
Muitas pessoas ajudam a construir uma comunidade sem buscar reconhecimento. Fazem isso pelo trabalho, pela fé e pelo compromisso com o lugar onde vivem. É assim que muitos conhecem Pedro Afonso de Oliveira, de 72 anos. Empresário do ramo de transportes, motorista por profissão e voluntário por vocação, ele dedicou boa parte da vida à Comunidade São Cristóvão, em Gaspar. E, neste domingo, dia 26 de julho, vai viver um dos momentos mais especiais de sua trajetória comunitária: conduzir a imagem do padroeiro dos motoristas durante a tradicional procissão.
O momento ganha um significado ainda maior porque, apesar de acompanhar a festa desde sua primeira edição, no ano de 1984, esta será a primeira vez que vai participar da procissão. Nos anos anteriores, enquanto centenas de motoristas percorriam o trajeto, ele permanecia nos bastidores, coordenando equipes, organizando os preparativos e garantindo que tudo acontecesse da melhor forma.
Casado com Catarina Theiss de Oliveira, pai de Edson e Tânia e avô, Pedro construiu sua história conciliando trabalho, família e dedicação à igreja. Em 2012, fundou a Catarina Transportes, empresa que atualmente presta serviços exclusivamente para a Linhas Círculo e que participará da procissão com quatro caminhões.

Pedro participou das primeiras diretorias da Comunidade São Cristóvão e foi coordenador em dois períodos: entre 2000 e 2003 e novamente de 2008 a 2013. Mesmo após deixar o cargo, permaneceu atuando voluntariamente até 2017, sempre contribuindo em diferentes frentes da organização.
Durante esse período, esteve à frente de momentos históricos para a comunidade, como o lançamento da pedra fundamental e a inauguração da nova Igreja São Cristóvão. Em um momento anterior, liderou a aquisição de uma área de aproximadamente 23 mil metros quadrados, ampliação que possibilitou a construção da igreja, dos galpões, do estacionamento e da estrutura que hoje recebe milhares de visitantes durante a festa.
A história da família Oliveira também está diretamente ligada ao crescimento da comunidade do Gaspar Grande. A sogra de Pedro foi quem doou os primeiros nove mil metros quadrados de terreno onde hoje está localizada a comunidade, gesto que marcou definitivamente sua história.
Depois de mais de quatro décadas ajudando a organizar cada detalhe da celebração, Pedro assume neste domingo um papel diferente. Pela primeira vez, vai deixar os bastidores para abrir caminho à frente da procissão, conduzindo justamente aquele que representa a proteção de todos os motoristas. Este é o reconhecimento a uma vida construída entre trabalho, fé e serviço voluntário. Um momento que simboliza o agradecimento da comunidade a quem ajudou, durante décadas, a escrever a história da Festa de São Cristóvão.

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