A expectativa pela ordenação do novo sacerdote gasparense - Jornal Cruzeiro do Vale

A expectativa pela ordenação do novo sacerdote gasparense

25/11/2014

O frei Paulijacson Pessoa de Moura, que atua em Gaspar desde o início do ano, será ordenado padre neste sábado, dia 29, em uma cerimônia a ser celebrada na comunidade de São Miguel Arcanjo, no Rio Grande do Norte, terra natal do novo sacerdote. A programação no estado potiguar começa já nesta terça-feira, 25, com visitas a doentes e missas preparatórias. No sábado, após a missa, haverá jantar aberto à comunidade e no domingo, frei Paulo, como é conhecido em Gaspar, irá comandar a primeira missa após a ordenação, na Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo (RN).

Segundo de cinco filhos do casal Elizabeth Pessoa Nunes e Francisco Escóssio de Moura, Paulijacson nasceu no dia 16 de dezembro de 1981. Ainda em São Miguel, começou o discernimento vocacional quando conheceu a Congregação dos Servos da Caridade. Mais tarde, identificou-se com a história de São Francisco de Assis e o modo de viver dos frades. Após um ano de acompanhamento vocacional em um convento no Pará, ingressou em 2004 no aspirantado, em Ituporanga. Em 2005, fez o postulantado em Guaratinguetá (SP). Um ano depois, morou em Rodeio, como noviço. Nos anos de 2007, 2008 e 2009, cursou Filosofia em Curitiba e, nos últimos quatro anos, 2010, 2011, 2012 e 2013, estudou Teologia em Petrópolis (RJ). No último ano, foi transferido para Gaspar.

Um grupo de aproximadamente 40 pessoas irá até o Rio Grande do Norte acompanhar a ordenação do padre que atua em Gaspar. No estado natal desde o dia 10, frei Paulijacson respondeu a perguntas enviadas pela reportagem do Cruzeiro do Vale sobre a ansiedade antes do momento especial na trajetória dele na igreja. O retorno a Gaspar está previsto para o dia 12 de dezembro. Dois dias depois, no dia 14, às 9h, ele comanda a primeira missa em Gaspar como sacerdote. Confira abaixo a entrevista de frei Paulijacson:

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Cruzeiro do Vale -
Como está a expectativa do senhor para a ordenação?

Frei Paulijacson - Estou um pouco ansioso. Este será um momento único na minha vida, mas não é sou meu, é de toda a comunidade paroquial, tanto da minha cidade quanto de Gaspar, que celebram juntas esta ordenação. Não serei ordenado para mim mesmo, mas para a Igreja, para o povo de Deus. Além da presença dos catarinenses entre os potiguares, estarão presentes amigos, familiares, religiosos e padres que residem no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Pará, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Será quase um novo Pentecostes (risos) na minha cidade, São Miguel.

Cruzeiro do Vale - Como está sendo rever amigos e familiares antes da ordenação?

Frei Paulijacson - Está sendo maravilhoso encontrar-me novamente com os meus familiares e amigos. Isto porque ser ordenado presbítero na minha terra natal é, no fundo, colocar-me novamente, como no início, diante da minha identidade, dizer quem sou, por onde estou andando, o que me moveu e o que me move ainda hoje. Por isso, vêm constantemente à minha mente e ao meu coração as palavras de Santa Clara: ?Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe, mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre avance pelo caminho da bem-aventurança? (2Ctln 11-13). Nesse sentido, sinto-me ainda profundamente grato a Deus pelo dom da vocação religiosa e sacerdotal e de poder celebrar este momento de alegria com os meus familiares, confrades, religiosos, presbíteros, conterrâneos e demais irmãos de outros Estados brasileiros, inclusive os mais de 40 gasparenses que se farão presentes. Isso demonstra o quanto eles são devotos, generosos e filhos fiéis da Igreja, que é universal. Essa mobilização é sinal de comunhão e fraternidade que os gasparenses cultivam como Igreja de Jesus Cristo.

Cruzeiro do Vale - Como o senhor se sente neste momento e que ideias pretende continuar difundindo?

Frei Paulijacson - Sinto-me muito feliz e grato a Deus pelo dom da vocação. Continuarei difundindo as mesmas ideias pregadas e vivenciadas pelo Papa Francisco. O Santo Padre deseja uma Igreja discípula-missionária, ou melhor, uma Igreja ?em saída?, com portas abertas. Que saia em direção aos outros para chegar às periferias humanas. Por isso que, em profunda sintonia com o sucessor de São Pedro, escolhi o lema da minha ordenação presbiteral: ?Chegou junto dele, viu-o e moveu-se de compaixão? (Lc 10,33), tirado da parábola do Bom Samaritano.

Cruzeiro do Vale - Como o senhor avalia o momento atual da Igreja e, mais especificamente, as mensagens e a inspiração de Papa Francisco?

Frei Paulijacson - A Igreja está passando por um momento de profunda reforma, revendo os seus caminhos e o melhor jeito para anunciar o santo Evangelho. Já o Papa Francisco é um verdadeiro dom para a Igreja e para o mundo. Com as suas mensagens inspiradoras indica, não somente às lideranças, mas a todos os cristãos católicos a lançarem-se para além de si mesmos e olharem as pessoas com o olhar de Jesus, o Bom Samaritano (Lc 10,25-37) da humanidade. Como servidores da misericórdia e da compaixão, os líderes têm a incumbência de abrir os seus corações, deixar-se comover nas suas vísceras. E esse movimento interior traduz-se em obra prática, numa intervenção concreta para ajudar as pessoas. O Santo Padre exorta a se comoverem diante das ovelhas, a estarem perto do seu povo e serem servidores de todos. Para ele, o critério pastoral que os líderes devem evidenciar no seu serviço é a ?proximidade?. É através da ?proximidade? com o povo que se demonstra vísceras de misericórdia, demonstra-o em todas as suas atitudes, no seu modo de acolher e ouvir a todos.

Cruzeiro do Vale - O que representa a ordenação para o senhor?

Frei Paulijacson - Pessoalmente, a ordenação representa para mim não um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida, pois existe uma multidão de homens e mulheres que precisam ouvir a mensagem libertadora de Jesus. Há, especialmente, uma centena de famintos que perderam a razão de ser e viver e que esperam por uma boa notícia. Deste modo, é preciso ir à periferia existencial do mundo, para que lá, junto dos últimos, procuremos entender o que Deus quer de cada um de nós. Tenho consciência que só os entenderemos quando pisarmos o chão da existência e banharmo-nos com as lágrimas dos pobres, dos que mais precisam de nós. 

Edição 1643
 

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