
A portaria nº 1253 instituída pelo Ministério da Saúde no mês passado está causando dúvidas e indignação em mulheres de todo o país. A decisão passa a priorizar os exames de mamografia gratuitos a mulheres entre 50 e 69 anos. Com isso, as mulheres abaixo dessa faixa etária poderão realizar o exame gratuitamente apenas se apresentarem sintomas, dores, nódulos, secreções ou se possuírem casos de câncer de mama na família. Entretanto, muitas mulheres com menos de 50 anos acham importante realizar o exame para prevenir a doença, por ser uma das melhores formas de detectá-la. É o caso de Sandra Regina Linhares, 46 anos.
A moradora do bairro Santa Terezinha afirma que em novembro do ano passado foi a uma consulta em um posto de saúde e aproveitou para marcar um exame de mamografia, já que não o fazia há três anos. ?Fiz uma requisição na época e na última semana recebi uma ligação de uma das enfermeiras do posto dizendo que não tenho direito à mamografia, pois houve uma alteração na lei?, explica. Dessa maneira, ela foi orientada a agendar e pagar pelo exame, que custa R$ 200, já que seu caso é apenas preventivo. ?Vi uma reportagem que afirma que a portaria dá prioridade às mulheres entre 50 e 69 anos, mas que todas continuam com o mesmo direito de fazer o exame?, ressalta.
De acordo com a secretária de Saúde, Márcia Cansian, a partir de agora as mulheres com menos de 50 anos que precisam realizar o exame apenas para prevenção, ou seja, não apresentam nenhum sintoma do câncer de mama, não serão mais beneficiadas com o repasse financeiro do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação, FAEC. ?Porém, mulheres com menos de 50 anos, quando identificado algum risco elevado para o câncer de mama, têm a sua mamografia autorizada e agendada via Consórcio da Ammvi, onde o repasse financeiro é realizado com recurso próprio do município, geralmente feito em Blumenau?, ressalta.
Quando não autorizada às mulheres que não apresentam risco elevado e não estão incluídas na faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde, como o caso de Sandra, a requisição da mamografia é devolvida para a unidade de saúde e os profissionais e usuários são orientados sobre a nova portaria.
Hoje a Secretaria de Saúde de Gaspar tem 17 solicitações de mamografias de rastreamento, que são solicitações de fevereiro e março deste ano, e 14 solicitações de mamografias de mulheres fora da faixa etária, mas que possuem risco elevado. Elas aguardam as datas de agendamento. Ainda conforme a secretária, a portaria contraria a realidade que deveria ser de trabalhar com a prevenção e controle do câncer na Rede de Atenção à Saúde. ?O rastreamento é justamente para se detectar de forma precoce o diagnóstico no caso de câncer de mama. Já encaminhamos documentos reivindicando revisão da Portaria?, garante.
Repúdio
A vereadora Ivete Hammes chegou a apresentar uma moção de repúdio sobre o assunto durante sessão ordinária da Câmara de Vereadores realizada na semana passada. De acordo com Ivete, a ação da portaria pode causar diversos danos à saúde das mulheres brasileiras, uma vez que são mulheres abaixo dos 50 anos que mais apresentam este tipo de doença. ?Com o fim do repasse para os exames, milhares de mulheres brasileiras ficarão sem assistência, aumentando o risco de ter sua vida abreviada por uma das doenças que mais matam no país?, justificou.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).