos caminhões da empresa responsável pelos trabalhos de duplicação do lote 3 da BR-470, entre Gaspar e Blumenau. O resultado é uma rua suja, cheia de lama e poeira, que vem incomodando os moradores.
Morador da rua há mais de 45 anos, Ademir Lemke, 59 anos, afirma que os caminhões da Sul Catarinense passam pela rua levando a terra e o barro de terrenos próximos. Com isso, os pneus sujos e parte da terra colocada no caminhão sujam a via, deixando-a praticamente na lama. A reclamação da comunidade local é que a empresa não está fazendo a limpeza. Porém, no momento em que a reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale esteve no bairro, uma equipe tentava amenizar o problema dos moradores passando água na rua. ?Essa é a primeira vez que isso acontece. Até então, nós mesmos tínhamos que pegar uma mangueira e lavar as calçadas, muros e a própria rua que estava totalmente marrom. Para se ter uma ideia, só esse mês gastei R$ 115 de conta de água, sendo que o normal é R$ 60?, explica o morador.
Quando há sol, a poeira invade os móveis da casa e suja os carros. Em dias de chuva, a situação é ainda pior, já que todo o barro se transforma em lama, o que chega até mesmo a dificultar a passagem de veículos pela rua Bonifácio Haendchen. ?Hoje mesmo (quarta-feira, dia 30) um motociclista passou por uma parte da rua que tinha muita lama e caiu. Além de perigoso, é algo muito feio para o bairro. Nossos muros estão sujos, os carros ficam sujos, a casa fica ainda mais. Quando faz sol, a poeira toma conta e prejudica até a nossa saúde. Queremos o progresso, é claro, mas não queremos esse descaso com a comunidade?, destaca.
A situação incômoda já foi denunciada por Ademir e outros moradores ao responsável pela Superintendência do Belchior, Rui Deschamps. Ele afirma que o fato realmente está causando grandes problemas ao bairro e à própria comunidade, que precisa lidar com os transtornos da obra. ?Sabemos que os trabalhos não são de responsabilidade da Prefeitura, mas acredito que deva existir um diálogo entre ela e o órgão responsável. Não é uma situação aceitável e queremos que ao menos a empresa limpe o local que sujou, o que poderá diminuir os transtornos aos moradores?, afirma Rui, ressaltando que já entrou em contato com a Secretaria de Planejamento e do Meio Ambiente para tratar de uma solução.
O que diz o Dnit
A reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito, Dnit, responsável pelas obras da BR-470, durante a quarta e quinta-feira, dias 30 e 31, através do telefone e e-mail. Até o fechamento desta edição, no entanto, o Dnit não havia respondido os questionamentos feitos pela redação.
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