Abertura de CPI para investigar obra no bairro Figueira divide opiniões na Câmara de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Abertura de CPI para investigar obra no bairro Figueira divide opiniões na Câmara de Gaspar

04/08/2026

A possibilidade de instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar possíveis irregularidades na obra de contenção da rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira, em Gaspar, divide opiniões na Câmara de Vereadores. Na última semana, uma reunião com a presença de quase todos os vereadores discutiu o assunto e quatro parlamentares se manifestaram favoráveis: Giovano Borges (PSD), Thímoti Deschamps (União), Roni Muller (MDB) e Dionísio Bertoldi (PT). Os demais vereadores se posicionaram de forma contrária, com a justificativa de que a Prefeitura instaurou uma sindicância para apurar os fatos e que seria necessário aguardar o resultado.

Em sessão na Câmara nesta terça-feira, dia 4 de agosto, o vereador Giovano Borges (PSD) usou a tribuna e informou que o documento que garante a abertura da CPI estará disponível no sistema para que os vereadores favoráveis possam assinar até a tarde de quarta-feira, dia 5.

O vereador Roni Muller (MDB) defendeu que a Câmara é um poder independente e que pode abrir uma CPI independentemente de haver uma sindicância em andamento.

A vereadora Alyne Nicoletti (PL) garantiu que é favorável ao esclarecimento da situação, mas afirmou que este não é o momento ideal para a abertura de uma CPI. “Acho prematuro. Quando instauramos a CPI da roçada, fizemos em razão de uma sindicância apurada dentro do Executivo. Se, no devido momento, chegar para nós a sindicância indicando ato ilícito, naquele momento faremos, sim, a CPI".

Entenda:

A obra de contenção e estabilização da margem da rua Anfilóquio Nunes Pires, em Gaspar, teve a Ordem de Serviço assinada em 22 de agosto de 2025. Ela estava orçada em R$ 2.435.000,00, e a empresa Engeplan venceu a licitação para a execução dos trabalhos.

Em maio de 2026, o Gaeco cumpriu 50 mandados de busca e apreensão na Operação Ponto Final, que apura fraudes em licitações e superfaturamento em obras em Blumenau entre 2020 e 2024. Conforme as investigações, o esquema teria movimentado R$ 600 milhões em contratos, sendo R$ 117 milhões desviados por meio de propina, aditivos e superfaturamento. Arnaldo Assunção, representante da Engeplan, é apontado como ‘líder do cartel’. Além dele, Michael Maiochi é apontado como ‘coordenador das ações’ em Blumenau.

Maiochi assumiu como secretário de Planejamento de Gaspar em junho de 2025 e foi exonerado em 6 de maio de 2026, data em que foi alvo da operação do Gaeco em Blumenau.

Poucos dias depois, em 13 de maio, o prefeito Paulo Koerich determinou a paralisação das obras de contenção da rua Anfilóquio Nunes Pires e a suspensão do contrato com a Engeplan. “Nós não admitimos que quem quer que seja tire qualquer espécie de vantagem do dinheiro público e daquilo que é de todos nós”, disse o prefeito, justificando a determinação da paralisação da obra executada por empresa envolvida em operação policial.

Gaspar não é investigada na Operação Ponto Final do Gaeco.

 

 

Edição 2234 

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