
Semana de pagamento, agências lotadas, movimento intenso. Geralmente é nesse cenário que a falta de guarda-volumes nas agências bancárias de Gaspar mais incomoda os clientes. Apesar de uma lei municipal de 2003 determinar que os bancos na cidade possuam armários para armazenar bolsas e mochilas, ao menos duas agências da cidade ainda sofrem com a falta desses itens nas suas sedes.
Visitas da reportagem a agências bancárias e cooperativas da área central da cidade mostraram que as agências do Bradesco e do Itaú não dispõem de guarda-volumes. No Bradesco, os vigilantes se oferecem para cuidar dos pertences quando os clientes precisam entrar na agência e não têm com quem deixar bolsas e mochilas. Já no Itaú, a porta-giratória fica logo na entrada da agência e os clientes contam apenas com um pequeno compartimento na própria porta para depositar carteiras ou bolsas pequenas.
Ao entrar na agência do Bradesco, Felipe Dias, 26 anos, precisou deixar o capacete da moto no chão, sob olhares dos vigias, para ser atendido no caixa. ?Com certeza se tivesse um guarda-volume ajudaria, daria mais comodidade?, pontua. Maicon Casarine, 18 anos, compartilha a mesma opinião. ?Ficaria mais fácil porque costumo estar de mochila quando venho ao banco?, destaca.
Na Câmara, a vereadora Marli Iracema Sontag, PMDB, tem cobrado o cumprimento da legislação que exige a presença de guarda-volumes. Ela ressalta que algumas cooperativas dos bairros também sofrem com a falta de armários e destaca que a situação causa constrangimento para clientes, que por vezes precisam ter as bolsas vistoriadas, e também para vigilantes, criticados por pessoas que ficam insatisfeitas por não terem onde deixar os pertences. ?Após cobranças recentes, o Executivo informou que tem dificuldade de pessoal para fazer a fiscalização e que a maioria das agências já possui os guarda-volumes, mas sabemos que há outras que ainda não dispõem deles?, pontua. A Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização deve vistoriar em breve os estabelecimentos bancários da cidade.
Contraponto
Procuradas pela reportagem, as gerências das agências citadas informaram que o banco só se manifestaria por meio das assessorias de comunicação. Após contato, a equipe de imprensa do Bradesco informou apenas que o banco ?vai cumprir a lei?, que prevê a instalação não só de guarda-volumes, mas também de biombos no espaço entre os caixas e a área de espera. Já a assessoria do Itaú informou que ?está prevista ainda para este ano uma reforma estrutural na agência 6544, que contemplará a instalação de biombos, siga e guarda-volumes?.
Procon cobra adequação na estrutura das agências da cidade
Desde o ano passado, o Procon de Gaspar cobra das agências bancárias a adequação a legislações municipais que determinam a instalação de cadeiras de espera, bebedouros, sanitários e divisórias entre os caixas e a área de espera nas agências.
Segundo o coordenador-geral do Procon, Roberto Procópio de Souza, as agências foram notificadas e algumas, como o Banco do Brasil, o HSBC e a Blucredi do Centro, já se adaptaram. Outras, como Bradesco, Itaú e agências da Viacredi e Blucredi dos bairros, ainda não se ajustaram às determinações. Os processos estão em fase de análise, prevista para terminar neste mês, e devem resultar em multa se as modificações não forem feitas.
Sobre os guarda-volumes, Procópio informa que eles não fizeram parte dessa primeira cobrança às agências. ?No entanto, vamos analisar a legislação atual e, se a exigência de guarda-volumes estiver em vigor, também vamos pedir informações aos bancos para saber se eles possuem ou não e instaurar procedimento para quem não estiver cumprindo?, antecipa.
Teste confirma segurança de portas-giratórias
Ao mesmo tempo em que vistoriou a existência de guardas-volumes nas agências bancárias do município, a reportagem tentou acessar as agências com objetos de metal em uma mochila para checar o funcionamento das portas-giratórias.
A única agência em que o detector não acusou a presença de materiais com metal na bolsa foi a do Itaú. Informada sobre o caso, a assessoria de imprensa do Itaú não se manifestou. Nas demais agências visitadas, um apito e uma luz na porta indicaram a presença de objetos proibidos e, em seguida, vigilantes apareceram para indicar o local do guarda-volumes.
Edição 1671
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