Seis décadas de matrimônio: a união de Afonso e Anita Ender - Jornal Cruzeiro do Vale

Seis décadas de matrimônio: a união de Afonso e Anita Ender

10/02/2022

No toque das mãos, na troca de olhares, no simples ato de ajudarem um ao outro a levantar do sofá... São nos pequenos detalhes que brilha o amor entre Afonso Ender e Anita Kuehn Ender, eternos apaixonados. Quem hoje vê o casal de idosos assim, juntinhos e sorridentes, talvez não conheça o caminho percorrido por esses verdadeiros ícones de Gaspar.

Em comemoração a mais um aniversário de matrimônio, a reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale compartilha com seus leitores a história de um casamento que completa 60 anos na próxima quinta-feira, dia 10 de fevereiro. Em resumo, do começo ao fim, eles são exemplos de companheirismo, respeito, honestidade, comprometimento e união.

A primeira dança

A história de amor entre o casal teve início em 10 de agosto de 1957. Na data, seu Afonso foi convidado para um festival em Jaraguá do Sul, cidade que fica a cerca de 30km de Schroeder, onde morava. “Era uma sociedade de caça e tiro. Seria uma noite de muita diversão entre amigos, mas acabou se tornando ainda mais especial”, relembra.

Não demorou muito para que ele reparasse em uma bela moça. “Trocamos alguns olhares. Esperei tocar a primeira música para ver se ela não estava acompanhada e, na segunda, fui até a mesa dela. A convidei para dançar e me surpreendi ainda mais com sua delicadeza”, conta seu Afonso. A primeira dança dos apaixonados foi também o primeiro passo de uma longa história juntos.

De acordo com dona Anita, o momento foi muito especial. “Também havia reparado nele e fiquei feliz que se aproximou para conversarmos. Naquele dia, até dançamos com outras pessoas para nos divertirmos, mas não era a mesma coisa de quando estávamos juntos”, relata a senhora entre risadas. Não tinha mais volta, a vida os presenteou, logo de cara, com um sentimento único.

Distância

Cartas e mais cartas... Naquela época, não havia muitas formas de se comunicar à distância. E a estratégia usada pelo casal para ao menos amenizar a saudade foi a troca de mensagens por cartas. “Era o jeito! O começo do nosso namoro foi marcado por essa expectativa, de aguardar as novidades um do outro via carta”, recorda com carinho dona Anita.

Segundo as memórias de seu Afonso, o casal se via pouco por conta do seu trabalho na época, como instrutor de fumo na Souza Cruz. “Tive que me mudar após uma proposta de trabalho e fiquei ainda mais longe dela. Mas, pensando no nosso futuro junto, sabíamos que era necessário”. A saudade era constante, assim como a troca de cartas e juras de amor.

Casamento

Foi no dia 10 de fevereiro de 1962 que Afonso Ender e Anita Kuehn oficializaram sua relação diante de familiares e amigos próximos. O casamento ocorreu em um sábado à tarde, para poucos convidados. “A comemoração foi muito, mas muito especial, na casa dela. Tinha comida boa, música e todo o amor do mundo”, resume seu Afonso.

Conforme dona Anita destaca, o casal se uniu em matrimônio pela Igreja Luterana. “Ambos somos luteranos e temos, até hoje, muito respeito à religião. Desde jovens sabíamos da importância de ter Deus no coração. Então, apesar de ter sido uma festa pequena, foi exatamente do jeito que planejamos. Tenho ótimas lembranças dessa data”.

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Cidade Coração do Vale

Pouco mais de um ano após o casamento, os apaixonados se mudaram para Gaspar, a cidade Coração do Vale. Novamente, em virtude do trabalho de seu Afonso. “Chegamos aqui no dia 9 de julho de 1963. Fomos a primeira e única família a residir no campo experimental da Souza Cruz, hoje conhecido popularmente como ‘terreno da Furb’. Éramos nós dois e uma vaquinha”.

O casal se instalou e logo fez amizades. “Naquela época, havia poucos moradores nas proximidades da casa. Mas dos poucos vizinhos, fizemos grandes amigos. Que município acolhedor. Sempre foi assim...”, conta dona Anita sobre a chegada em Gaspar. A vida nova, juntinhos, foi exatamente do jeito que sonharam.

