Sorrir é o melhor remédio - Jornal Cruzeiro do Vale

Sorrir é o melhor remédio

04/07/2010



fotopg13abrecolorMD.jpgNo lugar de jalecos, luvas, máscaras e agulhas; perucas coloridas, óculos engraçados, nariz de palhaço, fantasias, caras pintadas, fantoches e bexigas. Ao invés do semblante sério e frio de um médico; grandes sorrisos estampados no rosto. É desta forma que atuam os voluntários do Projeto Sorriso, que levam momentos de alegria e diversão para os pacientes internados nos hospitais da região.

Em Gaspar, o grupo visita os pacientes todas as quintas-feiras a tarde e por onde passa deixa uma dose de alegria para amenizar o sofrimento. Para melhorar o astral dos pacientes, os voluntários contam histórias, cantam e fazem todo o tipo de brincadeiras, sempre com muita criatividade.

Quando adentram os quartos do hospital, os olhares tristes das crianças, adultos e idosos enfermos enchem-se de alegria. ?É uma sensação maravilhosa ver o sorriso na face de cada pessoa que visitamos?, conta a voluntária Flávia Viviane da Silva, que há dois anos integra o projeto e é conhecida como a Doutora Bolinha.

Flávia chegou até o grupo depois de ler uma reportagem no Jornal Cruzeiro. No início ela atuava como voluntária no Hospital Santo Antônio, em Blumenau, mas quando o Hospital de Gaspar abriu suas portas, Flávia não pensou duas vezes, entrou em contato com a direção e garante que foi muito bem recebida. ?Iniciamos os trabalhos logo que o Hospital abriu as portas e temos obtido uma resposta muito grande, tanto dos pacientes quanto da direção do hospital?, revela.


Michele Martins, responsável pelo setor de internação do Hospital de Gaspar, conta que o trabalho do grupo auxilia na melhora dos pacientes e traz vida ao hospital. ?É importante colher sorrisos, principalmente no momento que eles se encontram?, destaca a responsável pela internação.


Doação que gera recompensa

logoprojetosorrisoMD.jpgAo todo, 50 voluntários atuam no projeto em todo o Vale do Itajaí, e visitam cerca de 400 pessoas todas as semanas. Em Gaspar são apenas três voluntários e o grupo está aberto para receber novos integrantes (veja como participar na matéria da página ao lado).

?Não são apenas os pacientes que são beneficiados pelas nossas visitas, nós também aprendemos muito com cada um deles. É uma grande troca. Têm dias que eu saio de casa desanimada com os problemas do dia-a-dia, mas é só botar o nariz de palhaço que tudo se transforma?, relata a doutora Bolinha.


Principais objetivos do projeto

?Levar aos hospitais algo multicolorido que destoe do ambiente frio e hostil ao riso e inóspito de alegria, promovendo um instante de alegria aos pacientes internados.
?Trabalhar a humanização, promovendo atividades sociais relacionadas à saúde da população.
?Ajudar na formação de futuros profissionais da saúde mais humanos e solidários com seus pacientes; reservando uma parte do voluntariado para profissionais e acadêmicos da saúde.
?Tornar o dia a dia dos idosos de asilos um pouco mais feliz promovendo visitas e ações sociais em saúde.
?Levar para dentro das Universidades a proposta de humanização nos cursos da saúde, tornando esse tipo de atividade humanitária essencial dentro das carreiras.
?Servir de exemplo para os profissionais da saúde acreditarem e defenderem um comportamento mais humanitário.
?Servir de inspiração e incentivo aos jovens, adultos e idosos do país a buscarem a doação de algumas horas ao próximo.
?Mudar, nem que seja por um segundo, a rotina dos hospitais, trazendo para o paciente: alegria, esperança, VIDA.



Inspiração trouxe projeto para a região

Inspirado em projetos desenvolvidos em todo o mundo, o acadêmico de Medicina da Universidade Regional de Blumenau, Marcelo Zalli, decidiu trazer para a região do Vale do Itajaí algo que pudesse tornar a medicina uma atividade mais humana, e assim criou o Projeto Sorriso.

As atividades iniciaram em agosto de 2005 e até os dias de hoje leva alegria e descontração aos pacientes internados nos Hospitais da região, diminuindo assim a distancia entre o médico e o doente. O trabalho segue experiências semelhantes, como a Clown Care Unit nos EUA, Le Rire Médicins, na França, Klow Doktoren, na Alemanha, Dr. Patch Adams (EUA) e os Doutores da Alegria, no Brasil.

Através do Projeto Sorriso, voluntários previamente selecionados visitam o hospital para buscar uma melhoria da saúde, através da alegria e do sorriso, e contribuir para um prognóstico mais favorável aos pacientes e internos.

