Em uma parceria inédita, Ministério da Saúde e Conferência Nacional de Bispos do Brasil organizaram uma ação que mobilizou 10,2 mil paróquias em todo o Brasil neste domingo, 10, quando os sacerdotes e ministros falaram aos fiéis sobre a hanseníase em celebrações e missas dominicais. A ação foi realizada por meio de uma leitura do sermão que fala sobre dez leprosos e teve o apoio do Ministério da Saúde. O objetivo foi aumentar o conhecimento sobre a doença e superar o preconceito para com os doentes entre a população que costuma frequentar as Igrejas.
O número de casos de hanseníase no Brasil vem caindo desde o ano de 2003, mas a doença ainda necessita de monitoramento. De acordo com a enfermeira da vigilância epidemiológica de Gaspar, Angelita Wisbeck, o Ministério da Saúde estima que a cada dez mil pessoas, exista uma que seja portadora desta doença. ?Nós temos agora apenas duas pessoas em tratamento em Gaspar, quando deveríamos ter pelo menos seis. O problema é que a maioria dos casos fica escondido, pois o período de incubação da doença é de até 20 anos?, explica.
As Unidades Básicas de Saúde do município são orientadas a observar suspeitos. Quando encontram algum, encaminham para um laboratório referência em Blumenau para uma baciloscopia, exame feito para detectar a ocorrência da doença. Caso o resultado seja positivo, o doente é levado até o infectologista que trabalha na Unidade de Saúde do Centro para tratamento. As pessoas que portam a doença podem ganhar de seis meses a um ano de remédios pelo Sistema Único de Saúde, SUS, dependendo da gravidade do caso. Pelo menos uma vez por mês, os pacientes em tratamento devem ir à casa de saúde para tomar o medicamento em frente a membros da vigilância epidemiológica, para que, assim, provem estar se tratando da maneira correta.
Desde o ano de 2001, o tratamento da hanseníase é regulamentado em Gaspar. ?Até hoje, todos os pacientes que tratamos em Gaspar foram curados. Quando o caso é muito grave, existe há muito tempo, por exemplo de sete a dez anos, podem ficar sequelas?. Por este motivo, é necessário haver a conscientização de que o exame é importante e que a doença deve ser descoberta o mais cedo possível.
Casos de Hanseníase em Gaspar (desde 2001)*
ANO - NÚMERO DE CASOS
2001 - 1
2002 - 0
2003 - 0
2004 - 2
2005 - 1
2006 - 3
2007 - 1
2008 - 2
2009 - 3
2010 (até o momento) - 2
*Todos os casos obtiveram cura, mesmo que com sequelas.
A doença no Brasil
O número anual de novos casos da hanseníase no Brasil vem diminuindo desde o ano de 2003, quando foram registrados no país 51.941. Em 2009, foram 37.610 notificações de novos casos. ?Apesar da redução no número de casos, a doença se concentra nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e ainda é um problema de saúde pública, que exige vigilância permanente?, alerta Maria Aparecida. Com relação à transmissão entre menores de 15 anos, adotado pelo governo brasileiro como principal indicador de monitoramento da endemia para transmissão ativa da doença, o número de casos em 2009 foi de 2.669, contra 3.444 em 2006.
É importante que todas as pessoas com manchas brancas ou vermelhas ou áreas dormentes no corpo procurem o serviço de saúde. A doença é infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos. A doença pode causar deformidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no SUS.
edição 1238


Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).