Enquanto seu Afonso mantinha a rotina de trabalhos pela Souza Cruz, dona Anita passou a se dedicar ainda mais a uma de suas paixões: a costura. Paralelo aos ofícios que sustentavam a casa, eles também cuidavam de sua primeira filha, Marlene. “Sempre valorizamos muito nossas conquistas. Principalmente o trabalho e a família. Duas grandes bençãos”, comentam.

O tempo passou, a família cresceu e uma nova mudança positiva marcou a vida desse lindo casal. “Compramos uma casa na rua Itajaí. Aqui vivemos até hoje. Foi aqui que criamos nossas crianças e vivemos a maior parte da nossa história. Onde superamos momentos difíceis e comemoramos grandes conquistas”, explica seu Afonso emocionado.

Bodas de Prata - 1987 Bodas de Ouro - 2012 Bodas de Diamante - 2022

 

Amor pelos filhos e netos

A emoção é compartilhada por dona Anita que, com lágrimas nos olhos, fala sobre os filhos. “Temos quatro filhos: Marlene, Laércio, Marcio e Dirceu. Eles sempre foram muito inteligentes, honestos, esforçados e trabalhadores. Estudaram os anos iniciais na Escola Municipal Intendente José Spengler e depois foram para o Colégio Frei Godofredo. Sempre destaques das turmas”.

O esforço e dedicação não foi à toa. “Sempre acompanhei de perto o desempenho escolar dos meus filhos, assim como meu pai fazia na época em que eu era aluna. Caprichosos e atentos, realizaram seus sonhos profissionais. Todos são engenheiros pelas melhores universidades”, enfatiza orgulha dona Anita.

E não é que a inteligência da família atravessou gerações e passou aos netos? “Temos seis netas e um neto. Todos estudiosos”, resume seu Afonso. Emocionado, o senhor aponta para os porta-retratos pendurados na parede, onde estão os mais jovens da família. “Olhar para trás e ver tudo o que passamos para chegar até aqui é gratificante”, completa dona Anita.

Curiosidades

Logo no hall de entrada da residência do casal, os convidados se deparam com itens bastante curiosos. Nas paredes, dezenas de medalhas. Nas estantes, diversos troféus, livros e fotos. Nas mesas, além de mais livros... máquinas de costura. E nem é necessário se perguntar qual o significado desses objetos. Orgulhosos, seu Afonso e dona Anita contam detalhe por detalhe.

As medalhas e troféus são frutos do reconhecimento do excelente desempenho dos apaixonados em competições esportivas.  “Eu sempre joguei bolão, desde a adolescência. Na vida adulta, chegaram a me chamar de ‘Rei do Bolão’, por conta das pontuações altas que fazia por minha equipe nos campeonatos”, explica seu Afonso.

E dona Anita também se destacou, mas na bocha. “Até participei dos Jogos Abertos da Terceira Idade”, se orgulha. Além disso, a simpática senhora tem na máquina de costura um carinho especial. “Hoje, não costuro mais tanto, mas sempre fui apaixonada por criar peças. Inclusive, fiz o meu próprio vestido de casamento, sob medida para mim”, relembra.

Os livros, junto a revistas e jornais, indicam um amor pela leitura. “Eu gosto de me atualizar, ler sobre diversos assuntos e adquirir cada vez mais conhecimento. É bom para mente e para o coração. A sabedoria é algo realmente muito importante”, afirma seu Afonso enquanto folheia as páginas do jornal Cruzeiro do Vale aberto na mesa.

Ele também se emociona com fotos, seja as guardadas em álbuns ou as expostas nas paredes. É nesses pedaços de papel que estão registrados momentos como o casamento do casal, a formatura dos filhos, as festas de aniversário dos netos e também as viagens da família. “Amamos viajar. Fomos duas vezes a Europa, conhecemos boa parte do Brasil também”, reiteram.

 

Mensagem

“Amor ao próximo. Essa é a chave para ter uma vida mais leve e feliz. A educação também é fundamental, tanto a nossa busca por sabedoria quanto o estímulo que damos aos filhos e netos. O sucesso está na união e no respeito”.

 

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Edição 2040

 

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