
"Numa hora dessa a gente tá com mil sentimentos. Raiva, angustia, esperança de que, quando acabar, encerre com uma notícia boa pra gente. Que a justiça mantenha ele preso e que as coisas se encaminhem". A frase é de Olampio Silveira, pai de Suelen Hedler da Silveira, 21 anos, uma das vítima do grave acidente que aconteceu em fevereiro deste ano, na BR-470, em Gaspar, envolvendo um Fiat Pálio com cinco jovens, e um Jaguar dirigido por Evanio Prestini, 32 anos, que estava alcoolizado no momento do acidente. Na tarde de segunda-feira, dia 6 de maio, as três sobreviventes do acidente, Maria Eduarda Kraemer, 24 anos; Thayná Cirico, 20 anos; e Thainara Schwartz, de 21 anos; além de um Policial Rodoviário Federal e mais duas testemunhas de defesa, participaram de uma audiência de instrução e julgamento, que aconteceu no Fórum de Gaspar. Essa foi a primeira vez que as vítimas foram ouvidas pela justiça.
Prestini, que aguarda o julgamento no Presídio Regional de Blumenau, foi trazido a Gaspar para a audiência. Conforme o juiz Lenoar Bendini Madalena, que atendeu a impressa antes da audiência começar, existe a possibilidade do acusado não ser ouvido hoje. Isso porque existem testemunhas a serem ouvidas que estão fora da comarca. "Eu posso até ouvir ele se a defesa concordar, mas provavelmente isso não vai acontecer. Vão querer que eu ouça primeiro todas as testemunhas pra depois fazer o interrogatório do acusado".
Apenas depois de ouvir Prestini, o que deve acontecer em 10 ou 15 dias, de acordo com o juiz, é que se saberá se o acusado vai ou não para júri popular.

Para marcar o momento, pedir por justiça e não deixar o caso cair no esquecimento, familiares e amigos das duas jovens que perderam a vida no acidente, Amanda Grabner Zimmermann, 18 anos e Suelen Hedler da Silveira, de 21 anos, fizeram uma manifestação pacífica em frente ao Fórum de Gaspar. Emocionado, o pai de Suelen, Olampio Silveira, conta como a vida seguiu depois do acidente que tirou a vida da sua filha caçula. "Vivo meus dias, um de cada vez. O dia de ontem foi igual ao de hoje, que foi igual ao dia do acidente. Pra falar bem a verdade, não mudou nada. Aquela bola que está por dentro, continua ali do mesmo tamanho. Não sei se um dia ela vai sair. Mas, estamos aí, um dia de cada vez"
A tia e madrinha de Amanda Grabner Zimmermann, Elizabete Grabner, destacou a apreensão com a audiência. "Estamos muito apreensivos e ansiosos. Aqui no Brasil, tudo é devagar. Mas a gente percebeu que, nesse caso, pela repercussão da mídia, tudo está acontecendo bem rápido, perto do que a gente costuma ver por aí. Queremos que seja tudo da forma correta. Se for pra ele ser solto, se estiver na lei, é um direito que ele tem. Mas, gostaríamos que ele ficasse preso. Até pra não cometer outro tipo de crime e matar outras pessoas. Só pedimos por justiça mesmo, vamos ficar em cima do caso, não vai cair no esquecimento, não vai virar apenas uma estatística".
A especialista em trânsito Marcia Pontes que também esteve no Fórum participando da manifestação. Ela concorda que o caso está caminhando de forma rápida. "Esse é um caso emblemático, que marcou muito mais do que muitos outros pelo tanto de barbaridade que se viu. Eu vejo que esse caso caminha com muita celeridade. A sociedade está pressionando, cobrando e pedindo porque nós não aguentamos mais. Beber e dirigir é crime e fica outra lição: não importa se você tem muito dinheiro, você não consegue tirar uma pessoa toda enroscada desse jeito, dá cadeia".
Soltura de Evanio
Ao ser questionado se existe a possibilidade de Prestini sair em liberdade da audiência, o juiz ressalta que a defesa do acusado pode pedir liberdade a qualquer momento. "Eu não sei se a defesa vai requerer novamente a liberdade provisória dele, mas se pedirem eu vou ter que apreciar". A defesa de Prestini já entrou com pedido de liberdade seis vezes e até o momento todas foram negadas.
Elizabete Grabner, tia de uma das vítimas, afirmou que a parte do acusado nunca entrou em contato com nenhuma das famílias para prestar solidariedade. "Nunca entraram em contato. Ninguém. Nem ele, nem a família, nem advogados. Nenhum contato. A partir do momento do assassinato lá na BR, ninguém falou com a gente. Nem pra dizer que sente muito. Eu acredito que todo mundo tem direito a defesa. Então, isso não impede eles de serem solidários. Não entraram em contato com nenhuma das cinco famílias. Isso eu posso te garantir".
O acidente de trânsito envolvendo um Jaguar e um Fiat Pálio aconteceu no dia 23 de fevereiro, na BR-470, em Gaspar, próximo ao acesso ao Belchior Baixo. Com a batida, duas, das cinco jovens que estavam no Pálio morreram: Amanda Grabner Zimmermann, 18 anos e Suelen Hedler da Silveira, 21 anos. Além disso, uma terceira vítima, Maria Eduarda Kramer, de 24 anos, foi levada em estado grave ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde passou por diversas cirurgias.
O condutor do Jaguar, Evanio Prestini, de 32 anos, não se feriu. Ele foi preso em flagrante depois do teste de bafômetro acusar 0,72 miligrama de álcool por litro de ar expelido. Desde então, Prestini está preso do Presídio Regional de Blumenau. Ao todo, os advogados dele já entraram com seis pedidos de liberdade provisória, todos negados pela justiça.
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