
Pelo menos 115 casos específicos de violência contra a mulher foram registrados na quinta-feira (8) em delegacias de Santa Catarina, conforme dados de um levantamento da Gerência de Inteligência da Delegacia Geral de Polícia Civil feito a pedido do G1 SC. A data marcou o Dia Internacional da Mulher
Além desses 115 casos de violência, foram registrados outros 27 B.O.s em que a queixa se restringe a injúria, calúnia ou difamação, num total de 142 ocorrências.
Boa parte dos registros envolvem mais de uma situação de violência. Ao todo, 92 boletins de ocorrência citam ameaça contra mulher. A lesão corporal aparece em 28 das queixas. Um caso de assedio sexual foi denunciado, em Itajaí.
Somente em Florianópolis foram registrados 21 B.O.s. Oito deles na 6º Delegacia de Polícia de Florianópolis, especializada em proteção à mulher, de acordo com o delegado Paulo Caixeta. Para o delegado, essa média pode ser considerada normal.
A delegacia já chegou a ter sete solicitações de medidas protetivas em um dia. No Dia da Mulher, foram três, relacionadas a casos anteriores.
Em Santa Catarina, uma mulher morre por causa de violência doméstica a cada oito dias. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, foram registrados 30 mil ocorrências de ameaça contra mulheres em 2016 no estado.
Destas, pouco mais de 10 mil foram levados à Justiça, o que só ocorre quando a mulher representa o crime na delegacia. Se isso não ocorre, não há condenação nem medidas cautelares para proteger a vítima. Já nos casos de lesão corporal, a representação independe da vontade da vítima.
No ano passado, 6.610 medidas protetivas foram concedidas pela Justiça a mulheres catarinenses. Nos dois primeiros meses deste ano já foram 1.252.
Os pedidos vêm de mulheres desesperadas que têm direito a pedir proteção para a polícia, conforme a lei. Para isso,é preciso registrar boletim de ocorrência e mostrar provas. "Testemunhas, se possível, que é difícil... Mensagens, gravação de áudio, fotografias. Tem que se conferir muita credibilidade à palavra da vítima", explicou a defensora pública Fernanda Rudolfo.
Se o delegado entender que a mulher está mesmo em perigo, ele tem 48 horas para pedir a proteção dela na Justiça. A Polícia Civil disse que em Santa Catarina isso demora geralmente 10 horas.
Cada caso é um caso. O agressor pode ser proibido de chegar perto de casa, da vítima, de falar com ela ou com os familiares. A Justiça tem outras 48 horas para aceitar ou não o pedido da polícia. Então começa um novo desafio, o de acompanhar essas vítimas.
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