Segurança pública: Reforço tenta amenizar baixo efetivo - Jornal Cruzeiro do Vale

Segurança pública: Reforço tenta amenizar baixo efetivo

29/06/2014

fotopg6retrancacolorGG.jpg

A falta de efetivo policial suficiente é uma realidade enfrentada em grande parte do país. Diante do número reduzido de pessoas aptas a garantir a segurança da comunidade, o índice de ocorrências e a sensação de insegurança da população passam a ser ainda maiores. Em Gaspar, essa realidade também está presente na rotina dos moradores e do próprio batalhão da Polícia Militar, que hoje conta com 38 policiais. Considerando este número e a atual população do município, estimada em 62 mil habitantes segundo o IBGE, Gaspar conta com uma relação de um policial para cada 1.640 habitantes. A proporção recomendada pela Organização das Nações Unidas, ONU, é de um policial para cada 250 habitantes.

Em cidades vizinhas, como Blumenau, Brusque, Itajaí e Pomerode, a situação não é muito diferente. Com uma população de mais de 329 mil habitantes, Blumenau possui um efetivo de 263 policiais militares, o que equivale a uma proporção de um policial para cada 1.250 moradores. Em Pomerode, os índices são ainda mais altos: um policial militar para cada 1.580 habitantes. Já em Brusque, o batalhão possui 92 PMs, fazendo com que haja um para cada 1.260 habitantes. O índice é menor em Itajaí que, com um efetivo de 217 policiais militares e população de 197 mil habitantes, chega a ter um PM para cada 910 moradores

Novos PMs

Alternativa para amenizar essa situação recorrente em diversas cidades de Santa Catarina, acontece na próxima semana a formação de 854 novos policiais militares no Estado. A formatura será realizada na próxima terça-feira, dia 1º de julho, em Florianópolis, onde se formarão 623 soldados. O número se completará na quinta-feira, dia 3, na cidade de Caçador, com a formação de 91 novos PMs e na sexta-feira, dia 4, em Chapecó, onde 140 soldados estarão aptos para iniciar o trabalho na Polícia Militar. 

De acordo com o comandante da PM de Gaspar, o capitão Heintje Heerdt, a companhia, que atende as cidades de Gaspar e Ilhota, deve receber somente três policiais. ?Ainda estamos dependendo de alguns processos em andamento, como o de policiais mais antigos que têm interesse em fazer transferência, mas já ouvimos comentários de que poderemos receber três novos PMs.

 Acredito que esse não seja o número ideal, mas é satisfatório diante da atual realidade?, destaca o comandante. Para ele, o ideal seria a companhia receber sete policiais para que fosse possível atender com mais eficiência a região da Margem Esquerda, incluindo Belchior, Arraial e Sertão Verde, o bairro Centro e também a região dos bairros Santa Terezinha, Macucos, Barracão e Bateias, além de Ilhota. ?Não podemos trabalhar com a ideia de que o certo seria um policial para cada 250 habitantes. Este fato não é realidade nem em cidades muito maiores. Além disso, é preciso ser realista e entender que os gastos seriam muito altos caso isso acontecesse, sendo que esse valor poderia ser utilizado em outras áreas que demandam investimentos tão grandes quanto?, ressalta Heintje, reiterando que, caso três policiais sejam realmente enviados para a cidade, a situação poderá ser considerada adequada para a atual demanda.

Efetivos por habitante 

Gaspar

Habitantes: 62 mil

Policiais militares: 38

Média:

1 PM - 1.640 habitantes

 

Blumenau

Habitantes: 329 mil

Policiais militares: 263

Média: 

1 PM - 1.250 habitantes

 

Pomerode

Habitantes: 30 mil

Policiais militares: 19

Média: 

1 PM - 1.580 habitantes

 

Brusque

Habitantes: 116 mil

Policiais militares: 92

Média:

1 PM - 1.260 habitantes

 

Itajaí

Habitantes: 197 mil

Policiais militares: 217

Média: 

1 PM - 910 habitantes 
 

Falta de investimentos em segurança

Para o professor de Direito e Relações Internacionais da Univali, Eduardo Guerini, o número de policiais militares que trabalham em Gaspar está abaixo do ideal. Ele afirma que essa situação, registrada na maioria das cidades brasileiras, está diretamente ligada à falta de investimentos na questão de segurança pública, além de ser resultado das condições deficitárias de trabalho e falta de incentivo à carreira policial. ?Isto é o retrato da precariedade de investimentos nas três áreas mais importantes em um país, que são a saúde, a educação e a segurança pública?, aponta. Segundo o professor, o Estado não realiza concursos suficientes para a formação de novos policiais militares à medida que a população cresce. Como consequência, cresce a sensação de insegurança da população. ?A realidade só mudará quando se investir mais na profissão, melhorar a estrutura e as condições de trabalho dos policiais?, opina.

Edição 1600
 

Comentários

Rodrigo
28/06/2014 18:34
Esse é o nosso governo de Santa catarina, insegurança, assinatura de verba para obras com os pagamentos que nunca vem...

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.