
Depois de 13 anos trabalhando em Gaspar, o bombeiro militar Gil Vicente Pereira atendeu sua última ocorrência na quarta-feira, 12 de outubro. Agora, ele está oficialmente aposentado.
Gil se apresentou para trabalhar no quartel do Corpo de Bombeiros de Gaspar em 15 de julho de 2003 e, desde então, vem desempenhando importante papel na cidade. Ele atuou como socorrista e combatente, motorista da ambulância, ajudou a formar as turmas de Bombeiros Comunitários, idealizou e fez com que o projeto Cidadão Consciente saísse do papel, foi o cozinheiro da turma nos seus dias de plantão e conquistou o carinho e a amizade de todos que tiveram a oportunidade de trabalhar ao seu lado.
Pelo fato de ter iniciado em Gaspar no mesmo período em que o quartel foi instalado na cidade, Gil lembra com carinho de ter participado da evolução dos bombeiros em Gaspar. “No início, trabalhávamos com uma viatura doada pela prefeitura. A gente tinha também um caminhão de apoio, uma saveiro, um corsa e uma moto. Hoje, Gaspar tem duas ambulâncias, uma camionete de resgate e outra de transporte e três viaturas para vistorias. E somos um dos poucos municípios com dois desencarceradores para os acidentes mais graves”, lembra Gil.
Nos 13 anos dedicados à corporação de Gaspar, Gil atendeu diversas ocorrências. Algumas graves, outras nem tanto. Mas, todas marcaram de alguma forma seu trabalho em Gaspar. “O caso que eu sempre lembro aconteceu no Coloninha, perto da Loromar Tintas, e faz uns oito anos. Era um sábado, pelas 23h, e eu era motorista do caminhão nesse dia. Um menor dirigia um carro, estava bêbado e bateu. A namorada voou longe e se esfacelou. Aquilo me chocou muito”, conta Gil.
Outro caso que ele sempre lembra com um aperto no coração é o acidente na BR-470 com um ônibus escolar. “Eu estava em casa, me preparando para entrar no plantão, quando ouvi na rádio sobre o acidente. Na hora, fui para o quartel, me apresentei e comecei a ajudar. Foi uma tristeza”, lembra.
Atender a tantas ocorrências que envolvem o sentimento de outras pessoas fez Gil ter a certeza que, cada vez mais, é preciso valorizar a família e os amigos “Tenho pra mim que é preciso valorizar a família. Minha profissão ensina que, a qualquer momento, podemos perder alguém. Mas, ensina também que a família e os amigos sempre devem estar em primeiro lugar e que precisamos valorizá-los sempre, pois não sabemos o dia de amanhã”.
Aposentado como 3º sargento, Gil ainda não sabe com o que vai trabalhar. O governo criou o sistema CTISP, que significa Corpo Temporário de Inativos da Segurança Pública. Com ele, bombeiros aposentados tem a oportunidade de trabalhar, por no máximo dois anos, dentro do quartel, no setor administrativo. “Recebi o convite do batalhão de Itajaí e o comandante de Gaspar também gostaria que eu ficasse aqui. Tenho um carinho muito grande por Gaspar. Não vou mais poder trabalhar no combate. Mas, se tudo der certo, vou continuar dando minha contribuição para a cidade”.
Quem já precisou dos serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros de Gaspar com certeza teve contato com o ‘Soldado Gil, mais bonito do Brasil’. Sempre alegre e de bem com a vida, ele sempre atendeu à comunidade com dedicação e se aposenta com a sensação de dever cumprido.
Gil Vicente Pereira tem 46 anos e se formou como soldado em Itajaí, no ano de 1996. Neste período, ele trabalhou por cerca de dois anos no Aeroporto de Joinville. Depois, ele voltou para sua cidade natal, onde trabalhou na corporação, exercendo a função de socorrista, combatente e guarda-vidas.
A convite de Evandro de Melo do Amaral, então comandante do Corpo de Bombeiros de Gaspar, Gil veio à cidade e se apresentou ao serviço no dia 15 de julho de 2003. E foi no quartel que ele fez amizades, conheceu o futuro sogro e, mais tarde, casou-se com Bruna Mellato Pereira, que também entrou para a corporação, como Bombeira Comunitária.

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