Serviços de fisioterapia pelo SUS seguem suspensos - Jornal Cruzeiro do Vale

Serviços de fisioterapia pelo SUS seguem suspensos

24/06/2014

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Quase um mês após as três clínicas credenciadas de Gaspar decidirem suspender as sessões de fisioterapia feitas pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, a situação ainda permanece sem uma definição. Descontentes com os valores repassados pelo Ministério da Saúde, que variam de R$ 4,67 a R$ 6,75 por sessão realizada, os estabelecimentos interromperam os atendimentos encaminhados pela rede pública após negociação com o município desde o ano passado.

A secretária de Saúde de Gaspar, Márcia Cansian, afirma que há duas semanas houve uma reunião com as clínicas e que, na última semana, foi apresentada uma proposta do município, discutida em conjunto com as cidades de Blumenau e Indaial, as outras duas da região que possuem serviços terceirizados de fisioterapia.

Pela proposta, os valores repassados pelo SUS não seriam alterados, mas o município buscaria junto ao Ministério da Saúde os valores de uma consulta para cada guia de atendimento, o que renderia às clínicas o equivalente a R$ 20 por paciente. ?O município até tem autonomia para oferecer uma contrapartida para as sessões de fisioterapia, mas não existe recurso previsto para isso no orçamento. O que poderíamos conseguir é esse valor de avaliação, que hoje as clínicas não recebem e que certamente poderia ajudá-las?, avalia.

No entanto, a proposta não foi bem recebida pelas clínicas, que buscam, além do pagamento dos R$ 20 da consulta, uma elevação do valor de cada sessão para R$ 8. Segundo representantes das clínicas gasparenses, a proposta de Gaspar foi exatamente a mesma apresentada por Blumenau, onde a demanda de exames é maior, o que permite às clínicas trabalhar com uma margem menor de valores. ?Para nós essa proposta não é viável, fica impossível manter a estrutura atual. Infelizmente a proposta ignorou o que falamos na reunião e o que já tínhamos discutindo com as demais clínicas e com o Conselho de Fisioterapia?, destaca a responsável por uma das três clínicas credenciadas da cidade.

Tabela SUS

Apesar da proposta apresentada, Márcia alerta que a origem do problema está na defasagem dos valores previstos para os serviços de saúde na chamada Tabela SUS, que determina os valores pagos pelo governo federal para cada procedimento. Segundo ela, uma discussão com o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde de Santa Catarina busca chamar a atenção para o problema. ?É uma situação que não é só de Gaspar e que o município não tem como abraçar. O que propomos é que haja uma revisão da tabela do SUS, abraçando os serviços em combos, que poderão render repasses maiores para cada procedimento, mas essa é uma discussão estadual e nacional e que já acontece há anos?, ressalta Márcia.

Enquanto o impasse permanece, os casos mais graves são atendidos em domicílio pelo fisioterapeuta da rede municipal de saúde. A maior parte dos pacientes, no entanto, aguarda a resolução do problema para retomar os tratamentos. Em média, as três clínicas credenciadas da cidade contabilizam uma média de 400 atendimentos ao mês.

Edição 1599
 

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