
Por suspeita de pagamento de diárias irregulares para servidores e políticos para participar de cursos fictícios em outros municípios, a Polícia Civil apreendeu na tarde de quarta-feira (7) documentos na Câmara de Vereadores de Camboriú, no Litoral Norte catarinense.
A Operação Viagem Paga é um desdobramento da Operação Iceberg, feita em 2015 na Câmara de Vereadores de Tijucas. Na época, três vereadores da cidade foram presos e outras quatro pessoas do Paraná foram detidas. Todos eram suspeitos de usar e autorizar diárias para cursos que não eram frequentados pelos políticos.
O delegado Vicente de Assis Mesquita Soares, responsável pela investigação na Divisão de Investigação Criminal de Balneário Camboriú (DIC), não detalhou o teor do material encontrado, quem são os suspeitos do uso indevido das diárias. "Foram apreendidos documentos. Quanto aos investigados ainda será mantido o sigilo para não atrapalhar as investigações", disse.
A Polícia Civil e a Câmara de Vereadores de Camboriú reforçaram que a suspeita de fraude é com relação a legislaturas passadas. Conforme o delegado, as irregularidades ocorreram entre 2007 e 2015. De acordo com a Câmara de Vereadores, a presidente Marcia Regina Oliveira Freitag se colocou à disposição da DIC para "colaborar de forma integral com a investigação".
Segundo a Polícia Civil, os cursos constam como realizados nas cidades de Curitiba, Brasília e Florianópolis. "Em alguns casos, o curso até existia, mas não era ministrado aos suspeitos. Em outros, nem existia".
Ainda segundo as investigações, três empresas com sede em Curitiba eram coniventes com a situação. "Usamos os documentos compartilhados pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), já que na operação da Câmara de Vereadores de Tijucas foram encontrados indícios de fraude em outras Câmaras".
Conforme o delegado, agora serão analisados os documentos e feitas oitivas para apurar detalhes das fraudes.
Em 2015, foram detidos em Tijucas o presidente da Câmara de Vereadores, Eder Muraro (DEM), Sérgio Murilo Cordeiro (PMDB) e Luiz Rogério da Silva (PMDB). Eles foram levados para a Deic, na capital catarinense, acompanhados por advogados, onde prestaram depoimento. Os advogados dos parlamentares presos negavam as acusações.
Os três vereadores são suspeitos de desvio de dinheiro público. Eles ocuparam a presidência da Câmara Municipal nos últimos três anos. De acordo com as investigações, recebiam e autorizavam o pagamento de diárias e outros custos para a realização de cursos no Paraná, voltados para a administração pública e não frequentavam as aulas. Segundo a Polícia Civil, os prejuízos passam de R$ 500 mil.
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