Vigilantes noturnos enfrentam rotina inversa à maioria da população - Jornal Cruzeiro do Vale

Vigilantes noturnos enfrentam rotina inversa à maioria da população

22/04/2014

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Eliseu Gonçalves não pretende tão cedo voltar a trabalhar no período noturno de sua profissão: a de vigilante. Exerceu a função à noite durante 15 anos e avisa que, embora tenha se adaptado à rotina noturna, trabalhar de dia é bem melhor à saúde. Segundo Eliseu, o trabalho à luz do dia sempre lhe rendeu mais qualidade de vida. ?Já senti na pele inúmeras vezes os malefícios de trocar o dia pela noite no batente. A sensação é bem estranha no início, mas depois a gente acaba se adaptando. Nunca tomei nenhum medicamento?, informa o vigilante, morador do bairro Gasparinho.     

Há sete anos desempenhando a função de vigilante noturno em Gaspar, Jerônimo Pereira dos Santos, 53 anos, já se acostumou a trabalhar à noite. O morador do bairro Sete de Setembro conta que faz uma ronda de hora em hora e que é preciso estar atento às surpresas que a noite proporciona. ?O importante é você priorizar as horas necessárias de descanso e de sono durante o dia para você não ficar aéreo durante o trabalho à noite. Neste horário é meio tudo ou nada. Pode não acontecer nada, mas caso ocorra algo, é necessário estar preparado para as surpresas que a noite na vigilância traz?, declara Lúcio. 

Orlando Camargo, morador do bairro Margem Esquerda, trabalha há quatro anos com vigilância noturna. Com 51 anos de idade, ele conta que o início no serviço noturno foi difícil, mas com o tempo veio a adaptação. ?Acabei me habituando com o passar do tempo. É preciso ficar esperto, pois o vigilante noturno precisa estar atento a tudo e a todos. No meu caso, são 12 horas de turno?, explica.

 

Pesquisa

Em recente pesquisa cientifica verificou-se que jornadas de trabalho irregulares possuem efeito semelhantes a horas de sono desperdiçadas. O resultado foi o fato de o sono ajudar o cérebro a se manter saudável.  

Segundo os pesquisadores,  mais de 97% dos genes ajustados ficaram fora de sincronia com o sono desregulado. Umas das conclusões foi a de que trabalhar à noite e ficar acordado até altas horas estão associados a efeitos colaterais negativos e têm consequências à saúde, que se manifestam após vários anos de trabalho, ou seja, em longo prazo. Além disso, há risco de obesidade para as pessoas que se enquadram nesta pesquisa. 

Segundo a farmacêutica Gabriela Carvalho Dias, profissional que atua em uma farmácia no Centro de Gaspar, alimentação saudável e exercícios físicos ajudam no combate aos efeitos da troca de turno de trabalho. ?A recomendação é não se usar medicamentos para combater o cansaço ou qualquer sintoma negativo, mesmo que seja controlado. O ideal é uma boa alimentação e exercícios físicos no combate ao estresse e ao cansaço corporal e mental, além do uso da vitamina C?, orienta a farmacêutica.

Edição 1581

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