De um espaço pequeno e apertado, para um espaço um pouco mais aconchegante e privativo. Esta foi a única mudança na vida de Lindacir Monteiro desde maio de 2009, quando a moradora do abrigo municipal, montado para as famílias desabrigadas pela tragédia de 2008, foi entrevistada pela equipe de reportagem do Cruzeiro do Vale.
A senhora de 32 anos, os quatro filhos e o marido continuam morando no abrigo e ainda esperam pela promessa de receber uma nova moradia. ?A gente não perde as esperanças. Mas a situação aqui continua difícil, são menos moradores, mas os problemas e as diferenças continuam?, comenta Lindacir, que foi abrigada após sua residência, no bairro Bela Vista, ser interditada pela Defesa Civil.
No momento, apenas 11, das 29 famílias abrigadas após a tragédia, permanecem no local. A redução, conforme explica o secretário de Assistência Social, Edinei de Souza, ocorreu pois muitas famílias que ali estavam não perderam a casa própria mas sim a casa em que moravam de aluguel, e por isso não tinham o direito de receber uma moradia própria, e aos poucos foram retornando a sua vida normal, alugando novas casas. Foi o que aconteceu com Giseli Fabiani Cordeiro, que também foi entrevistada pela equipe de reportagem do Cruzeiro do Vale em maio de 2009 e que já não reside mais no local. Giseli, o marido, e os dois filhos deixaram o abrigo e foram para uma casa alugada.
Ansiedade
Há um ano, quando a equipe de reportagem do Cruzeiro do Vale esteve no abrigo municipal, a promessa da Prefeitura era de que as moradias seriam entregues até o final de 2009. O assunto foi manchete do Jornal Cruzeiro, porém, a promessa não foi cumprida.
Neste período, a desculpa foi sempre a burocracia e a demora na aquisição dos terrenos onde seriam construídas as residências populares, todas doadas ao município pelo Instituto Ressoar, Instituto Guga Kurten, Ministério da Integração, pelo rei da Arábia Saudita e por uma empresa privada.
Neste mês de maio, um ano após a promessa, as casas estão finalmente sendo erguidas e a expectativa é de que sejam entregues às famílias desabrigadas até o mês de julho. ?Estamos aguardando ansiosos por este dia. Não vemos a hora de poder ter nossa casa, nosso lar?, desabafa Lindacir.
Ao todo, 57 casas estão sendo erguidas no terreno comprado pela Prefeitura no bairro Gaspar Mirim. Destas, 30 foram doadas pelo Ministério da Integração e já estão com a fundação concluída e os banheiros levantados. As outras 25 foram doadas pelo Instituto Ressoar e estão começando as ser construídas. Além dessas, mais duas casas doadas por Gustavo Kürten serão construídas no loteamento.
Além do loteamento do Gaspar Mirim, a Prefeitura também comprou um terreno no bairro Margem Esquerda, que terá um total de 119 lotes. Nos próximos dias devem iniciar as obras de infraestrutura no local.
Casas concluídas
Até o momento apenas quatro famílias receberam novas moradias desde a tragédia de novembro de 2008 em Gaspar. Foram casas doadas pelo Instituto Ressoar e erguidas nos terrenos que pertenciam às próprias famílias.
As 11 famílias que ainda permanecem morando no abrigo enfrentam os mesmos problemas que enfrentavam há um ano, quando a equipe de reportagem do Cruzeiro do Vale esteve no local. Além da falta de privacidade, pois todos dividem um mesmo espaço, a falta de higiene também incomoda alguns moradores.
A cozinha, que é comunitária, está um verdadeiro chiqueiro. Restos de comida ficam espalhados pelo local, e algumas pias estão entupidas, causando mau cheiro e vazamentos.
Os vazamentos escorrem sempre para a casa de Tereza dos Santos Bach, que mora bem em frente à cozinha. ?Essa situação é terrível, ninguém cuida de nada aqui e daí fica deste jeito. Precisamos de nossas casas com urgência?, reclama a moradora.
Edinei de Souza, secretário de Assistência Social, revela que por diversas vezes já precisou ir até o abrigo fazer consertos e manutenções que seriam evitados se as pessoas cuidassem melhor do local. ?Agora vamos lá desentupir as pias entupidas e arrumar os problemas, mas cabe aos moradores manterem o local conservado?, alerta o secretário.

Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).