 

Alegria que contagia

O pequeno Oscar Santos Silva Junior precisou ser internado no Hospital de Gaspar devido a um princípio de pneumonia e uma estomatite. O simpático garoto de apenas oito anos de idade chegou ao local na terça-feira, dia 22, e estava acompanhado pela mãe e pela avó, que viram o ambiente frio e cansativo do Hospital ganhar um colorido especial na tarde de quinta-feira.

?Quando os voluntários do Projeto Sorriso chegaram meu filho era só sorrisos. Ele adorou a visita e até ficou mais animado e se recuperou melhor depois do carinho recebido?, conta a mãe de Oscar, Luciane Ingetroin.

O trabalho feito pelo grupo animou tanto Luciane, que a jovem mãe está pensando em se tornar uma voluntária também. ?Achei a ideia deles excelente, o projeto é 11, porque 10 seria pouco para descrevê-los. Gostei tanto que até estou pensando em ajudar, afinal, não custa nada dedicar uma hora ou duas de um dia para fazer outras pessoas sorrirem?, comenta Luciane.


Carinho animador

Para Meri Terezinha Miranda, o trabalho feito pelos voluntários oferece um grande carinho para as pessoas que estão internadas. A mãe de Meri, Carnelinda Miranda, de 72 anos, chegou ao hospital no dia 22 de junho e recebeu a visita das voluntárias do projeto Sorriso no último dia de internação. ?Esta visita é muito importante, pois é muito ruim ficar tantos dias no hospital, a pessoa se sente sozinha. Achei muito importante este trabalho?, opina a filha de Carmelinda.




Seja um voluntário você também

Se você é maior de 16 anos e tem disponibilidade de tempo de duas horas semanais você também pode ser um doutor da alegria. Para participar do projeto basta preencher uma ficha de cadastro disponível no site do projeto e enviar para o email sejavoluntario@projetosorriso.net.

Todos os voluntários selecionados participam de uma palestra de apresentação e funcionamento, e de uma oficina clown (palhaço), para trabalhar a desenvoltura e treinamentos in loco. A palestra é o primeiro contato do voluntário selecionado com o Projeto Sorriso.

Um momento para conhecer os ideais e o funcionamento de todas as atividades desenvolvidas, além de técnicas sobre cuidados e procedimentos para atuar em hospitais. As palestras são ministradas semestralmente.


Na iniciação à oficina clown, são trabalhados exercícios de improvisação e a expressão corporal. Cada voluntário cria um personagem clown para atuar nos hospitais e são trabalhados e aperfeiçoados nas oficinas que acontecem semestralmente.

Segundo os voluntários, após estas etapas vem o treinamento, que é o momento mais esperado pelos novos doutores da alegria, onde é possível pôr em prática todo o conhecimento adquirido e curtir o primeiro sorriso na face dos pacientes atendidos. O treinamento é acompanhado por voluntários mais experientes e acontece em hospitais e asilos.




Vovó contadora de histórias

Um novo projeto está surgindo entre os Doutores da Alegria, é o ?Vovó contadora de Histórias?, que busca pessoas que gostam de contar histórias infantis para atuarem na ala pediátrica dos hospitais atendidos pelo projeto.


Estas pessoas receberão o treinamento necessário e tudo o que precisam é de disposição e tempo para estar com as crianças internadas nos hospitais da região. Segundo os coordenadores, pessoas de todas as idades podem atuar como voluntárias nesta atividade, pois é possível se caracterizar de vovó, ou vovô, no caso dos homens.


As mulheres interessadas em participar precisam apenas preencher a ficha de cadastro disponível no site do projeto, www.projetosorriso.net, e enviar para o email: sejavoluntario@projetosorriso.net.


Quem não pode ser voluntário também pode ajudar

Além de voluntários, o Projeto Sorriso também está aberto para receber doações de pessoas que simpatizam com a atividade do grupo mas não têm tempo para se dedicar às visitas.

Segundo Flávia Viviane da Silva, diretora do projeto em Gaspar, não são recebidas doações em dinheiro.

?Precisamos de bexigas e outros materiais utilizados no dia-a-dia. Também estamos pedindo a doação de livros infantis, pois queremos criar em Gaspar o Vovó contadora de Histórias e para isso precisamos de voluntários e de livros?, comenta a diretora.

Para entrar em contato com o grupo e fazer doações, basta acessar o site www.projetosorriso.net

Comentários

Luzia Jacinta Fistarol Soares
04/07/2010 17:13
Parabéns ao Jornal que divulgou este relato da visita da Companheira Dra. Bolinha.
Também sou voluntária e sei o quanto é importante esse trabalho em nossos hospitais.
Para os pacientes são momentos mágicos e para nós algo que serão guardados em nossas mentes, pois cada paciente tem uma reação diferente, mas sempre nos dão o seu sorriso de retorno. Muitas vezes por entre lágrimas... pois todos estamos aqui de passagem e é muito bom deixar por onde passamos algo bom nem que for apenas um sorriso.
Um grande abraço,
Dra. Lulu.

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