
A interdição do cultivo e comercialização de ostras, vieiras, mexilhões e berbigões em todo o litoral de Santa Catarina continua nesta semana. Quatro pontos localizados em Porto Belo, Penha e Balneário Camboriú, no Litoral Norte, e Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, deram positivo para a presenta de uma toxina paralisante que pode levar à morte.
"Todas as regiões continuam interditadas, mas nesta semana vamos ter uma noção mais clara da situação e saber se é possível liberar alguma área", informou o gerente de Pesca e Aquicultura, Sergio Winckler da Costa.
Na quinta-feira (19) a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca proibiu a retirada, comercialização e consumo de moluscos no litoral como forma de prevenção.
Segundo Winckler, 25 pontos do litoral vêm sendo monitorados e análises estão sendo feitas para que áreas não contaminadas possam ser liberadas.
"Como não temos uma noção da abrangência e de como se movimenta esse fenômeno, estamos fazendo o máximo de análises possíveis. Esse monitoramento já ocorre há quase 20 anos em três toxinas e é uma rotina", diz Costa.
Os sintomas causados pela toxina podem aparecer logo após o consumo, entre eles diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais e perda de sensibilidade nas extremidades do corpo. Em casos mais graves, pode causar paralisia generalizada e morte por falência respiratória. Essas toxinas não são degradadas com o cozimento ou o processamento dos alimentos.
Todos os moluscos podem acumular a toxina, independente de serem cultivados ou não. A presença da toxina na água não representa risco aos banhistas.
“Uma corrente de água quente criou condições propícias para que esse micro-organismo se proliferasse em densidades elevadas o que causa esse fenômeno”, diz o gerente de Pesca e Aquicultura, que diz que isso é um fenômeno natural.
O representante do Laboratório Oficial de Análise de Resíduos e Contaminantes em Recursos Pesqueiros (Laqua-Itajaí/IFSC) Luis Proença explicou que microalgas que vivem na água são a principal fonte de alimento para seres vivos marinhos. Em condições ambientais favoráveis, elas podem se tornar numerosas.
A maioria das microalgas é benéfica, porém alguns espécies produzem toxinas que podem ser acumuladas por seres filtradores, como os moluscos bivalves.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).