
O dono do Hotel Rech, onde três pessoas morreram asfixiadas pela fumaça de um incêndio na madruga de domingo (30) em Braço do Norte, negou que o atestado anual de funcionamento do local, feito pelos bombeiros, estivesse vencido. A Polícia Civil solicitou à corporação documentos para comprovar a irregularidade.
“As obrigações, os equipamentos, estava tudo certo”, declarou ao G1 o dono do hotel, Adriano Warmeling.
De acordo com o delegado Cristiano Leo Fabiani, o inquérito está em fase preliminar, mas o fato de o atestado estar vencido não significa que questões de segurança tenham desencadeado o incêndio.
"Em um caso como este, nossa primeira medida é analisar o laudo da perícia, que indicará a causa do incêndio, se houve um crime e de que tipo. Com isso, saberemos se foi provocado ou se houve uma negligência, e a partir daí poderemos apurar responsabilidades", explicou Fabiani.
O 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar informou a irregularidade na manhã desta terça-feira (2) e disse que o atestado de funcionamento venceu em 31 de março de 2016 e que a edificação tinha projeto de segurança e habite-se liberados em 2016.
De acordo com o diretor de atividades técnicas do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, a legislação estadual estabelece que o proprietário do estabelecimento deve solicitar a regularização do atestado dos bombeiros.
“Não temos condições de fiscalizar todos os imóveis anualmente. Dentro de um planejamento estabelecido, os bombeiros podem vistoriar os estabelecimentos, considerando a possibilidade das unidades, lembrando que a iniciativa de renovar deve ser do proprietário”, explicou o coronel Edson Luiz Biluk.
De acordo com a corporação, os sistemas de segurança estavam instalados e funcionando na noite do incêndio, conforme a perícia. As luzes de emergência acenderam, os alarmes tocaram, mas o extintores não foram utilizados. Segundo os bombeiros, apenas com a investigação policial será possível esclarecer o motivo de os aparelhos não terem sido usados.
O Corpo de Bombeiros e o Instituto Geral de Perícias pretendem concluir nesta terça-feira (2) a fase de exames no local do incêndio. Após a realização de exames complementares, o laudo pericial deve levar 20 dias para ser concluído.
Segundo os bombeiros, as três vítimas morreram por asfixia, após a inalação da fumaça. As chamas começaram na madrugada em uma lanchonete que fica no piso térreo do edifício. O fogo se propagou até o primeiro dos cinco andares do hotel. Os demais pavimentos foram tomados por fumaça e fuligem.
Yasmin Streger, de 13 anos, e Cristina Schimitt, de 62 anos, eram hóspedes do Hotel Rech, e estavam a passeio na cidade. Alexandre Frontino, de 29 anos, era professor e morava em um dos quartos.
Segundo os bombeiros, para se salvar, outros hóspedes tiveram que pular as janelas do hotel. O proprietário do estabelecimento informou aos bombeiros que oito pessoas estavam hospedadas no local. Elas foram encaminhadas inicialmente ao Hospital Santa Teresinha, em Braço do Norte.
De acordo com a RBS TV, três sobreviventes do incêndio permaneciam internados nesta manhã, um no hospital de Braço do Norte e dois em hospitais de Tubarão. Segundo a reportagem, eles estavam em estado estável.
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