
O Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) realizou uma pesquisa voltada ao uso de medicamentos sem realização de consulta médica e, no Brasil, 79% das pessoas com mais de 16 anos admitem tomar medicamentos sem prescrição. Um dado que acende ainda mais o alerta, levando em consideração que cerca de 32% dos pacientes têm o hábito de aumentar as doses prescritas para potencializar os efeitos terapêuticos, mesmo quando há prescrição.
Conforme o diretor técnico do Hospital de Gaspar, doutor Ricardo Freitas, o maior risco em relação ao uso indiscriminado de alguns remédios, como no caso de antinflamatórios e antitérmicos, é que eles podem levar a problemas renais, hepáticos e ósseos. Além disso, quando a pessoa é poli medicamentosa (que faz uso de vários tipos de remédios contínuos), ela pode sofrer uma reação que pode resultar em internação. “Apesar de antibiótico precisar de receita médica, existem pessoas que conseguem com vizinhos ou amigos aquele medicamento que sobrou e acabam ingerindo e mascarando a doença. Aí, quando percebe, está em uma situação bem pior e precisa de uma internação”.
A consequência drástica do uso inadequado dos antibióticos levou ao surgimento da resistência das bactérias aos antibióticos e hoje temos as superbactérias. Estima-se que, num futuro próximo, a resistência aos antibióticos seja uma causa maior de mortalidade que o câncer.
Durante o inverno, a procura pela automedicação aumenta, especialmente devido às infecções respiratórias que ficam em alta nessa época. A busca por medicamentos para tosse, coriza, febre, dor de garganta e ouvido sem recomendação médica atinge níveis extremamente elevados. E isso provoca um diagnóstico tardio de pneumonias, otites, meningites, sinusites, entre outros.
Homens e mulheres se automedicam na mesma proporção, sendo que o público com idade entre 25 e 40 anos é a faixa etária que mais consome medicamentos por conta própria.
A intoxicação está entre os principais riscos da automedicação e afeta principalmente o aparelho digestivo. Isso pode ocorrer no uso simultâneo de medicamentos e alimentos, causando a potencialização ou atenuação do mesmo, a criação de resistência de microrganismos aos antibióticos e a dependência física e psíquica de remédios, levando a crises de abstinência e tolerância ao medicamento. Os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios estão entre os que mais intoxicam.
O Hospital de Gaspar possui dados que mostram o número de internações por intoxicação exógena (que envolve medicamentos e outras substâncias): em 2021, foram 63 internações; em 2022, 104 casos; e até maio deste ano, o hospital já havia registrado 56 intoxicações.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 18% das mortes por envenenamento no Brasil podem ser atribuídas à automedicação e 23% dos casos de intoxicação infantil estão ligados à ingestão acidental de medicamentos armazenados em casa de forma incorreta.

Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).