
Era madrugada de um dos plantões de 2012 de Isaías de Lima, motorista socorrista do Samu. Quando o aviso de uma emergência chegou pelo rádio, Isaías, há três no Samu de Gaspar, atendeu depressa o chamado para um atendimento em Blumenau. Correndo em direção à ambulância com o técnico de enfermagem, Isaías chegou ao local e percebeu que a ocorrência era em um morro de acesso dificílimo. ?Subimos infinitos lances de escadas até chegar ao endereço repassado?, relembra.
Uma mulher estava prestes a dar à luz. A dupla do Samu não teve tempo para tomar qualquer decisão ou tentar levá-la ao hospital. ?Não haveria tempo suficiente para descermos as inúmeras escadas. O parto foi em um dos quartos da residência?, relata. Com luvas e máscaras, a dupla fez o que pôde para o bebê nascer. ?Em seguida, encaminhamos a criança para o Hospital Santo Antônio, onde ela recebeu todos os cuidados. Samu é assim, a vida sempre terá prioridade?, conta Isaías.
Rotina intensa
A rotina do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência não é para qualquer um. Sempre lutando contra o tempo, controlando os nervos e salvando vidas, o Samu de Gaspar completa três anos de vida neste mês de fevereiro.
As técnicas e auxiliares de enfermagem, Angelita Izidoro e Karolina Lenfens, amam a vida. As duas têm vocação para salvar vidas. Já no café, no turno da manhã, alimentam-se com um olho no prato e o outro no rádio. ?No Samu tudo pode acontecer. Deve-se estar sempre preparado. É necessário amar a profissão e os procedimentos de nossa rotina para fazer um trabalho bem feito, caso contrário poucos profissionais da saúde resistiriam à adrenalina do dia a dia?, afirma Angelita.
Sempre a postos, Karolina ressalta uma ocorrência em 2013, quando após um acidente grave a vítima morreu. No entanto, familiares dela foram à base do Samu no bairro Gaspar Grande para agradecer pelo atendimento prestativo. ?Isto recompensa tudo?, observa Karol, como é conhecida entre os colegas.
Nova ambulância em vista
A voz tônica e decidida de Elisabete C. de Souza não deixa espaço para conclusões laterais ou dúvidas. Ela é coordenadora do Samu de Gaspar desde o início da operação no município. ?Saber agir no Samu é fundamental?, diz, em sua primeira frase na conversa. Elisabete ressalta que a regulação do serviço é prestada pela central do Vale de Itajaí, localizada em Blumenau. ?Os socorristas de Gaspar somente se deslocam da base após autorização do médico regulador. Muitos reclamam que o Samu demora a chegar ao local da ocorrência, mas o deslocamento só pode ocorrer após permissão do médico regulador. O tempo de locomoção é de aproximadamente 10 minutos na média geral. Infelizmente existe um número elevado de chamadas falsas pelo telefone 192. É preciso lembrar que enquanto uma pessoa brinca no telefone, outra pode perder a vida?.
Implantado em Gaspar em 14 de fevereiro de 2011, o Samu conta com quatro motoristas socorristas e seis técnicos e auxiliares de enfermagem. ?Na época contávamos com uma ambulância básica. Em dezembro de 2013 o município recebeu uma doação de uma nova ambulância modelo Ranger com tração quatro por quatro, com facilidade de deslocamento para lugares de difícil acesso. Estamos pleiteando outra ambulância por meio da Secretaria de Estado da Saúde e há chance de conseguirmos o veículo neste ano?, antecipa Elisabete.
Atendimentos
Com 2.044 atendimentos em 2013, sendo a maioria em acidentes de motocicletas, o Samu de Gaspar se enquadra na Unidade de Suporte Básico, com motorista e enfermagem a postos. As Unidades de Suporte Avançado, chamadas UTIs móveis, são usadas em casos mais graves, com médico, enfermagem e motorista socorrista a bordo da viatura. ?Blumenau tem a unidade avançada. O critério é pelo número de habitantes. Como Gaspar fica bem próximo, Gaspar se enquadra na unidade básica?, conta.
A coordenadora avisa que um cronograma prevê capacitações e treinamentos aos funcionários do Samu de Gaspar em 2014. Médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde darão palestras e capacitações aos profissionais do Samu. ?Às vezes a vítima não precisa ser conduzida ao hospital ou, mesmo que sejam encaminhadas, os profissionais podem dar continuidade ao atendimento lá?, afirma.
Para comemorar os oito anos de atuação do Samu do Vale do Itajaí, as coordenadorias regionais elaboraram uma programação especial, direcionadas aos profissionais socorristas e à população. As ações ocorreram desde o dia 10 até esta sexta-feira, 21.
Edição 1564
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