
Rosalina dos Santos Schramm chega aos 91 anos com a serenidade de quem atravessou quase um século olhando para a vida com fé, coragem e gratidão. No dia 23 de dezembro, ela celebra mais um aniversário cercada pela família numerosa, pelas recordações e por uma lucidez admirável, que transforma memórias em relatos emocionantes.
A vida de dona Rosa começou oficialmente em Itajaí, mas o destino logo a trouxe para Gaspar. Adotada ainda bebê pela família Zuchi, encontrou aqui o aconchego de um lar numeroso e carinhoso: foram 11 irmãos de criação, todos homens, que a acolheram com amor. Ela cresceu em meio à lavoura, ao engenho de farinha e às colheitas. Um cenário iluminado e cheio de valores que ela carrega até hoje.
O pai biológico de Dona Rosa era marinheiro e viajava levando soldados para a guerra. Ele faleceu de febre amarela, no navio, quando sua mãe estava grávida dela. Depois do seu nascimento, sua mãe colocou todas as crianças para adoção e foi aí que ela chegou à casa de Rosa Assini Zuchi e José Zuchi, seus pais de coração.
Ainda menina, dona Rosa aprendeu que servir ao próximo era mais do que um gesto, era um jeito de viver. A família adotiva, profundamente religiosa, deixou marcas que ela guarda com devoção. Da mãe, veio o amor pela igreja; do pai, o exemplo de generosidade.
Foi também na infância, aos nove anos, que ganhou um grande tesouro: um Santo Evangelho (foto), presente de um padre de São Paulo que estava em Gaspar. “Ele perguntou se eu já havia tomado a primeira comunhão. Frei Godofredo ouviu e contou que havia sido meu catequista. Entrou o outro padre tirou um Santo Evangelho antigo da mala e pediu que eu lesse um trechinho do nascimento do menino Jesus. Depois, ele disse que era para eu ler isso pelo resto da vida. É uma das coisas mais lindas que eu já ganhei”.

A história de amor com Lauro Hilário Schramm começou num domingo comum que se transformou em destino. Ela tinha 16 anos quando o irmão a convidou para dançar. Lá, conheceu o rapaz que seria seu marido e pai dos seus filhos.
Eles namoraram por quatro anos e depois casaram. Depois do casamento, moraram na casa dos sogros e, em seguida, mudaram-se para a casa própria, também no bairro Macuco, no mesmo local em que dona Rosa mora até hoje.
Uma matriarca de quatro gerações: Ao longo da vida, dona Rosa acolheu, educou e amou 15 filhos (sendo um deles adotivo, que foi ordenado padre). A família cresceu e hoje ela é a matriarca de quatro gerações: são filhos, netos, bisnetos e trinetos que fazem a alegria dos seus dias. “Amo todos. Um por um. Estão dentro do meu coração”.

Quem vive em Gaspar já cruzou, de alguma forma, com o trabalho silencioso e constante de dona Rosa. Ela atuou como ministra da Eucaristia e da Palavra, fez parte da pastoral da saúde, coordenou grupos da terceira idade, integrou clubes de mães, deu aulas, fez parte da diretoria da capela do bairro Macuco e sempre esteve pronta para ajudar. Também carrega dons que, segundo ela, vieram de Deus: o de benzer e aliviar dores. “Minhas mãos são abençoadas”.
Ao completar 91 anos, dona Rosa segue lúcida e ativa. Vive rodeada pela família, pela fé que sempre guiou seus dias e pelo orgulho de ter contribuído com a comunidade e de ter acompanhado de perto o crescimento de Gaspar.
Hoje, ela tem a companhia diária de todos os filhos, que se revezam para que ela nunca fique sozinha. Seus dias são divididos entre rezar, receber a família, jogar, fazer as comidinhas que ela tanto gosta e tocar gaitinha de boca.
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