A alfabetização abre portas e serve como base para qualquer profissão. Na construção e na realização de sonhos, o letramento tem papel essencial, já que diminui as injustiças sociais e define o futuro de homens e mulheres. Mas, engana-se quem pensa que a alfabetização é destinada apenas para as crianças. O estudo está se tornando cada vez mais acessível e a procura pelo aprendizado por parte dos adultos aumenta cada vez mais. Dona Estelita do Nascimento é um exemplo. Aos 81 anos, ela voltou a sentar nos bancos de um educandário. “Quando eu era criança, tudo era diferente. Nem todo mundo tinha a oportunidade de estudar. Hoje, eu voltei por vontade própria. Estou gostando das aulas e de fazer amigos”, conta. Dona Estelita faz parte da turma do EJA - Educação de Jovens e Adultos de Gaspar. Ela e outras dezenas de pessoas estão construindo uma nova história.
Uma das responsáveis por modificar o caminho dessas pessoas é a professora Sônia Schmitt Rainert, que dedica suas tardes e noites a alfabetizar quatro turmas de adultos. “Eles chegam aqui com expectativa de enxergar o mundo de outra forma, então é isso que eu faço. São histórias diferentes, jeitos diferentes e força de vontade semelhantes. Tenho muito amor pela minha profissão e dar aula para essas pessoas é gratificante”. Sônia é professora há 32 anos e, hoje, seu aluno mais novo tem 16 anos e o mais velho 81. “São cerca de 60 alunos e eu costumo dizer que eles são guerreiros. Aprendo muito com eles”.
Outra aluna de Sônia que decidiu voltar às aulas depois de receber o apoio de uma amiga é Sanira Correia dos Anjos. “Eu quero aprender coisas novas. Aproveitar o tempo que eu tenho agora e começar a ler. Vai me fazer bem”, afirma a mulher de 54 anos.
A falta de oportunidade de concluir os estudos quando mais nova fez com que Maria Bernadete Machado abandonasse a sala de aula. Ela conta que antes de voltar para a sala de aula sabia ler apenas algumas palavras. “Agora eu entendo as placas na rua e já consigo ler alguns panfletos, por exemplo. Saber ler e escrever facilita muito a nossa vida”.
A realidade de Paula Stefen, de 67 anos, é parecida com a de Maria Bernadete. Ela conta que teve que trabalhar cedo para ajudar a família e que voltou a cuidar de si depois que se aposentou. Paula afirma que adora ler e escrever e que já fez novos amigos durante as aulas no EJA.
A fase da alfabetização é um momento importante na vida das crianças. E, nessa fase, a participação da família é tão importante quanto o papel da escola.
Conforme afirma a coordenadora pedagógica do Colégio Madre Francisca Lampel, Michele Machado da Silva, o processo de alfabetização deve ser trabalhado com cautela. “Nós trabalhamos a alfabetização das crianças nos três primeiros anos do ensino infantil. No primeiro, as crianças aprendem a ler e escrever. Já nos anos seguintes, as professoras estimulam os alunos com conteúdos mais complexos. Tenho que destacar que a participação da família é muito importante para a criança”.
As escolas municipais também buscam desempenhar um trabalho cuidadoso na fase da alfabetização das crianças. Coforme dados da Secretaria de Educação de Gaspar, a cidade conta com 1.429 crianças no processo de alfabetização, têm o suporte de 40 profissionais especializados pela alfabetização e letramento. Entre os alunos, 86% já estão alfabetizadas, mesmo antes do fim do ano letivo.
Rosemeri Moser Melato, Coordenadora Pedagógica do Ciclo de Alfabetização da Rede Municipal, afirma que o governo luta pelo direito de estudo das crianças. “As crianças de 4 a 17 anos devem estar matriculadas em alguma unidade de ensino. Quando há algum aluno com dificuldade de aprendizagem ou apresentando problemas familiares, a direção da escola faz alguma intervenção e tenta resolver o problema. Em Gaspar, não temos casos de crianças fora da escola”.

A última quinta-feira, 8 de setembro, foi marcada pelo Dia Mundial da Alfabetização A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1967 e serve como uma lembrança de que a alfabetização é extremamente importante e está diretamente ligada ao Índice de Desenvolvimento Humano, interferindo em diversos setores que movimentam uma nação.
Em 2000, dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - apontavam que 13% da população do Brasil com mais de 10 anos não sabia ler e escrever. Já em 2010, o n´mero de analfabetos caiu para 9%. Essa melhora se deu por conta de fatores administrativos que aproximaram as crianças da escola. Atualmente, um relatório da ONU revelou que, a nível mundial, 84% da população pode ser considerada alfabetizada.
Elevar ainda mais a taxa de alfabetizados no Brasil está no Plano Nacional de Educação para a próxima década. Além disso, o plano tem como meta aproximar jovens e adultos não alfabetizados aos centros de ensino fundamental e médio, integrando-os no mercado de trabalho posteriormente. Como peças fundamentais nesse processo estão os professores e gestores das séries iniciais, que muitas vezes não são reconhecidos, mas ajudam a formar pessoas e possibilitam que elas possam escolher o próprio caminho.
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