
[Especial 92 anos Gaspar]
Muito antes de uma consulta médica ou de um atendimento na unidade de saúde, há profissionais que conhecem pelo nome, pelo endereço e pela história cada família da comunidade. Em Gaspar, agentes comunitários de saúde como Fátima Garbin são esse elo direto entre a população e o sistema público: presença constante nas ruas, nas casas e nos momentos mais delicados da vida.
Há 14 anos exercendo essa função, Fátima considera seu trabalho mais do que uma profissão. Para ela, trata-se de uma missão diária de cuidado, atenção e acompanhamento da saúde de pessoas de todas as idades e condições. “É um trabalho de cuidado, de estar perto das famílias e acompanhar de perto a vida de cada uma delas”.
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A rotina de Fátima começa cedo, com a organização das visitas domiciliares. Em seguida, ela percorre ruas de Gaspar, acompanhando gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Além de orientação, ela observa o cotidiano das famílias, identifica necessidades, esclarece dúvidas e leva informações que muitas vezes fazem toda a diferença no cuidado preventivo. “Cada casa tem uma história, uma luta, uma realidade diferente. Isso faz a gente valorizar ainda mais as pessoas e entender a importância do cuidado e da atenção com o próximo”.
No início, o trabalho trouxe medo e insegurança. Mas, com o passar do tempo, a experiência e a confiança cresceram e cada visita se tornou (e ainda se torna) uma oportunidade de aprendizado.
Ao longo dos anos, Fátima construiu laços fortes com as famílias que atende. Ela vê crianças crescerem, acompanha gestantes em momentos importantes, observa o envelhecimento dos idosos e se alegra com conquistas e pequenas vitórias do dia a dia. Esses vínculos se estendem para fora do trabalho: não é raro encontrá-la na rua ou no supermercado sendo cumprimentada ou abordada por moradores para tirar dúvidas ou compartilhar novidades. “É muito gratificante perceber que existe confiança. Muitos moradores me chamam pelo nome, perguntam como está a equipe ou só querem conversar. Isso mostra que nosso trabalho é reconhecido e valorizado.”
O que move Fátima são as pequenas mudanças que podem ter um grande impacto. Um conselho que evita a evolução de uma doença, uma orientação para procurar atendimento no momento certo ou apenas a presença silenciosa para ouvir e acolher. “A parte mais gratificante é perceber que a nossa presença faz diferença. Às vezes é uma conversa que traz conforto ou uma orientação que ajuda alguém a cuidar melhor da saúde. Saber que você ajudou alguém já faz tudo valer a pena”.
Por outro lado, os desafios também são reais. Situações de dificuldade ou doenças graves que não podem ser solucionadas de imediato exigem paciência, sensibilidade e dedicação. “Mesmo quando nem tudo pode ser resolvido, procuro orientar, encaminhar e oferecer o melhor apoio possível”.
Os gestos de carinho recebidos ao longo da trajetória profissional, com abraços, palavras de carinho e até presentes, ficam guardados na memória de Fátima e fortalecem seu compromisso diário. “São coisas simples, mas muito especiais. Mostram que o trabalho é reconhecido e que cada esforço vale a pena.”
Para Fátima, trabalhar na saúde pública de Gaspar é mais do que um emprego: é cuidar de sua própria comunidade, onde mora e vive. “É um grande orgulho poder ajudar as pessoas da minha própria cidade. É um trabalho feito com carinho, responsabilidade e muito respeito”.
No dia a dia, Fátima percorre as ruas, de casa em casa, lembrando que cuidar da saúde é também construir confiança, empatia e esperança. Um trabalho silencioso, mas essencial, que muitas vezes começa com um simples gesto: bater à porta de alguém e perguntar como está a saúde daquela família.
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